O italiano Gianni Bugno foi eleito hoje, em Amsterdão, presidente da Associação Internacional de Ciclistas Profissionais (CPA) sucedendo no cargo ao presidente-interino Paulo Couto. O representante português havia assumido a presidência da CPA após a demissão do francês Cédric Vasseur em Novembro último, mas a situação transitória de transferência de poderes directivos obrigava a novas eleições. Não se apresentando a concurso, a candidatura de Gianni Bugno colheu a votação favorável dos presentes que ainda se pronunciaram sobre a escolha de um vice-presidente. Contra a candidatura concorrente do espanhol Pipe Goméz, Paulo Couto foi escolhido pela maioria dos participantes.
Foto: Museu del Ghisallo
Paulo Couto assume hoje, internamente, a direcção da Associação Internacional de Ciclistas Profissionais, CPA, consumada a demissão do francês Cédric Vasseur do cargo que ocupou durante dois anos. Eleito vice-presidente da CPA em Dezembro de 2007, sendo o membro da direcção com mais antiguidade, Paulo Couto mostra-se disponível para assumir o cargo e representar, de forma institucional, os interesses dos ciclistas profissionais, universo cada vez mais “globalizado”. Couto assumirá a direcção da CPA, quando o ciclismo permanece em estado de vigília, navegando por águas tumultosas, com várias questões fulcrais em aberto.
“A Associação Internacional de Ciclistas tem passado por alguma turbulência, fruto de alguns conflitos entre as nações historicamente mais fortes e melhor representadas no pelotão internacional. O Francesco Moser passou por isso, tal como, o Cédric Vasseur, que lhe sucedeu. É natural que tal aconteça. Pessoalmente sinto-me disponível para cumprir um papel que julgo será de mediação. Até novas eleições, estou consciente da importância de gerar consensos entre os corredores”, resumiu ao Jornal Ciclismo.
“Para já, vamos analisar a nova situação e consultar o conselho de corredores e as respectivas associações nacionais. Será necessário estar junto dos actuais corredores e estabelecer pontes em questões como a futura supressão dos rádios, a aplicação do passaporte biológico, o relacionamento com as organizações, o alargamento das equipas na Volta a Franças, etc. Felizmente, certas situações, como a aplicação do salário mínimo parecem estáveis e serão uma boa base para uma nova direcção”, resumiu o responsável.
Com a saída de Vasseur, Couto herda ainda a posição da CPA no seio do Conselho ProTour, o orgão cúpula das decisões do ciclismo profissional e que, curiosamente, é coordenado por outro português, Ricardo Scheidecker, após a saída de Alan Rumpf.
Paulo Couto, actual vice-presidente da Associação Internacional de Ciclistas (CPA), assumirá internamente o cargo de presidente da instituição, após confirmada a demissão do actual presidente, Cédric Vasseur.
Vasseur abdicou do cargo esta segunda-feira, alegando maior disponibilidade para os seus afazeres profissionais. “Quero agradecer aos meus colaboradores e a todos os corredores. Durante dois anos depositaram em mim a sua confiança. Foi uma experiência enriquecedora, em termos humanos e desportivos”, resumiu o francês de 39 anos, em comunicado.
Vasseur, ex-profissional da década de 90, prolongou a sua carreira até 2007, altura em que sucedeu ao italiano Francesco Moser à cabeça da Associação Internacional de Ciclistas. Recentemente, Vasseur foi indigitado para o Conselho ProTour, o órgão máximo de decisão do escalão que preside à hierarquia do ciclismo profissional. Por sua vez, Paulo Couto, presidente da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP), foi indigitado para a direcção da CPA, ocupando a vice-presidência, no Outouno de 2007. De acordo com os estatutos daquela associação, o português assegurará a presidência da CPA até à realização das próximas eleições.
(em actualização)
Uma interpretação indirecta da crise económica, com diminuição de orçamentos e planteis e ainda desaparição de equipas traduz-se na redução do número de corredores profissionais do pelotão internacional nas equipas ProTour e Continentais Profissionais em 2009: uma redução de 21% face à época anterior, comunicou hoje a Associação Internacional de Ciclistas Profissionais. Na presente temporada estão registados um total de 866 profissionais de estrada, 476 em equipas ProTour e 390 em equipas Continentais Profissionais. Esta redução atinge mesmo os 29% se comparada com o número total de corredores da época 2007. Entretanto, a CPA anunciou ainda a atribuição de 40 “fundos de solidariedade” para ciclistas que terminaram a carreira em 2007. Setenta e um corredores em final de carreira em 2008 já solicitaram também o pagamento do “fundo”, destinado a suportar até 12.500 euros a ciclistas que terminem as respectivas carreiras. Mercê do seu estatuto de equipas continentais nenhuma das actuais formações portuguesas e respectivos corredores pode beneficiar deste apoio.
O presidente do Associação Internacional de Ciclistas Profissionais, Cédric Vasseur manifestou a sua preocupação pela precaridade laboral da profissão depois de um encontro internacional em Barcelona, com o apoio da Comissão Europeia: “Perante os contratos que tive nas mãos, certos corredores estão realmente prontos para assinar qualquer coisa para vestir uma camisola”.
O antigo duplo vencedor de etapa na Volta a França tem dificuldades em reconhecer o desporto que sempre praticou: “É um desporto de miséria que não faz mais sonhar, e esse é bem lá no fundo o problema”. Tais declarações contrastam com as afirmações de Pat McQuaid, presidente da UCI, que não hesita a afirmar que o”ciclismo” não é tocado pela crise. “McQuaid parece viver apenas para o ProTour, sem se incomodar com os restantes ciclistas. Estes corredores são obrigados aceitar correr por 1.000 € mensais, ou mesmo menos, para continuar viver a sua paixão”, contestou Vasseur.
Fonte: La Voix du Sport via Cyclismag.com
A Associação Internacional de Ciclistas Profissionais (CPA) manifestou-se contra a deliberação do Conselho de Ciclismo ProTour que determinou a manutenção do valor de quatro por cento dos prémios das competições ProTour a destinar ao financiamento do programa anti-dopagem da União Ciclista Internacional. O contributo directo dos corredores ProTour no financiamento do programa da respectiva federação internacional foi alvo de contestação pelos representantes da CPA, que pretendiam diminuir este valor para dois por cento, o mesmo contributo retirado do bolo de prémios das competições inscritas nos calendários continentais. A determinação da UCI foi hoje publicitada pela CPA que se manifestou ainda o apoio à criação de um plantel mínimo de 25 corredores para as equipas ProTour e marcou ainda uma conferência destinada a debater o futuro da carreira profissional de ciclista, a ter lugar em Barcelona, nos próximos dias 18 e 19 de Dezembro. A CPA é dirigida pelo ex-profissional francês Cédric Vasseur, tendo Paulo Couto, presidente da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP), o seu vice-presidente.