O austríaco Bernhard Kohl forneceu produtos dopantes a outros desportistas. É o próprio quem o admite em declaraçôes à comunicação social da Áustria. O antigo corredor da Gerolsteiner recusa-se a divulgar publicamente o nome daqueles a quem fez chegar as drogas, mas garante que todos esses dados estão em posse das autoridades do seu país. Desconhece-se se Bernhard Kohl apenas fazia de intermediário ou se tirava algum lucro do tráfico de dopantes, à semelhança do que fazem alguns toxicodependentes, que vendem drogas para financiar os próprios consumos.
“Em 200 controlos , 198 nada mostraram. E eu garanto que cem deles deveriam ser positivos”, disse Bernhard Kohl, 27 anos, numa entrevista televisiva, após anunciar o fim da carreira. “Injectei-me pela manhã, os controladores chegaram uma hora depois. E então?”, exemplifica o austríaco, que conta ter fintado os controlos, desde os 19 anos, idade com que começou a dopar-se.
Agora que declarou o fim da carreira, Kohl não tem papas na língua e fala com ironia do meio velocipédico. Mesmo com o passaporte biológico e as práticas sistemáticas de dopagem, os valores sanguíneos do corredor mantiveram-se estáveis. A Silence-Lotto – que o havia contratado para 2009 antes de rebentar o escãndalo – conhecia esses valores “e pensou ‘Uau! Ele fá-lo bem’. Porque eles sabem que não terminas o Tour em terceiro lugar apenas a pão e água, o lado medicinal tem de estar presente também. Eles pensaram ‘este tipo não nos faz correr riscos, podemos gastar uma data de dinheiro com ele’”, acrescentou Kohl.
O princípio do fim da carreira do ciclista austríaco deu-se na Volta a França de 2008, prova em que acusou CERA – EPO de efeito prolongado – em dois controlos. Agora, Bernhard Kohl conta que durante o Tour não se limitou a tomar aquela droga, tendo recebido três transfusões de sangue, que lhe fora previamente extraído e centrifugado. As transfusões, durante a Grande Boucle, faziam parte da rotina: “Em poucos minutos, entre massagens, entrevistas e refeições, era muito rápido, demorava cerca de 20 minutos”.
Bernhard Kohl garante que a Gerolsteiner não tinha um esquema de dopagem organizado no seio da equipa, mas dá a entender que os médicos tinham de saber quem se dopava, pois a comparação entre os resultados de cada um e as suas capacidades deixava claro o que se estaria a passar.
Fonte: Cyclingnews
O austríaco Bernhard Kohl anunciou hoje, em conferência de imprensa, que não voltará a competir. O corredor diz que não quer continuar a “viver na mentira”. Bernhard Kohl está suspenso por dois anos, na sequência de um controlo positivo por CERA (EPO de efeito prolongado) na Volta a França de 2008, competição que terminara como melhor trepador e terceiro classificado. Depois de ter começado por negar a dopagem, o ciclista acabou por confessar ter-se dopado, dizendo que era uma prática sua já com anos.
Bernhard Kohl, vencedor da classificação da montanha da Volta da França e terceiro da classificação final, foi suspenso por dois anos pelo Conselho de Disciplina da Agência Anti-dopagem austríaca. A deliberação foi hoje conhecida, causando a surpresa ao jovem corredor austríaco, que aguardava uma comunicação por escrito, para mais tarde recorrer, tanto quanto uma eventual diminuição de pena, após a confissão que terá protagonizado diante daquela autoridade. “Confirmei a confissão e fui totalmente honesto”, averbou Kohl à saída da audiência,em Viena, mostrando-se bastante “desiludido”, referiu citado pela AFP. Em Outubro, o ex-corredor da Gerolsteiner confessou o uso de CERA na última Volta a França, competição da qual acabou desclassificado. “Cedi à tentação. A pressão era incrivelmente forte. Sou um ser humano e diante daquela situação excepcional revelei a minha fraqueza”, disse na altura. Kohl assegurou ter agido de forma individual, ainda que partilhasse quarto com o alemão Stefan Schumacher, igualmente positivo por CERA, aquando da competição.
A época de 2008 foi a décima que contou com a equipa Gerolsteiner nas estradas. Com uma década de presença no pelotão internacional, o grupo desportivo patrocinado por uma marca de águas ficou tristemente célebre com os positivos de Stefan Schumacher e Bernhard Kohl na última Volta a França. Os germânicos já haviam anunciado a saída do ciclismo, concluído que estava um ciclo de dez anos de investimento na modalidade, mas os casos de doping fizeram com que a marca saia das duas rodas com uma imagem que ninguém gosta de ter colada a si. O aparecimento da Gerolsteiner no ciclismo deu-se em 1999, já sob a batuta do director-desportivo Hans-Michael Holczer. A porta de entrada foi a então segunda divisão do ciclismo (GS2) e o equipamento ainda estava longe do azul-celeste que se transformou em imagem de marca. As cores predominantes eram vermelho, cinza, verde e branco. Do primeiro plantel da equipa germânica faziam parte ciclistas como Michel Rich, Uwe Peschel e René Haselbacher. O crescimento do grupo desportivo foi paulatino, tendo passado à GS1, divisão superior da modalidade, em 2002, ano em que passou a incorporar nas suas fileiras Davide Rebellin, aquele que foi, provavelmente, o mais carismático ciclista que passou pelos plantéis dirigidos por Hans-Michael Holczer. A Gerolsteiner subiu depois ao escalão ProTour, desde a fundação deste. Já durante o ano de 2008 a empresa das águas revelou a sua retirada do ciclismo, ainda antes dos escândalos que deram uma visibilidade extraordinária, mas certamente indesejada ao patrocinador.
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