A Barloworld foi a 21ª e última equipa a receber um convite para participar na Volta a Itália, quando falta cerca de um mês para o arranque da primeira das três grandes provas por etapas do ano. Quem não teve a mesma sorte foi a Fuji-Servetto, que, apesar de ser um conjunto ProTour, foi deixada de lado pela organização. Recorde-se, no entanto, que a RCS, empresa organizadora, já sofreu um revés recente, quando viu o Tribunal Arbitral do Desporto a impor a presença da Fuji-Servetto no Milão-Sanremo. O facto de só estarem convidadas 21 formações em vez das previsíveis 22 pode ser uma medida de precaução dos promotores da corrida, no sentido de responderem a alguma demanda judicial que a equipa espanhola possa vir a efectuar.
Equipas convidadas
1) ACQUA&SAPONE – CAFFE’ MOKAMBO (Ita)
2) AG2R LA MONDIALE (Fra)
3) ASTANA (Caz)
4) BARLOWORLD (Afs)
5) BBOX BOUYGUES TELECOM (Fra)
6) CAISSE D’EPARGNE (Esp)
7) CERVELO TEST TEAM (Sui)
8 GARMIN – SLIPSTREAM (Eua)
9) ISD (Ita)
10) LAMPRE-NGC (Ita)
11) LIQUIGAS (Ita)
12) LPR BRAKES – FARNESE VINI (Irl)
13) QUICK STEP (Bel)
14) RABOBANK (Hol)
15) SILENCE – LOTTO (Bel)
16) SERRAMENTI PVC DIQUIGIOVANNI – ANDRONI GIOCATTOLI (Ven)
17) TEAM COLUMBIA – HIGH ROAD (Eua)
18) TEAM KATUSHA (Rus)
19) TEAM MILRAM (Ger)
20) TEAM SAXO BANK (Den)
21) XACOBEO GALICIA (Esp)
O estágio da Barloworld em Castagneto Carducci (Livorno), Toscana, Itália, ficou marcado pelo desaparecimento de 21 das 32 bicicletas da equipa. O furto aconteceu nas instalações do hotel em que a equipa se hospedou. A iniciativa dos amigos do alheio fez com que a maior parte do plantel ficasse sem equipamento para treinar, pelo que o director da equipa, Claudio Corti, já pediu à Bianchi, fornecedor das bicicletas, novas montadas para os seus pupilos.
A União Ciclista Internacional (UCI) revelou hoje que foram aceites 18 das 23 candidaturas apresentadas por equipas que pretendem obter o estatuto Continental Profissional, o segundo mais importante da hierarquia do ciclismo, num patamar abaixo do ProTour. As licenças foram consignadas aos seguintes colectivos: Elk Haus, Vorarlberg-Corratec, Landbouwkrediet-Colnago, Topsport Vlaanderen-Mercator, PSK Whirlpool-Author, Andalucia Cajasur, Xacobeo Galicia, Agritubel, Barloworld, Ceramica Flaminia-Bossini Docce, CSF Group-Navigare, Acqua & Sapone-Caffe Mokambo, ISD, Skil-Shimano, Vacansoleil Pro Cycling Team, Cervélo Test Team, BMC e Serramenti PVC Diquigiovanni-Androni Giocattoli.
Os cinco projectos que, por uma ou mais inconformidades com os regulamentos, viram rejeitada a sua candidatura foram os que se seguem: Murcia-Contentpolis AMPO, LPR Brakes, H2O, Amica Chips-Knauf e Rock Racing. Estas cinco equipas têm até dia 5 de Dezembro para resolverem as irregularidades e para submeterem de novo a candidatura a apreciação da UCI.
O Benfica foi o único colectivo português que competiu sob licença Continental Profissional nas duas últimas temporadas, mas a sua saída da modalidade, faz com que nenhum conjunto português tenha tal estatuto em 2009.
Hugo Sabido, um dos emigrantes do ciclismo português, sai da Barloworld em 2009. Sabido está em negociações com projectos portugueses, prevendo-se uma definição do seu futuro para breve. Já no início da temporada 2008, em entrevista ao Jornal Ciclismo, o ciclista afirmava estar a chegar a uma fase da carreira em que as condições financeiras oferecidas pelas equipas devem ser mais bem ponderadas, abrindo a porta a um regresso ao ciclismo luso, desde que isso pudesse ser financeiramente vantajoso. Outro aspecto a pesar na decisão de Hugo Sabido é a possibilidade que terá, em Portugal, de lutar por vitórias. Recorde-se que o corredor já não vence desde 2005, ano em que alcançou cinco sucessos pelo Paredes Rota dos Móveis-Beira Tâmega, entre eles a vitória na classificação geral da Volta ao Algarve.
Hugo Sabido é um dos actuais três emigrantes do ciclismo português. Ao começar a terceira temporada no estrangeiro ao serviço da Barloworld, Sabido confessa ao Jornal Ciclismo que sente falta de uma vitória – desde 2005 que não conhece o prazer de erguer os braços na meta – e revela estar bem encaminhada a hipótese de participar na Volta a França. Sobre o futuro, o ciclista admite o regresso a Portugal, desde que isso lhe seja financeiramente vantajoso. Sobre o doping e o clima vivido no pelotão internacional, Hugo Sabido defende a teoria de que a estratificação salarial provocada pelo advento do ProTour pressiona os profissionais menos bem pagos a recorrer à dopagem tentando obter resultados que os leve a ter remunerações mais elevadas.
À entrada para a terceira época na Barloworld, que balanço faz da sua integração no pelotão internacional?
Acima de tudo, adquiri muita experiência. A equipa é fantástica e todos os elementos ajudaram-me imenso. O balanço é muito positivo.
Valeu a pena arriscar o salto para o estrangeiro?
Sem dúvida. Não me arrependo de nada. Aliás, mesmo as opções que fiz quando escolhi as equipas em Portugal sempre estiveram de acordo com o rumo que defini para a minha carreira.
Ao integrar-se na Barloworld acabou por abdicar de ser um corredor mais vitorioso. Se tivesse continuado no nosso País poderia ter um palmarés mais preenchido de triunfos.
De ano para ano, quando estive em Portugal, evoluí. No meu último ano em Portugal optei pelo Paredes, quando poderia ter escolhido uma formação de outro nível. No entanto, foi uma escolha que me permitiu ter resultados e dar o salto para o estrangeiro.
Quais os principais objectivos para esta temporada?
Essencialmente quero conseguir alcançar uma vitória, que já me está a faltar há dois anos. É para isso que vou lutar, não esquecendo que também irei ajudar a equipa no que for necessário.
A nível de calendário, quais as corridas que já tem agendadas?
Depois da Volta ao Algarve vou correr o Giro del Capo, regresso a Portugal para a Volta ao Distrito de Santarém. Parto para a Bélgica, onde vou estar na Fleche Brabançone e no Tour de Flandres. Segue-se a Volta ao Alentejo. Irei competir nas clássicas ProTour: Amstel Gold Race, Fleche Wallone e Liège-Bastogne-Liège. Ainda participo na Subida a Naranco e na Volta às Astúrias, seguindo-se uma paragem, dado que não estou na equipa para o Giro de Itália.
Tem garantia de que participará na Volta a França?
Penso que estarei no Tour, porque na equipa está definido que os corredores que participam no Giro não vão ao Tour. É claro que tudo depende do momento de forma. Espero estar bem para, finalmente, poder ir à Volta a França.
O futuro passa por manter-se como um dos emigrantes do ciclismo português?
Os contratos que fiz com a Barloworld sempre foram anuais, por isso, no fim de 2008 acaba o meu presente contrato. Daí para a frente, tudo dependerá das condições que me forem oferecidas. Com a idade que tenho, 28 anos, começo a pensar também na parte monetária, algo que não sucedia há três anos. É claro que o calendário que me seja proporcionado é importante, mas já há em Portugal equipas com calendários apelativos.
Está, portanto, entreaberta a porta para o regresso do Hugo Sabido ao pelotão português?
A partir deste momento, há sempre essa possibilidade. Optarei pela equipa que me der melhores condições.
Houve algo que o surpreendesse na experiência internacional?
Já esperava um ritmo elevado, um excelente nível competitivo e todas as dificuldades desportivas, porque, desde júnior, integro a selecção nacional. Já fazia competições de grande nível desde as camadas jovens.
Os desenvolvimentos mais recentes em torno de polémicas com a dopagem mudaram alguma coisa no ambiente dentro do pelotão mundial?
A grande mudança dos últimos anos reside nas condições oferecidas aos atletas, porque os salários baixaram substancialmente. Tudo começou quando acabaram com as divisões e criaram o ProTour. Isso deu uma evolução negativa ao ciclismo. Actualmente, a única solução é voltar ao passado. Também em termos de doping, a situação anterior era mais controlada, embora se diga que agora há mais controlos. Os ciclistas antes não tinham necessidade de recorrer a isso, porque eram pagos pelo seu próprio valor. Actualmente é diferente.
Está a dizer que os corredores são pressionados para recorrer ao doping para valorizar os contratos, tendo em conta que os valores praticados baixaram muito?
Sim. É isso que acontece.
Trabalho de José Carlos Gomes, publicado em 7 de Março de 2008
O ciclismo italiano sempre deu ao Mundo grandes ciclistas e boas equipas. A Polti, que esteve no pelotão profissional entre 1994 e 2000, foi um dos casos de sucesso. Durante as sete temporadas em que competiu, este bloco dirigido por Vittorio Algeri, que chegou a ter na equipa técnica o actual director da Barloworld Claudio Corti, alcançou muitos triunfos e contou nas suas fileiras com corredores de grande prestígio, alguns ainda a dar as primeiras pedaladas, é certo. Ivan Gotti deu à equipa o Giro de 1999, o maior feito da curta história deste colectivo. Entre outros, Gotti teve a seu lado no plantel desse ano o francês Richard Virenque, que tentava relançar a carreira após o escândalo Festina do ano anterior. Outros ciclistas que envergaram a camisola da Polti foram o uzbeque Djamolidine Abdoujaparov (1994), David Rebellin (1996), Jorg Jaksche e Axel Merckx (1997). O colectivo que esteve na origem da criação da Polti, em 1994, foi a Gattorade, que brilhou a grande altura, tendo como chefe-de-fila Gianni Bugno.
Imagem: http://www.memoire-du-cyclisme.net/