O ciclista Rafael Reis não conseguiu o estatuto de jovem promessa do desporto português em 2010, que foi alcançado pela canoísta Joana Vasconcelos, 20 anos.
A votação foi decidida pelos convidados para a Gala do Desporto, realizada nesta terça-feira, no Casino Estoril, cujo voto valeu 40 por cento da decisão final, tendo os restantes 60 por cento sido da responsabilidade da votação online.
A Gala do Desporto, organizada pela Confederação do Desporto de Portugal, permitiu também homenagear cem figuras do desporto português. Entre elas, consideradas as cem figuras dos cem anos da República, contaram-se cinco ciclistas: Alfredo Trindade, José Maria Nicolau, Alves Barbosa, Joaquim Agostinho e Sérgio Paulinho.
Cinco corredores estão entre os cem desportistas que a Confederação do Desporto de Portugal vai homenagear no âmbito das comemorações do Centenário da República Portuguesa. Alfredo Trindade, José Maria Nicolau, Alves Barbosa, Joaquim Agostinho e Sérgio Paulinho são os corredores que se encontram entre as cem personalidades consideradas mais importantes do desporto luso no último século.
A homenagem será prestada na 15.ª Gala do Desporto Português, que vai realizar-se no Casino Estoril, no dia 16 de Novembro. Na cerimónia serão conhecidos os desportistas do ano. O ciclismo é candidato ao galardão de Jovem Promessa do ano, através de Rafael Reis. Para votar no jovem corredor basta aceder a http://galacdp.sapo.pt/
O livro “A Magia do Tour – Participação dos corredores portugueses” foi apresentado na sede da Federação Portuguesa de Ciclismo. Segundo o prólogo, a obra de José Castela e Alves Barbosa “pretende dar a conhecer, com algum pormenor, a participação dos vinte e cinco corredores portugueses que tiveram o privilégio de alinhar nas diversas edições da Volta a França em bicicleta, indiscutivelmente um dos maiores acontecimentos desportivos a nível mundial”.
As histórias e resultados desportivos dos 25 ciclistas portugueses que até hoje alinharam na Volta à França, foram reunidas num livro que tem como co-autor Alves Barbosa, o primeiro português a participar na prova rainha da modalidade.
A obra, intitulada “A Magia do Tour” e assinada por José Magalhães Castela, autor de vários títulos relacionados com a história do ciclismo português, é apresentada amanhã, em Montemor-o-Velho.
“Participar no Tour é a coroa de glória de uma carreira”, disse à Alves Barbosa, ao relembrar as suas quatro participações na prova, a primeira “e a melhor” em 1956, quando ficou em 10º lugar.
Na altura o Tour era disputado por equipas nacionais e Alves Barbosa foi convidado a integrar a selecção do Luxemburgo, intitulada Luxemburgo-Mista, por incluir dois estrangeiros na formação de 10 ciclistas.
“Foi emocionante, o hino do Luxemburgo estava a tocar e eu a chorar. Fui o primeiro português a por lá os pés e ainda por cima com um resultado bastante positivo”, recorda.
Hoje, aos 77 anos, Alves Barbosa guarda ainda a bicicleta com que se estreou na Volta à França, prova onde regressou por três vezes, em 1957, 58 e 60.
Da segunda participação lembra uma marcante subida aos Alpes, numa etapa em que decidiu atacar mas acabou surpreendido pela neve: “Eram 40 quilómetros a subir e havia neve com três metros de altura dos dois lados da estrada. Fiquei completamente desorientado, passava a mão pela neve e punha na cabeça para me refrescar”, sustenta.
Nove vezes campeão nacional de ciclismo e três vezes vencedor da Volta a Portugal – em 1951, 56 e 58 – Alves Barbosa detém, ainda hoje, o recorde de 34 vitórias em etapas na prova mais importante do ciclismo nacional.
Um dos destaques do livro vai para Joaquim Agostinho, considerado o maior ciclista português de todos os tempos, que correu na Volta à França por 13 vezes e foi terceiro classificado em 1978 e 79.
A obra inclui ainda contributos de actuais e antigos ciclistas nacionais e internacionais, destacando-se o francês Bernard Hinault, cinco vezes vencedor do Tour ou os portugueses Marco Chagas, Orlando Rodrigues e José Azevedo, entre outros.
Fonte: Lusa
O Sangalhos Desportos Clube é uma das instituições com mais história no ciclismo português. Poucas agremiações poderão gabar-se de ter permanecido na modalidade durante cerca de quatro décadas. Mas foi isso que sucedeu com os sangalhenses.
A entrada do clube no ciclismo deu-se em 1946, no regresso da Volta a Portugal, depois do interregno que aconteceu por alturas da Segunda Guerra Mundial. Em 1949, os azuis do concelho da Anadia, estiveram fora do pelotão, tendo regressado em 1950. Logo no ano seguinte, conseguiram a sua primeira Volta a Portugal, através de Alves Barbosa, que se sagrou o mais novo vencedor da Volta de sempre, chegando ao triunfo com apenas 19 anos e depois de andar de “amarelo” do primeiro ao último dia.
O campeoníssimo, natural da Figueira da Foz e radicado em Montemor-o-Velho, conquistou ainda mais duas voltas para a equipa do Sangalhos, em 1956 e em 1958. Poderia ter somado mais um triunfo, em 1955, não tivesse sido agredido, por adeptos contrários, na última etapa da corrida, na zona dos Carvalhos, quando seguia na frente da classificação geral. O seu principal rival, Ribeiro da Silva, haveria de ser o beneficiado com o incidente.
Alves Barbosa logrou ainda o feito de ser o primeiro português a terminar o “Tour” entre os dez melhores, alcançando o décimo lugar na edição de 1956 da corrida francesa, na qual participou integrando o colectivo do Luxemburgo.
Muitos outros grandes corredores passaram pelo Sangalhos Desportos Clube, destacando-se Joaquim Andrade, que, ao serviço da equipa, foi o vencedor da Volta a Portugal de 1969. Andrade, temível trepador, acabou por conquistar a camisola amarela final depois da desclassificação, por dopagem, de Joaquim Agostinho.
Depois da vitória na Volta de 1969, não mais o Sangalhos levou um dos seus homens ao topo do pódio final na principal competição portuguesa. Ainda assim, manteve-se na modalidade até 1981. Depois de um interregno, voltou ao pelotão em 1986, permanecendo na velocipedia, com o apoio da Recer, até 1989.
Com quatro vitórias na Volta a Portugal, o Sangalhos apenas é suplantado pelos três “grandes” do desporto nacional e é igualado pela União Ciclista da Maia.
Imagem: http://www.memoire-du-cyclisme.net/