
O seleccionador italiano de ciclismo, Franco Ballerini, 45 anos, faleceu esta manhã na sequência de um despiste de automóvel, durante o rali Ronde di Larciano, em que participava como copiloto de Alessandro Ciardi, que está em coma.
Ciardi terá perdido o controlo do Renault Clio Sport à saída de uma curva, entrando em derrapagem depois de pisar erva, e o automóvel embateu no muro de uma casa a uma velocidade estimada entre 100 e 120 km/h.
Nascido em Florença, Ballerini era, desde 2001, selecionador da equipa italiana de estrada para os Campeonatos do Mundo de ciclismo e para os Jogos Olímpicos.
Sob o seu comando, a Itália conquistou quatro títulos mundiais, através de Mario Cipollini (2002), Paolo Bettini (2006 e 2007) e Alessandro Ballan (2008), além de uma medalha de ouro olímpica, por Paolo Bettini em Atenas2004, onde a de prata foi conquistada pelo português Sérgio Paulinho.
“Perdi um grande amigo, um irmão”, disse Paolo Bettini à saída do hospital de Pistoia, para aonde o corpo de Ballerini foi transportado.
O campeão olímpico recordou que Ballerini “arriscou mil vezes a sua vida em prova” ao longo da carreira como ciclista: “Disputava a Paris-Roubaix sem capacete, atirando-se para as descidas das Dolomitas, e nunca teve problemas. O destino levou-o agora que ele saciava a sua paixão pelos automóveis”.
“Foi ele que me fez descobrir os ralis”, acrescentou o ex-ciclista, que também é toscano, e disputou seis ralis em conjunto com Ballerini. “Se havia uma coisa que Franco tinha era [a preocupação com] a segurança. Não deixava nada ao acaso”.
Francesco Moser, outro nome grande da modalidade em Itália, considerou que a morte de Ballerini “é um golpe duro para todo o ciclismo”, pois tratava-se de “um selecionador ganhador, um homem que sabia gerir as corridas”.
“Para mim, ele ainda foi melhor como selecionador [do que como ciclista]. Conseguia obter o melhor de todos os corredores, sabia observar, escolher, preparar as provas e, sobretudo, os Campeonatos do Mundo, que os seus homens venceram por quatro vezes”, acrescentou.
Além de ter ganho duas vezes a Paris-Roubaix, prova na qual também foi segundo em 1993 e terceiro em 1994, Ballerini ganhou igualmente a clássica Paris-Bruxelas em 1990, dois anos antes de terminar a carreira de ciclista profissional.
Fonte: AFP/Lusa
Foto: Eric Houdas

