De mota ou de carro, na berma da estrada ou no risco de chegada, João Fonseca fotografou alguns dos momentos do ano da temporada Elite. Pela sua lente passaram os vencedores nas principais competições internacionais do nosso calendário, a confirmação dos novos valores e o garante das “antigas” referências mas também os episódios negros de auto-mutilação do ciclismo pelos seus responsáveis directos. Não foi uma época feliz, quando a mesma tinha tudo para o ser.
A estreia. Na Holanda Theo Bos é uma estrela da pista que conquistou cinco medalhas de ouro em Mundiais e uma medalha de prata em Atenas 2004. No Algarve, Bos foi o “outsider” que lançado de forma brilhante pelos seus colegas de equipa na Rabobank secundarizou os esforços de Manuel Cardoso na primeira corrida do ano. Bos começou bem uma época que acabou mal. Em Abril foi o infeliz protagonista da queda que vitimou o virtual vencedor da Volta a Turquia, Darly Impey e passou à história como o “vilão” do ano.
A estrela. São os astros cintilantes que dão vida a qualquer desporto. No firmamento velocipédico, Alberto Contador só é superado pelo norte-americano Lance Armstrong. Contador desde cedo sentiu a difícil posição de partilha da liderança com o norte-americano e em Fevereiro marcou uns pontos a seu favor com a vitória na Volta ao Algarve. A pistola disparou cedo numa época brilhante.
Campeão em acção. Sérgio Paulinho teve poucas hipóteses de mostrar a indumentária de campeão nacional de contra-relógio mas no Algarve surgiu equipado a rigor numa rara aparição do português nas estradas nacionais. O português esteve ao seu melhor nível na Volta a França e, no final do ano, foi notícia ao trocar a Astana de Alberto Contador – seu habitual colega de quarto – pela RadioShack de Lance Armstrong.
Força. São as pernas de Contador que rasgam caminho à sua sombra no asfalto algarvio. Não foi Lucky Luke, mas em Tavira restam algumas dúvidas sobre quem terá cortado em primeiro o risco no contra-relógio individual. Foi a primeira vitória do ano para o madrileno que, meses mais tarde, venceria o Tour.
O mais belo. O Templo de Diana é o cenário habitual de encerramento da Volta ao Alentejo e, esta temporada, o sol agraciou os seus vencedores contrariando o dilúvio do ano anterior. Foi uma corrida surpreendente e que se decidiu no sprint da última etapa com o francês Maxime Bouet a roubar por um segundo um triunfo que repousava nos ombros de Hector Guerra.
Meia vitória. A Taça de Portugal foi lançada na época passada e, em 2009, a sua “apresentação” melhorou substancialmente. Mas ainda resta trabalho na consolidação de um troféu que deveria agrupar as “clássicas” portuguesas. Pelo menos, o vencedor foi coincidente com a disputa pois mais “clássico” corredor do que Cândido Barbosa não há.
Memória. Bruno Neves faleceu em Amarante na época anterior e o seu lugar permanece por ocupar nos seguidores da modalidade que lhe recordam, mais dos que as vitórias, a sua simpatia. Edgar Pinto honrou o seu “amigo” na vitória no Memorial Bruno Neves, em Nogueira do Cravo.
À deriva. Primeiro foram as avarias, depois o hotel demasiado longe da partida e até a hora de diferença no cruzamento da fronteira. O Sporting regressou ao ciclismo mas sem frutos e sem glória. Na primeira etapa do Grande Prémio de Paredes, a primeira corrida por etapas que a equipa fazia com o pelotão profissional, os ciclistas não compareceram à partida. A excepção foi Joaquim Gregório que conseguiu alinhar com o equipamento regulamentar. Os restantes ficaram pelo caminho num episódio sem memória em tempos recentes.
Cândido à vitória. Cândido Barbosa é um ciclista ímpar e que tem sabido manter as suas qualidades de vencedor ano após ano. Mas também ele corre por objectivos e o Grande Prémio de Paredes, na sua região de sempre, é uma oportunidade que não convém ser desperdiçada. Suportou com o apoio da equipa os ataques da concorrência e conseguiu a vitória numa das corridas que, por regra, é das mais interessantes do ano.
Protagonista. Se há corredor protagonista no pelotão nacional em 2009, Tiago Machado está seguramente no pódio. As qualidades são inatas tal como o seu temperamento em corrida. De mais jovem chefe-de-fila do pelotão português na última década a campeão nacional de contra-relógio e promessa cobiçada pelas melhores equipas do mundo, o famalicense evoluiu no Boavista, dando o seu cunho pessoal a cada corrida. O exercício é especulativo mas é crível afirmar que, sem Tiago Machado, as corridas arriscavam a um monótono desfile pela estrada, mesmo que a alta velocidade.
O presente. Rui Costa com as mãos apoiadas nas manetes da sua Pinarello e um fio de esforço que propulsiona a sua bicicleta para a frente. Uma posição aerodinâmica em busca daquilo que muitos vaticinavam: o título nacional. Depois de Acácio da Silva, Portugal careceu de um vencedor nato no pelotão internacional, um corredor capaz de surpreender pela positiva e arrancar a ferros uma vitória. Rui Costa esforçou-se mas, em Santa Maria da Feira, o vencedor foi Manuel Cardoso.
O título da polémica. Quem estava em Santa Maria da Feira apercebeu-se de algo errado quando a Liberty Seguros em bloco perseguiu o seu próprio corredor José Mendes nas voltas finais do circuito do Castelo. O campeonato nacional desde há anos é uma corrida de equipa em que o individualismo é secundarizado. Mendes foi parado pelo director-desportivo Américo Silva e acusado de “desobediência” pois a corrida, desde o risco, foi preparada para Manuel Cardoseo. Este não se fez rogado e antecipando qualquer desfecho menos agradável atacou a pouco mais de um quilómetro do risco. Foi uma vitória em força como é apanágio do velocista de Paços de Ferreira.
Alta velocidade. As grades estão lá para delimitar o traçado da “corrida” de automóveis que actual presidente de câmara trouxe para o Porto. Excepcionalmente serviram também para testemunhar a alta velocidade do pelotão no Prémio Cidade do Porto, organizado pelo Boavista Ciclismo Clube. O sinal vermelho foi para ignorar e a prova disso foi a vitória ao sprint de Manuel Cardoso que, por centímetros, bateu Bruno Lima.
Ao assalto. A etapa que marcou a Volta deu-se a caminho da Srª da Graça em contornos facilmente explicados. A Liberty tomou de assalto a corrida na subida ao Alvão e a equipa que melhor podia ter respondido, o Palmeiras Resort-Prio, reagiu tarde. Hugo Sabido comanda o grupo onde são visíveis Bruno Pires, André Cardoso ou Nuno Ribeiro. O vencedor João Cabreira está discreto no grupo na terceira posição.
Calor. A Volta é uma corrida à parte de todas as demais e mobiliza as gentes que, durante a época, não seguem ciclismo. É um bom colorido na berma da estrada e um excelente espectáculo de televisão. Nesta perspectiva a mancha estica-se a alta velocidade mas quem viu as imagens aéreas da Volta estranhou tão curto pelotão.
Dupla contra todos. Rui Costa e Sérgio Paulinho manipularam a seu bel prazer a vitória no Grande Prémio Crédito Agrícola. Ambos alinharam “apenas” para fazer quilómetros e ultimar a condição para os Mundiais de Mendrisio mas souberam construir uma vitória que sorriu a Rui Costa, vencedor inesperado contra os “favoritos” locais. A classe, por vezes, faz a diferença.
Dopagem. A melhor equipa nacional apresentou três casos simultâneos de dopagem, ainda para mais envolvendo o vencedor da Volta a Portugal, Nuno Ribeiro. Depois do “caso” LA-MSS, houve quem não tivesse interpretado a mensagem no pior momento do ciclismo português nos últimos anos. Com três casos positivos dificilmente a equipa e, sobretudo, os seus responsáveis poderia escapar à acusação de dopagem organizada mas alguns dos seus intervenientes apontaram o dedo ao médico da formação. Não se perdeu tudo. O ciclismo foi a bandeira da seguradora e vai continuar a sê-lo em 2010: ao patrocinar a Selecção Nacional e a escola de Ciclismo de São João de Vêr.
Fotos: João Fonseca

Grandes Tugas : ). Força Machado , Paulinho, Rui e Manuel…
Mostrem a raça de um tuga
Excelente ideia esta do ano em imagens e bem executada
so os sub 23 na teem direito a uma “pespetiva” do ano passado
O Nelson Oliveira tambem e` internacional e fez o melhor feito ate` hoje em Mundiais, acho que merecia uma atancao embora seja sub-23!!!