Nuno Ribeiro: “Só obedecia a quem tinha de obedecer”53 Comentários

admin
21 Out 2009 8:48

nunoribeiro

Numa entrevista a OJOGO publicada no mesmo dia em que Nuno Ribeiro tem prevista uma conferência de imprensa, o teor das declarações do vencedor da Volta a Portugal oscila entre a confissão de dopagem e a contrição perante os adeptos, atribuindo um importante grau de responsabilidade ao médico – que nunca identifica. Perante a questão de dopagem organizada, Nuno Ribeiro escusa-se a confirmar qualquer realidade testemunhada na equipa exortando os responsáveis a responder a esta questão: “Não sei. Por mim, não. Quem tinha responsabilidades é que terá de o dizer. Não sabia o que os outros faziam nem, verifico agora, o que se fazia em relação a mim”.

Por se tratar-se de um documento relevante para o esclarecimento de um caso que abalou as estruturas do ciclismo português, o Jornal Ciclismo transcreve com autorização do Jornalista Carlos Flórido algumas das frases mais relevantes do discurso de Nuno Ribeiro.

“Tomam-se injecções sem saber do que se trata. Se estamos dentro de uma equipa temos de confiar nas pessoas que connosco trabalham diariamente. E partir do princípio que o que fazem é para nosso bem. Não me competia questionar ou duvidar, até porque não havia motivos para isso.”

“Tomei aquilo que o responsável médico da equipa me deu. Não sabia o que era.”

“Só aquando da notificação é que soube que substância era. Até esse momento sempre confiei que aquilo que me davam eram recuperantes”

“Fui, em toda a minha carreira desportiva, controlado tantas vezes e nunca acusei nada… Não tinha e não tenho razões para desconfiar.”

“Nunca me tinha questionado sobre o que me era dado. Confiar valeu-me a maior decepção da minha vida.”

“Ganhei porque fui mais forte, competi de igual para igual. O doping não me fez ganhar. Pelo contrário, tirou-me a vitória. Este ano estava bem, apostado em chegar ao primeiro lugar, e se o consegui não foi devido ao doping. Foi por ter hábitos de treino e trabalho muito rigorosos, prescindindo dos pequenos prazeres da vida, levando seriamente o treino e a competição.”

“Tenho uma carreira longa, com muitas vitórias e sem problemas com doping. Não será por um caso que me vão colar essa imagem, até porque tenciono fazer tudo para dignificar o ciclismo e lutar contra o doping.”

“A minha carreira não vai acabar agora. Vou lutar contra o doping, lutar por reabilitar a minha imagem, e quando puder tenciono voltar. Nem que seja aos 34 anos, gostava de fazer mais uma época, para viver a minha modalidade e não acabar desta forma. Porque quem anda aqui é por gosto, não é só pelo dinheiro.”

“Mas sei que tenho de pedir desculpa, não só aos que me apoiavam mas a todos os que gostam de ciclismo, pelos danos que este caso fez à modalidade. Sinto que devo pedir desculpa mesmo tendo sido enganado. Sei que o doping está errado, espero poder provar isso e gostaria que agora me apoiassem nessa luta.”

“[equipa]Se se sentiram atraiçoados foi porque alguém da equipa os atraiçoou. Não fui eu.”

“Cada um tem a sua forma de trabalhar e eu só obedecia a quem tinha de obedecer, em termos desportivos ao treinador. Na parte médica, face ao interesse na minha condição física e à forma como reagia em prova, nada me levava a duvidar. Cada ciclista tinha um plano de preparação diferente, tanto no treino como na medicação/recuperação, atendendo às características físicas ou às provas.”

“O encontro com o médico era individualizado e como tal não sabia em concreto o que se passava com os outros. Só alguns aspectos eram conhecidos, por conversarmos, mas não tudo.”

[Doping organizado] Não sei. Por mim, não. Quem tinha responsabilidades é que terá de o dizer. Não sabia o que os outros faziam nem, verifico agora, o que se fazia em relação a mim.

“Sempre confiei nas pessoas. Nunca poderia ter outra atitude. Foi um erro confiar no que estavam a fazer. Era um ciclista profissional e limitava-me a cumprir o que me pediam. Hoje eram 150 quilómetros, amanhã 200… Vivia para o ciclismo e cumpria tudo à risca.”

“Sempre fui de acatar o que me pediam, fosse nas equipas, fosse na Selecção. Mas numa equipa tem que existir confiança, há responsáveis e cumpre-se o que nos é recomendado.”

“Preso?… É evidente que não. Não tenho antecedentes criminais, logo não estarei em condições de ser privado da liberdade. Não cometi qualquer crime e estarei à disposição da Justiça.”

[Problemas de doping no ciclismo] “É a mentalidade. Temos de a mudar.”

[soluções para o doping] Tenho reflectido sobre isso, e o que garanto é que vou fazer tudo para que haja mudanças. O doping não é positivo. Vou tentar ensinar isso aos jovens, disponibilizando-me para campanhas contra o doping. Quero ir a escolas de ciclismo e explicar o meu caso, sobretudo aos mais jovens, para que eles percebam os cuidados que precisam de ter com a sua saúde. Quero conversar com as pessoas, ver como funcionam as equipas e alertá-las.


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53 Comentários

  1. Luis Silva

    V.S. essa tua postura e deprimente.
    Pela tua lógica , não é digno não compactuar com o SISTEMA.

    Ex-pro, que infelizmente não sei o seu nome. Boa sorte para a sua vida . Nós não somos obrigados a seguir o caminho que os outros escolhem.
    Aqueles que têm carácter, fazem o seu, e não vão em ondas.
    O meu bem haja.

  2. Pedro

    sabem o que é estar a começar uma modalidade como o ciclismo começar a ter certos idolos e de um momento para o outro acontecer cenas como estas… um gaijo como eu que não sou profissional,chegar ao fim de um grande dia de trabalho e ainda ter força e vontade de ir treinar e depois chegar as provas e ver profissionais a correr juntamente conosco e até ficamos contentes por isso nem que seja para dizer “so levei 30 minutos de avanço de fulano que é profissional”….no final vimos a saber que tomam essas merdas…
    bem para mim esse gaijo não vale nada…

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