Texto e Fotos: José Morais
Cicloturismo Audax é o evento de cicloturismo mais antigo do mundo. A história do Audax começa em 1891, quando o jornalista francês e cicloturista fanático Pierre Giffard criou esse tipo de desafio fantástico, o qual consistia em percorrer os 600km que separam a capital, Paris, de Brest, e fazer todo o percurso de volta. Parecia loucura, mas Charles Terront completou o desafio em 71 horas e 22 minutos. No início surge como prova competitiva, em que são aceites cicloturistas entre os participantes.
Em 12 de Junho 1897, um grupo de cicloturistas italianos percorreu 230km entre Roma e Nápoles. Pela audácia da façanha, e considerando-se as condições e equipamentos da época, foram chamados de audazes e denominou-se a mesma como “Audax”. Em 1904 Henri Desgranges, criador do Tour de France, criou o Audax Francês, tal como o Audax Italiano, e delegou ao Audax Club Parisien a realização dos Brevets Audax em França. Assim o Audax Club Parisien passou a organizar o desafio. Em 1951 a prova deixa de ser competitiva. A partir desse ano o Paris-Brest-Paris converte-se definitivamente num evento cicloturista, e realiza-se todos os 5 anos. Ao longo dos anos foi ganhando importância e tradição. O evento chegou a ser realizado todos os 10 anos, mais tarde teve a sua periodicidade diminuída para 4 anos.
A palavra “Audax” vem do latim, audacioso, corajoso. É o nome dado a este evento cicloturistico não competitivo e de longa distância, conhecido internacionalmente também pelo nome de “randonnees”. São eventos cicloturisticos, muito comuns na Europa, na América do Norte e na Austrália. O desafio do Audax não é a competição, mas terminar o “desafio” dentro do tempo limite, pedalando no seu próprio ritmo. A fórmula utilizada nos eventos Audax possibilita a quase todos os utilizadores de bicicleta – os principiantes determinados, os que praticam o uso recreativo e ocasional e os cicloturistas – desfrutar do prazer de participar em eventos que representam um desafio e atingem altos padrões de satisfação pessoal, reconhecidos internacionalmente.
Apesar de serem eventos de massa, os Audax tendem a atrair ciclistas profissionais. O limite máximo de velocidade média, a não publicação de resultados e a proibição do uso de veículos motorizados de apoio, garantem que os Randonnées não se transformem em provas competitivas. Os tempos, limite na velocidade média e mínima é de aproximadamente 15 km/h, para distâncias até 600 km. Neste tipo de evento existem postos de controlo com horário de abertura e fecho pré-determinados.
Foram criadas etapas qualificadoras de menor distância, chamadas de “brevets”, que de forma sucessiva preparam os cicloturistas para o grande desafio do Paris-Brest-Paris. Somente em 1983, quando os clubes organizadores desses brevets fundaram o “Lês Randonneur Mondiaux”, é que esse tipo de prova passou a ganhar mais notoriedade na Europa e nos EUA. Na América do Norte existe um evento semelhante, o Boston-Montreal-Boston (BMB), realizado anualmente em um percurso de 1200 km (ida e volta), entre as cidades de Boston, nos Estados Unidos, e Montreal, no Canadá. Há também os “century” e os “double-century”. São eventos de longa distância organizados pelos clubes de cicloturismo locais ou por particulares, com percursos de 100 milhas (160Km) e 200 milhas (320Km), respectivamente. As regras variam de acordo com cada evento, mas o espírito é semelhante ao do europeu: enfatizar a realização pessoal e o prazer de pedalar em grupo, em detrimento da competição. Praticamente todos os anos há brevet de 1.200 km em algumas partes do mundo, sempre organizado pelo ACP (Audax Club Parisien). No entanto, a cada quatro anos, é realizado um evento Audax em França, o PBP (Paris-Brest-Paris), o mais famoso dos brevets. Com 1.225 km de extensão, este desafio é a “Volta á França” dos cicloturistas de longa distância e chega a reunir mais de 4 mil participantes.
Portugal, apesar de ter um número imenso de cicloturistas, não possuía história de Audax até esta data, a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) formou recentemente uma comissão técnica, já elaborou os regulamentos, e tem o ano de 2011 como ano oficial do arranque do “Audax” no nosso país.
O ano de 2010 será o inicio dos ajustes e correcções com alguns eventos a servirem de teste, e o primeiro realizou-se este domingo dia 21 de Março, com a ligação entre Loures e Évora, a organização esteve a cabo da FPCUB, contou com o apoio da Equipa Pinabike de Loures, e o Grupo Desportivo da Carris.
Estivemos na partida deste primeiro desafio “Audax”, Leonel Mendonça, responsável da FPCUB falava à nossa reportagem, e respondia às nossas perguntas, a primeira foi de qual a sensação do primeiro “Audax” Português? Ao qual Leonel Mendonça respondia: “A sensação é que ultrapassamos as expectativas, estávamos a contar com 30 a 40 participantes, e estão 101, não sugiram mais porque as más condições climatéricas não tem sido as melhores, e não houve tempo para preparação, a divulgação também atrasou já que teve de se criar os regulamentos e aprová-los, e esta concentração foi feita em pouco mais de 15 dias”. Continuamos, e perguntamos, este é o primeiro de muitos? É Leonel Mendonça dizia, “ Será o primeiro, do futuro cicloturismo em Portugal”. E qual a sensação de ser o pioneiro do “Audax” em Portugal? ,” A sensação é tentar mudar, eu por exemplo sinto-me um pouco descontente com o actual cicloturismo, e isto é uma forma de mudança, para não serem apenas os tradicionais passeios domingueiros, isto tem uma componente de satisfação pessoal, um desafio individual”. A última pergunta, foi a da mensagem final a todos? O qual Leonel Mendonça dizia, “ A mensagem final será na perspectiva de que as pessoas adiram a este tipo de cicloturismo, este seja o primeira de uma nova era da modalidade em Portugal, e que este passeio decorra bem, com todos a chegar a Évora sem problemas”.
E foi de facto o que aconteceu este domingo 21 de Março, o primeiro “Audax” português foi para a estrada, a partida foi dada rigorosamente às 8 horas da manhã, a autonomia era individual, onde as ajudas poderiam ser dos colegas de pedaladas, já que este tipo de eventos não é permitida o acompanhamento de viaturas, elas de facto existem, mas apenas é permitido a sua participação na frente, ou na retaguarda com distâncias consideráveis dos participantes, os primeiros a chegar a Évora passavam poucos minutos das 12 horas quando o fizeram, num trajecto propicio a pedalar, as pedaladas foram sem duvida muito boas, com a ausência de qualquer ocorrência da parte dos participantes, depois de terem percorrido cerca de 135 quilómetros, com a saída de Loures, passagem por Tojal, Vialonga, Alverca, Nacional 10, Vila Franca de Xira, Recta do Cabo, Porto Alto, Pegões, Vendas Novas, e Évora, o final do primeiro “Audax” português, que de certo irá ficar para a história, e na memória de muitos durante muito tempo.
Artigos relacionados
Deve estar ai algo errado…
Os homens não demoram quase 12h para fazer 135 km.
Boas iniciativas espero que existam mais … devia existir iniciativas destas pelo menos 1x por mês ou até 2x por mês.
eu fui lá e cheguei no grupo da frente demoramos 3h49m +-
Pena foi que grande numero de ciclistas, ignorando os regulamentos, fizessem o percurso, ou agarrados aos carros, ou seguindo abrigados do vento, na esteira das viaturas. Não teria importancia se depois, não viessem fazer guerra a quem, com disciplina cumpriu o estabelecido
Excelente artigo! Mostra a pujança e vitalidade do ciclismo popular. Claro que os homens podem fazer 135 km em 12 horas, depende de vários factores: idade, condição física, acompanhamento de outros cicloturistas mais jovens ou de senhoras, etc. e não esquecer que o principal objectivo é desfrutar o evento, paisagem, camaradagem, pelo que 12 horas até pode ser ‘rápido’.
pois mas eu não fiz… tive sempre na frente do grupo afim de evitar quedas e problemas do genero
O que eu não percebo é porque é que num evento de cicloturismo se fazem médias 40+ km/h; só para termo de comparação, a volta a albufeira em elites/sub23 teve uma média de 37.5 km/h! Ainda por cima agarrados (alguns, pelo menos, segundo o testemunho de Guta Santos) às viaturas, o que não é permitido! Ora se até numa ‘proca’ de cicloturismo não se cumprem as regras, o que dizer do que volta-e-meia assistimos nas provas profissionais e amadoras de competição – só falta, qualquer dia, haver doping no cicloturismo! Para evitar quedas… pois, pois, como se no grupo da frente não houvessem quedas, e para além disso, quedas a 15km/h e a 40 km/h não é bem a mesma coisa, e a probabilidade de haver quedas com 101 elementos em pequenos sub-grupos tão espaçados não é muito elevada. Mas se calhar alguns vêm para estes eventos libertar frustações do que não conseguem, ou não conseguiram, no ciclismo de competição.
Também participei neste primeiro desafio AUDAX, e realmente se o lema é desfrutar da bicicleta, da paisagem, e dos amigos, (fazer 200 km entre o nascer e o pôr do sol ), não entendo como vêm participantes fazer esta distância – 135 km, em menos de 4 horas!!! Será este o novo andamento para o cicloturismo Nacional? Se os mentores lhe chamam “cicloturismo AUDAX ” ( evento não competitivo e de longa distância ) , e não ” ciclismo AUDAX” como podem fazer-se médias tão incrivelmente altas ? Será que querem matar o evento à nascença? É a minha opinião.
Já para não falar das dificuldades que isto coloca à organização que vê o grupo dividido e muito distante, pelo que não é possível prestar apoio a todos e os que ficam pelo meio acabam por ficar desprotegidos, a não ser que se ande para a frente e para trás kms a queimar gasolina ou que se leve apoio próprio (o que não é permitido, mas das as circunstâncias aceita-se, mas o que seria se cada um dos 101 participantes resolvesse levar carro de apoio…), tudo graças à ‘adrenalina’ dos Shumachers das bicicletas.
no proximo ano ponho um andamento ainda mais forte.
sra cris ando de bike a +- uns 4 anos, tenho 34.
ando no escalão master.
e não tenho nenhuma frustação ja a sra.?
sr. moreira quando fui convidado a participar me disseram que o objetivo era melhorar o tempo do ano passado.
ou e ou o sr. um foi lá engando.
mas concordo que no cicloturismo não se deva andar a essas medias.
mas como volto a referir me disseram que era andamento livre e tentar baixar das 3h55m
Caro Sr. Daniel, eu não estou contra aqueles participantes que fizeram médias bastante altas……se estão bem preparados, acho que não há nada de mal nisso, o que eu digo, é que para o cicloturismo, onde a maioria dos participantes ( como o Sr. sabe) é composto por praticantes menos jovens, mas que têm uma grande vontade de desfrutar do prazer de pedalar percorrendo por vezes grandes distancias, estas médias que foram atingidas, penso não estarem em sintonia com o espírito cicloturístico que essas pessoas incorporam. Como o Sr. diz que foi convidado para baixar o tempo feito no ano anterior, isso é competição, e penso não estar dentro do desafio Audax; naturalmente que os organizadores quizeram aproveitar este vosso evento anual, tirando conclusões e experiências, para assim prepararem futuros desafios AUDAX. Assim é que se melhora o que certamente estará menos bem. Cumprimentos
Sr. Daniel, vejo pela sua resposta que enfiou a carapuça da frustação, pelos vistos sempre tive alguma razão… Não me interessa muito o andamento que pretende seguir na próxima edição, veja lá é se não se cansa muito para as provas de Masters – aí sim, pode, e deve, andar na ‘esgalha’, agora vir aqui vangloriar-se que fez 3.49h num evento de cicloturismo e afirmar que era para evitar as quedas, para depois a seguir fazer ‘marcha-a-trás’ afirmando que lhe pediram para baixar das 3.55h (novidade: agora também há ‘lebres’ no cicloturismo!) e fazer melhor que o ano passado, quando esta é a 1ª edição do evento, enfim… vai aí alguma confusão.
concordo com o sr. plenamente.
e ja agora foi um prazer a sua poder pedalar com voçe e de todos os outros companheiros.
Li com atenção este artigo e fiquei baralhado.
O que é que eventos Audax tem a ver com Brevets? Nada. São formulas totalmente distintas, Aqui falam delas como se fossem a mesma coisa e que se podem misturar. o que não é de todo verdade.
São permitidas viaturas “….na frente, ou na retaguarda com distâncias consideráveis dos participantes…”. O autor deste artigo desculpe mas não são permitidas em situação nenhuma.
“…Praticamente todos os anos há brevet de 1.200 km em algumas partes do mundo, sempre organizado pelo ACP…” O autor deste artigo desculpe mas em parte nenhuma existem brevets de 1200 kms. essa distância não existe enquanto brevet.
“…As regras variam de acordo com cada evento…”. Outra vez errado os BRM tem tem sempre as mesmas regras.
A conclusão que tiro é que, por vezes, o que se copia das wikipedias não é suficientemente sólido para se escrever acerca destas coisas… acredito que tenha sido por uma boa causa mas tem alguns erros grosseiros..
Existem provas dessas de 1200KM, e tem um tempo para ser realizado de 3 dias…..o randonner (acho que se chama assim)……contudo so participa quem ja tem o pre-requisito de ter terminada 3 provas, uma de 200, outra de 300 e outra de 600…. o problema desta prova foi o mesmo que vai acontecer nas outtras, que sao incluidas nas chamadas classicas de cicloturismo… sao provas que que começaram como amigos que realmente faziam cicloturismo, que depois amigo chama amigo, e agora parecem aos 50 e 100….. ha tambem a classica de santarem, a de fatima, a troia-sagres, enfim…..e a fpcub usa essas classicas mais conhecidas para mostrar o audax…. e ate mesmo partilhar custos e tempo de organização, que neste caso foi com a pinabike… e esse grande pormenor é que esta a gerar confusao, pois a classica da pinabike era de amigos para amigos que queriam partilhar o desporto e ate mesmo bater tempos para realização pessoal, acredito que muitos que la estavam ainda pensavam que aquilo era simplesmente a classica da pinabike…. agora a minha pergunta é mesmo essa…era a classica pinabike ou o audax
É importante que não nos façam passar, a nós sócios da FPCUB, de burros. Todos os sócios que tenham participado nos audaces sabem que a FPCUB foi copiar o que se faz lá fora, com outro nome…. Aliás os audaces da FPCUB nada têm a ver com o Audax que são provas de pelotão com andamento controlado. Os audaces copiam sim os brevets randonneurs moudiaux. Eu enquanto participante estou-me nas tintas para estes preciosismos mas acho lamentável ou pelo menos discutivel que uma Federação que representa o desporto em portugal copie eventos em vez de organizar o original…. enfim passaremos mais uma vez por palermas… e viva a Troika!
O que eu gosto mesmo é de uma Federação a COPIAR eventos com história isso é que é uma ganda Troika!
Ganda Caetano é assim mesmo és o nosso João Jardim.