opinião

Volta ao Algarve: desorganização organizada

23 Fev 2011 3:03pm

Texto de opinião de José Santos*

INTRODUÇÃO

Para muitos a Volta ao Algarve é a melhor competição nacional. Na verdade, a “ algarvia” faz-nos sentir noutro mundo, tal o número de equipas e o valor dos seus ciclistas. Neste aspecto estamos todos de acordo. Mas daí a ser a melhor competição nacional tem que se lhe diga. O inverso também pode ser verdade.
Ter uma boa estrutura organizativa e um leque menos distinto de participantes, também pode ser penalizante, mas… perdõem-nos o incomparável: entre a Volta a Portugal e a Volta ao Algarve ainda há um fosso distante.
O que mais admiro, porém, é como duas distintas figuras conseguem pôr de pé uma prova desta envergadura, sem os grandes apoios de outras entidades, é digno da nossa admiração e apreço.
O Rogério Teixeira e o Bernardino Caliço merecem-nos uma palavra de alento e de gratidão.
Como alguém disse : “ A Volta ao Algarve é uma desorganização organizada .”
Pensamos que produzida com esforço, com carolice, sem grandes vaidades e sobretudo sem grandes apoios que, pelos vistos por estas paragens estão destinados apenas às elites do ténis, hipismo e golfe.

O PERCURSO
Dura, selectiva esta edição da Volta ao Algarve foi uma contínua repetição do mesmo tipo de percurso e dificuldades. Um constante sobe e desce repetitivo, sem grande imaginação, com algumas incursões bastante sinuosas que, para além de apertadas apresentavam perigos em todos os cantos e esquinas.
Foi, pois, um itinerário a gosto dos especialistas de clássicas, útil para tempos futuros, mas que se tornou indigesta para os participantes portugueses, onde foi nítida a falta de argumentos, o que não seria caso para menos, para todos, com excepção de Tiago Machado.
Tenhamos a noção da realidade, o orçamento de uma equipa portuguesa representa praticamente o custo médio de um ciclista mediano de uma equipa ProTour, e o orçamento de todas juntas semelhante ao que melhor ganha um cabeça de cartaz de uma equipa de 1ª divisão.

ONDA-BOAVISTA
Confesso que esperava um pouco de mais atrevimento por parte dos ciclistas da ONDA – BOAVISTA, mas bem vistas as coisas não era tarefa fácil. A atuação foi discreta, mas de alguma forma consistente.
O Alexandre Marques foi o melhor classificado das equipas lusas, assumiu a chefia da equipa, conseguindo uma boa posição na chegada ao Alto do Malhão, ele que não é um especialista a trepar, fazendo um contrarrelógio de grande recorte técnico, mas ainda um pouco distante do seu real valor.
O Ricardo Vilela esteve presente em quase toda a corrida no pelotão da frente, muito regular, o mesmo se passando com o Alberto Morras, que fez grande evolução nos percursos montanhosos.
Quanto aos restantes, estamos ainda no início de temporada e, tal como a grande maioria dos ciclistas de outras equipas, cumprem um programa de preparação que não aponta para o início de época, face á ausência de competições e programa competitivo quer nacional, quer internacional.

AS COMUNICAÇÕES
Fazer uma corrida sem rádio de comunicação entre director desportivo e ciclistas é inovação , mas sem que o director consiga ter permissão para falar com os seus ciclistas no seio do pelotão, já é falta de respeito pela função.
Pergunto-me a mim próprio, como é que estes directores aceitam de ânimo leve esta decisão de um organismo internacional, caduco e sem inspiração para conduzir a modalidade a um lugar de destaque desportivo internacional.
Como é possível um patrocinador investir milhões de euros, deixando ao acaso da sorte a decisão de uma corrida.
Dizem eles, os da UCI, que é para privilegiar o espetáculo, mas foi para privilegiar o espectáculo que o ciclismo está como está. É que no espectáculo vale tudo e no desporto há regras.
Será bom perguntar nesta altura, se o ciclismo é meramente um espectáculo, ou é um desporto.
Mutas das informações que os directores desportivos receberam ao longo da corrida era para alertas de estrada perigosa, carros mal estacionados, curvas apertadas e pontes sem protecção.
Mas como é que os directores poderiam transmitir estas informações aos seus ciclistas ?
Não tenho duvidas que muitas das quedas registadas, poderiam ter sido evitadas, se os ciclistas tivessem sido avisados via rádio.
Será que as quedas também fazem parte do espectáculo ?

OS APOIOS
Poucas foram as autarquias que aderiram, com partidas e chegadas : Loulé, Albufeira, Lagoa, Portimão, Tavira e Lagos.
A Junta de Turismo do Algarve simplesmente alheou-se de um apoio visível, e não fosse o Crédito Agrícola e mais uma série de pequenos apoios, a prova não sairia do papel.
Muitas promessas de transmissão, mas de notícias televisivas nem vê-las. Para uma prova desta envergadura, de que seve ter um resumo televisivo, misturada com uma prova ou duas de BTT, passados oito dias?

* Director desportivo da ONDA-Boavista

Quando dois mais dois não são quatro

Quando dois mais dois não são quatro

21 Fev 2011 10:38pm

Um espectáculo desportivo com alguns dos melhores praticantes do mundo pode não atrair muito público. Mas por vezes a qualidade dos intervenientes e o interesse dos espectadores andam de mãos dadas. Foi o que sucedeu mais uma vez – sublinhe-se o “mais uma vez”, porque tem sido regra e não excepção – com a recente Volta ao Algarve. O luxuoso pelotão chamou às estradas algarvias milhares de pessoas, com especial incidência nas chegadas a Albufeira, Tavira e Portimão.

Se prevalecesse a lógica, um acontecimento como a Volta ao Algarve, que tem qualidade e que tem público, teria suscitaria o interesse de mais do que um canal de televisão. Só que temos visto o contrário. Um dos principais eventos desportivos do país fica quase na clandestinidade televisiva. Ano após ano vemos, ouvimos e lemos o director da corrida, Rogério Teixeira, lamentar a falta de apoios para juntar os 250 mil euros necessários para um directo televisivo das cinco etapas. Compreende-se e aplaude-se o voluntarismo do presidente da Associação de Ciclismo do Algarve. Mas este comportamento desesperado só surge porque há algo que não faz sentido no negócio das transmissões.

Se alguém tem a ganhar com a transmissão de um espectáculo de qualidade com público garantido é o canal que garantir os direitos. Que sentido faz ser o organizador da corrida a angariar o dinheiro necessário para a produção televisiva? Em qualquer área, as cadeias de televisão compram direitos de transmissão e depois tratam de financiar a compra e garantir a margem de lucro. Por que raio no ciclismo há-de ser diferente? Por que carga de água a organização da corrida deve oferecer os direitos e ainda pagar os custos da produção?

É bem verdade que o Turismo de Portugal só teria a ganhar com a difusão internacional da Volta ao Algarve e que, por isso, está a falhar. Mas também estão em falta os operadores de televisão, que fecham os olhos ao potencial desta corrida enquanto espectáculo televisivo. E a principal falha é destes.

Enquanto não mudarem mentalidades, dois e dois parece que nunca mais somam quatro. E uma corrida que poderia ser de massas, acaba por ser seguida apenas pelos adeptos mais indefectíveis da modalidade, aqueles que têm paciência para esperar pelo resumo que há-de dar um dia destes na RTP2, os que descobriram os compactos da Digital Mais TV e os que foram seguindo as incidências da prova pelo Jornal Ciclismo.

Orgulhamo-nos de ter muitos leitores ao longo do ano e de batermos recordes a cada Volta ao Algarve que passa. Neste ano, o Jornal Ciclismo recebeu 57.264 visitas e somou 157.108 páginas vistas ao longo dos cinco dias da corrida. Mas preferíamos que parte desta audiência só nos visitasse para complementar a informação recebida em directo via TV. Só que, enquanto dois e dois não somarem quatro, isso não vai suceder.

Crónica da chegada da Onda à Argentina

Crónica da chegada da Onda à Argentina

16 Jan 2011 12:19am

Texto: José Santos

Chegar a S.Luis não foi fácil, entre viagens de avião e de autocarro foram quase 30 horas, contando com os habituais transbordos.

Dir-se-á que as coisas não estarão mal organizadas. Dois camiões esperaram as equipas em Buenos Aires, de forma a transportarem as bicicletas para S.Luis ( 870 km),As bicicletas só chegaram no dia seguinte pela manhã, enquanto nós embarcamos de Buenos Aires para Mendoza, onde nos esperavam mais quatro horas de autocarro para o local de destino. O que nos valeu a todos é que por estes sítios , pelos vistos não há muitas curvas. São imensas rectas
a perder de vista, o que facilitou esta ultima etapa.

Que dizer desta primeira impressão? Não me parece existir muita “aficion” pela modalidade por estas bandas. Aqui mais ao lado, em S.Juan, onde se está a disputar a Vuelta local, também com a duração de uma semana, aí, sim, o ciclismo parece ser uma das modalidades preferidas.

Por aqui, a Vuelta existe talvez por força de um Governador que é o presidente de um dos melhores Estados da Argentina em termos de desenvolvimento, que apostou no ciclismo como cartaz de divulgação turística e de promoção da região. Seja como for, é com grande satisfação que cá estamos a correr, alinhando ao lado dos melhores da América do Sul e alguns dos melhores da Europa.

Esta participação também foi importante, alargando consideravelmente o campo de internacionalização, da equipa enquanto conceito Boavista, aqui na América do Sul já estivemos no México, no Brasil e agora a Argentina. O nosso pensamento parte, para 2012 (se cá estivermos como equipa é claro ) pela “ conquista “ da Ásia, talvez Malásia ou Japão.

Estreamos o novo equipamento, reservamos para a ultima hora a visualização e , modéstia á parte, gostamos. Voltamos ao branco e preto com um “ design” que gostamos, embora ainda um pouco conservador, esperamos revolucionar um pouco com a decoração das viaturas.

Já com as bicicletas montadas os ciclistas partiram para um treino de três horas. As pernas estavam já muito “pesadas” e o stress acumulado de quase três dias sem treinar, já se fazia notar. Apesar de termos entrado na verão por estas bandas, 33 grausº de temperatura, estava muito vento, que esperemos venha a diminuir ns próximos dias, senão as dificuldades aumentarão com certeza.

Dentro dos possíveis iremos tentar transmitir um pouco aos leitores do Jornal Ciclismo, a descoberta de um novo ciclismo. Aquele que a UCI tanto quer atrair, através de uma mundialização que tarda em conseguir.

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121: algorítmo de sCancellara

121: algorítmo de sCancellara

25 Dez 2010 12:20pm

Texto e Fotos: Henrique Gomes

Mais do que  um jogo de palavras, mais do que uma aritmética de letras, a verdade é que esta época de ciclismo fica representada  pela eleição do ciclista colocado na posição 121, da classificação  do Tour de France, como o melhor  ciclista do ano. Prémio  Vélo d’Ór,  da famosa revista de ciclismo Vélo Magazine. Os nossos Messi fazem muitas fintas, mas apenas à lei. Cancellara passou no detector, no scan  mecânico e no scan farmacêutico. Scan foi a palavra mágica para Cancellara. Positivo nas duas análises. Ou melhor, negativo.

Todo um conjunto de operações de somas, de conjugações, divisões, resultou no número 121, que traduz a posição  de Cancellara no Tour 2010. Algo me diz que o resultado do algoritmo, depois de passar no scan, tem muito a haver com o ritmo de pedalada de Cancellara. Claro, falta o scan tecnológico. Mas aí a UCI resolveu  a questão, desligando os auriculares. A conclusão é simples: Tudo de errado que entrava no corpo dos ciclistas, passava pelas orelhas. Logicamente. As bicicletas da  Saxo Bank estariam com problemas?

Passou-se de meses de suspeição, a fim de Agosto de certezas. Que desgosto! Este foi o ano de Contador. Mas Contador não foi  o ciclista do ano. Tudo contado, somado, scaneado, deu que Cancellara fosse eleito o ciclista do ano. Scan, e encontramos Cancellara no fundo da classificação da maior prova de etapas do mundo. KO. Scan, again,  e encontramos vários títulos de Cancellara: Mundiais, olímpicos, clássicas, etc. OK. Como vamos classificar os 120 ciclistas que ficaram à frente de Cancellara, no Tour? Este prémio não traduz mais do que a dificuldade em encontrar, na nossa modalidade, valores credíveis e perduráveis.  Temos poucos exemplos para dar aos outros. O que é lamentável.

121? Exactamente 121. Capicua e tudo. É verdade, o melhor ciclista do ano  2010,terminou a maior prova de ciclismo do mundo, O TOUR  DE  FRANCE , na posição 121, a três horas e tal  do primeiro. Scan, again. Dificuldades em encontrar quem foi o primeiro nessa corrida. KO. Mas sei que o melhor do mundo terminou essa competição em centésimo vigésimo primeiro. Será que temos de começar a ver as ver as classificações de baixo para cima, do último para o primeiro? Será que os melhores ciclistas, são os que ficam mais perto do último lugar? Inaugurámos uma nova escala referencial? Dramático, quando temos de escolher o melhor do ano, e não sabemos como fazê-lo. Mais grave, parece que escolhemos, entre as anomalias mecânicas e as anomalias farmacêuticas. Afinal premiámos o quê? Talvez o ciclismo e os ciclistas das provas de um dia, ou de uma semana. Não premiámos os melhores ciclistas nas maiores provas mundiais. Este Velo D’ Or,  como seria traduzido numa escala Ballon D’Or?

Não percamos tempo, a globalização do ciclismo, faz com que não haja espaço para balanços ou resumos anuais. A época de 2011 já vai lançada. Teremos, em breve, competições muito importantes em vários continentes. A Europa terá direito às suas corridas mais tarde.

A Europa, cuja capital do ciclismo passará para o Luxemburgo. Esta globalização faz com que haja a necessidade de uma comunicação mais universal, uma linguagem muito específica do ciclismo. Vejam algumas dessas palavras, algumas delas muito usadas em Portugal. Será fácil dar exemplos: Sprint, Liberty, Photo-Finish, Contador, Doping, Bidon, Adams,  poderemos juntar agora também a palavra Scan. Pegando em algumas destas palavras, elas têm um significado muito particular no ciclismo, não coincidindo com definições de outros desportos ou actividades.

Adams: Não tem nada a ver com chicletes, mas sim com o método de localização  permanente dos ciclistas.

Liberty: pode ser traduzido por  — Vendedor de ilusões.

Photo-finish — Aparelho que regista a ordem de  passagem na meta, mesmo que essa ordem de passagem não coincida com a classificação. Ou seja, o vencedor no ciclismo só pode ser declarado passados alguns meses, e não naquele momento.

Scan—instrumento que busca e encontra  os únicos defeitos possíveis no ciclismo: As anomalias mecânicas.

Contador: noutros desportos serve para a medição de algo, contar. No ciclismo  é para referenciar alguém que tem problemas com a qualidade da carne que ingere.

Claro tenho medo que a palavra Scan seja a mais usada, e aportuguesada para  Scanagens. Ou derivados. Esta época seria marcada pelas anomalias mecânicas em termos de ciclismo de estrada. Tivemos o caso Cancellara e da sua famosa bicicleta, e depois o saltar de corrente de Schleck. Mais, mas do que o saltar de corrente, tivemos o descarrilamento, por erro humano, de Contador. Pecado da carne. Aliás, na nossa modalidade o factor humano é sempre mais importante do que o factor mecânico. Com  a longa história de belas perfomances humanas relatadas no ciclismo, o factor mecânico nunca poderia ser o  mais importante, o mais realçado no ano de 2010. Até Agosto tínhamos, nós tínhamos um grande problema, um enorme caos na modalidade:  O factor humano, o ciclista, tinha sido suplantado pela  mecânica. Mas o contador de erros humanos, acabou por ser incrementado pelo caso Contador. Pecado da carne. Depois de Vuelta ao  tema, tivemos  La Vuelta. Animada até ao fim por duelos encarniçados até ao final, classificações em suspense , até ao último dia. Muito parecido com o Tour. Classificações  scaneadas, suspensas. Bem vistas as coisas, se temos imensos casos de ciclistas que não se importam de pôr em risco a sua integridade física, usando e abusando de químicos suspeitos, o que poderemos nós dizer, de umas pequenas aldrabices mecânicas? Pelo menos, estas últimas não punham em perigo a saúde dos praticantes de ciclismo.

Como nós evoluímos! Scan again. Deveriamos também ter um scan pelo qual os ciclistas passariam antes de entrarem em competição. Logo á saída do hotel ou das auto-caravanas. Scan. No final das etapas, bicicletas e ciclistas, scan. Again. Estamos quase ao nível da luta antiterrorismo. Parece que estamos num aeroporto, onde malas e pessoas são scaneados. Aliás,  o aeroporto é a consequência  mais natural de quem se destaca no ciclismo nacional. Estamos de malas aviadas. Espero que corra tudo bem no scan do aeroporto!

Vai o melhor embora. Os nossos e os quase nossos.

Portugal não renova o seu pelotão. Há apenas movimento na zona de  partidas do aeroporto. Quantas corridas vamos ter? Quem vai mandar no pelotão nacional? Quem tomará conta da Lagos Sport?

Pelo menos ficou cá o campeão de popularidade, o eterno segundo, mesmo com  a amarela, o dorsal mostra o algarismo fatídico. Quem será o patrão do pelotão nacional no próximo ano?

Scan e chegamos à conclusão

Duplas Saudações a Todos: Velocipédicas  e natalícias.

Correio da Manhã: “Doping no ciclismo”, a opinião de Carlos Anjos

10 Jul 2010 2:48pm

Carlos Anjos, conselheiro e antigo presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC/PJ) comentou ontem o desfecho do julgamento de Manuel Zeferino e Marcos Maynar na coluna de opinião que, semanalmente, assina na edição impressa do Correio da Manhã.

Doping no ciclismo

O processo ‘Doping no ciclismo’ terminou com a absolvição dos arguidos. Como explicar que depois de se ter apreendido um grande número de produtos dopantes, de se ter apreendido material tecnológico para esse fim, de os ciclistas terem esses produtos em suas casas, de ao médico se ter apreendido documentos com o plano de tomas desses produtos por parte dos ciclistas e de nesse plano haver a indicação de que os atletas em determinados momentos tinham de se ausentar de casa para não serem alvo de controlos anti-doping de surpresa?

Tudo isto valeu zero. Por vezes fica-nos a sensação que estamos todos à espera que os arguidos confessem os seus eventuais crimes que tenham cometido. Ficámos pois a saber que aquele grupo de ciclistas resolveu de forma individual ou em conjunto recorrer à auto-medicamentação, e que ninguém naquela equipa achou estranho os resultados que passaram a obter. Arrisco-me a afirmar que esta decisão foi um péssimo sinal dado ao desporto em Portugal. Foi um sinal de que tudo vale a pena, um sinal claro de que a batota pode compensar. Ao contrário do que vemos todos os dias acontecer noutros países europeus, onde a justiça é implacável com estas práticas, países onde foram feitas as análises aos produtos apreendidos, em Portugal, parece que nada queremos fazer. É pena.

Fonte: Correio da Manhã (http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/doping-no-ciclismo)

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