opinião

Tiago Machado: vou tentar fazer uma boa Vuelta

Tiago Machado: vou tentar fazer uma boa Vuelta

07 Jun 2011 10:46pm

APRESENTAÇÃO:

Tiago Machado nasceu em Vila Nova de Famalicão em 18 de Outubro de 1985, tendo iniciado a sua carreira na Escola de Ciclismo Carlos Carvalho, passou pelo CC. de Barcelos, Escola de Ciclismo Fernando Carvalho, passando a profissional em 2006, então na equipa Carvalhelhos-Boavista, onde se manteve até final de 2009.

Tem 178,5 de altura e 64 quilos de peso.

Foi campeão nacional de c/relógio sub-23 em 2006 e em 2009 no escalão elite.

Vencedor do Prémio da Juventude na Volta a Portugal (2007 – 2008 e 2009).

Em 2008 venceu o Prémio Joaquim Agostinho.

Melhor classificação na Volta a Portugal 5º em 2009., ano em que ficou em segundo lugar na Vuelta a Astúrias.

Em 2010 entre na alta roda do ciclismo mundial com uma série de lugares entre os dez primeiros da geral individual, não participando na Volta a Espanha, para onde estava escalado, devido ao facto da sua equipa não ter sido aceite pela organização.

2010
2ª no, Circuit de la Sarthe
3º na Volta ao Algarve (vencedor do Prémio da Juventude).
3º no Critérium International (vencedor do Prémio da Juventude)
4º da Volta à Austria
6º da Volta à Romandia
7º da Volta a Castilla Leon
10º da Volta à Polónia

2011
2º do Giro del Trentino
5º do, Critérium International
6º, Volta ao Algarve.
7º Tirreno–Adriatico
20º Giro de Itália

TIAGO MACHADO: VOU TENTAR FAZER UMA BOA VUELTA

Tiago Machado é uma das referências do ciclismo nacional, personalizando uma geração de ciclistas, que tem obtido importantes êxitos internacionais, sendo uma das esperanças para uma renovação que tarda em surgir.

Pela primeira vez, teve a oportunidade de correr uma grande volta e, simultaneamente assumir a chefia de uma das mais renomadas formações mundiais. A Rádio Shack confiou-lhe a missão mas, se para muitos não terá corrido da melhor maneira, para outros a sua participação terá sido positiva.

Jornal Ciclismo decidiu escutar Tiago Machado e não é difícil entender, estarmos em presença de um atleta mais personalizado, mais racional, deixando um pouco para trás a sua veia temperamental, que tanto o caracterizou.

E começamos a entrevista pelo Giro:
Entrei bem no Giro. As sensações no prólogo foram boas, mas logo a seguir tive alguns dias menos bons e a cabeça deixou de funcionar. Não serve de desculpa, mas tive algumas quedas sem consequências, passei uns dias menos bons de saúde e desanimei um pouco. Valeu-me, na altura, o apoio dos meus directores, que me apoiaram e incentivaram. Quando perdi aquele tempo todo na etapa do Etna, não estava bem de saúde e alimentei-me mal durante a etapa, fiquei muito em baixo psicologicamente. No dia de descanso o Bruynel notou a minha frustração e incentivou-me, afirmando confiar nas minhas capacidades e isso motivou-me muito

Não terás entrado no Giro um pouco justo em termos de peso ideal?
O peso era o mesmo quando corria em Portugal, era o adequado e não entrei com as reservas em baixo. O que acontece agora é que tenho uma maior definição muscular, o que leva as pessoas a pensarem que estava mais magro.

Dificuldades para o final do Giro?
Perdi apenas um quilo no final em relação ao peso da primeira etapa. Conseguia alimentar-me bem, e o facto é que na última semana me senti muito bem, como o comprova o 9º lugar no c/ relógio de Milão. “

São grandes as diferenças do Giro para a Volta a Portugal?
O que mais me impressionou para além do gigantismo da organização era o público. Sensibilizava-me o facto de chamarem pelo meu nome durante as etapas e nas partidas me pedirem para tirar fotos com as pessoas. Os nossos emigrantes, então, são incríveis, ficam orgulhosos do nosso desempenho. A Volta a Portugal é uma prova bem organizada no seu escalão não se encontra melhor cá por fora, mas para o Giro as diferenças são grandes. Nas partidas e chegadas os autocarros das equipas ficavam a 3/ 4 kms desses locais e tínhamos de ir de bicicleta para assinar o livro de ponto e era uma loucura. O que noto é que sinto mais carinho cá fora que em Portugal.

E a nível competitivo?
É diferente. Aqui o nível é muito elevado, qualquer ciclista que alinha à partida de uma prova tem condições para a ganhar, e os percursos, bem, isso nem se fala. Então neste Giro…

O que foi mais difícil as montanhas ou as longas quilometragens?
Eu gosto de etapas longas. Sinto-me bem em cima da bicicleta. Mas foi um exagero tantas etapas com mais de duzentos kms. E então aquela última semana foi penosa. Felizmente que estava bem senão ia ser difícil. Tínhamos pouco tempo para recuperarmos.

Ciclista regular, já o era em Portugal, onde invariavelmente assumia a liderança da sua equipa em quase todas as provas, discutindo mas, faltando sempre qualquer coisa para que os triunfos surjam.
Este ano tem-me faltado um pouco de sorte, podia ter ganha algumas vezes. Dir-se-ia que não tenho tido azares mas falta-me sorte. O meu tempo, tenho esperanças nisso, há-de chegar, pelo menos tenho essa fé e é para isso que trabalho diariamente. Tenho de quebrar este enguiço.

Apesar de alguma racionalidade ainda atacas muitas vezes e, nalgumas situações com algum destempo. Verdade?
Se ataco é porque ataco senão ataco deveria sair mais vezes. Este ano nas corridas que mais ataquei, o Tirreno e o Trentino, foi por pouco que não tirei partido disso. Gosto de atacar, por vezes sinto que tenho de refrear os meus ímpetos mas defendo-me bem. Se as pessoas estiverem atentas verificam que já modifiquei um pouco. Habituei-me a estar mais atento nas corridas e ver o que se passa no pelotão. Isto é importante.”

No final do ano termina o contrato já pensaste neste tema:
Para ser sincero não costuma pensar muito nisso, nem tão pouco vou stressar por causa disso. Até o final de época alguém há-de falar no assunto, mas isso não me preocupa. Normalmente sou fiel a quem me trata bem. Acredito no valor que tenho, estou bem onde estou e agradecido a quem me deu esta oportunidade. Na RádioShack também estão satisfeitos comigo, por isso não será difícil um acordo.

Programa para o resto da época?

Estou no lote de ciclistas para a Vuelta, e é quase certa a minha participação. Para já terei o regresso à competição na Volta à Austria, seguindo-se a Volta à Polónia. Em Junho vou relaxar um pouco, recuperar bem para tentar fazer uma boa Vuelta.

E o Mundial?
Não sei. Só depois da Vuelta é que saberei como estou. Para já não está nada acordado.

Continuas sentido com a Federação?
São águas passadas. Nesse ano penso que poderia ter ganho aquele mundial de sub-23, pelo menos ia discuti-lo. Senti que me tiraram essa possibilidade.

Associação do Algarve de parabéns [opinião]

23 Mai 2011 9:06am

José Santos*

Já aqui dissemos que as provas do Algarve transformaram-se nas provas mais duras do ciclismo nacional. Os seus percursos são um constante sobe e desce, um total rompe pernas, proporcionando dos melhores momentos de ciclismo, com constantes mudanças no comando das corridas.
As subidas, algumas delas são mesmo a pique, embora curtas, são antecedidas por descidas alucinantes e, face à ausência de vegetação estas inclinações são visíveis ao longe, o que causa calafrios aos ciclistas.
Para além deste constante sobe e desce, estas provas têm outro condão importante: a ausência de trânsito, sendo disputadas em estradas estreitas, de bom asfalto, mas por vezes finais de descida bastante apertados, o que causa algumas quedas aos mais desatentos.

Normalmente principiam na EN 125, rolam uns bons 30 a 50 kms até infletirem para o interior do Sotavento Algarvio.
Se na primeira das duas provas, deste último fim de semana, “ Restaurante Alpendre” a contar para a Taça de Portugal, , todos já conheciam o percurso, a segunda, Clássica do “Sotavento Algarvio “ diziam ser uma prova mais acessível com menos dificuldades.E, de facto, assim parecia. Os primeiros 70 kms de prova não apresentaram nenhuma dificuldade, 44 km/h de média atestavam isso mesmo, bem como um pelotão compacto, também assim confirmava. Contudo, o que parecia ser fácil complicou-se quando surgiram pela frente as primeiras inclinações, que se sucederam uma atrás das outras. Foi de tal ordem, a série sucessiva de pequenas subidas ,que apenas um grupo restrito de 15 ciclistas se aguentou no grupo da frente, aquele que discutia a corrida.

Parecia uma prova de eliminação, com os ciclistas a ceder em cada uma montanha atrás de outra. Os ataques foram constantes, ajudando à seleção final. Ciclistas desidratados iam cedendo e muitos deles, com cãibras eram obrigados o abrandar sem clemência para o seu estatuto: eram bons ciclistas e simples amadores que ficavam impotentes e com incapacidade funcional momentânea. As duas provas do Algarve proporcionaram um grande espetáculo de ciclismo a quem assistiu, e a quem competiria acompanhar para ver e reportar.

Chagaram poucos ciclistas à meta. Estamos de acordo, mas isso foi um sinal evidente de que as provas foram plenamente disputadas, por um pelotão mesclado de profissionais e amadores, todos eles com grande espírito competitivo. Que diferença, no valor desportivo destas duas provas, para aquelas realizadas recentemente no Prémio Liberty Seguros.
Por tudo isto, o ciclismo tem de estar agradecido aos organizadores, a Associação de Ciclismo do Algarve, mas muito em especial ao Bernardino Caliço e ao Rogério Teixeira, que nos habituaram a um trabalho de grande esforço e dedicação à modalidade.

* director-desportivo da Onda-Boavista

Existirá sorteio nos controlos médicos?

14 Mai 2011 3:50pm

A Associação Internacional de Ciclistas lamenta as fugas de informação que resultaram num clima de suspeição para cerca de 198 ciclistas, quanto á possibilidade de utilização de produtos dopantes, lembrando aos organismos que regem a modalidade, que as análises efectuadas ao longo de uma prova, se devem basear nas performances alcançadas pelos ciclistas e nunca por valores sanguíneos.

O problema que poderá ficar por aqui, mas com a Associação a intentar uma acção contra o jornal L’Équipe por publicação de dados pessoas e intransmissíveis, vem agudizar o tema, não sendo despropositado que o mesmo esteja relacionado com o pico alto da modalidade, normalmente período em que este tipo de notícias mais disparam na Imprensa.
A pergunta coloca-se neste momento: Será que os dados em posse da UCI estarão em posse segura?

A resposta, face aos últimos acontecimentos, demonstra leviandade por parte dos dirigentes internacionais, pois tais dados deverão ser utilizados por um número restrito de pessoas, a quem se possa ser pedida responsabilidade em caso de fugas de informação como foi o caso.

Ao fornecer uma lista, classificando os ciclistas, segundo dados contidos no passaporte biológico a uma série de agentes, a UCI perdeu o controlo da situação, demonstrando não estar à altura dos acontecimentos.

Este tipo de classificações e suspeições coloca sérias dúvidas quanto à seriedade dos referidos controlos, face à forma como os ciclistas são submetidos ao controlo anti-doping, onde um determinado número de ciclistas é convocado por sorteio, o que pelos vistos nem sempre assim acontece, o que pode induzir a várias interpretações e conveniências.

José Santos

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Opinião: Escândalo põe a nu, leviandade da AMA ou da UCI

13 Mai 2011 8:59pm

Falta agora saber se a fuga de informação sobre uma catalogação dos melhores ciclistas há possíveis suspeitas de alteração hematológica, publicada pelo jornal L’Équipe, se ficou a dever à AMA ou à UCI.

Para já o organismo internacional que gere a modalidade defende-se, mas a notícia vinculada pelo jornal organizador do Tour provocou um grande terramoto na credibilidade do ciclismo.

Acreditamos que estas fugas existam com o propósito de descredibilizar a modalidade, colocando-se agora sérias duvidas quanto à seriedade com que são utilizados os resultados obtidos nas diversas análises que fazem parte do passaporte biológico de cada ciclista.

Ao tornar os resultados públicos, a entidade que os divulgou prestou um péssimo serviço á modalidade, desacreditou o passaporte biológico, e provou que, mais uma vez, todos foram enganados.

O passaporte biológico, cujos resultados não podem ser divulgados publicamente, constitui para a entidade que faz o seu controlo um segredo que pode ser bem ou mal guardado, podendo para além do que agora aconteceu, ser um factor de aconselhamento para directores de equipas, que tendo acesso a estas informações poderão beneficiar com o estratagema.

O certo é que, o ciclismo vai de mal a pior, com todo este “ruído“ e quem fica a perder é a modalidade.

Segundo o jornal francês, o documento divulgado não é um recenseamento dos implicados na utilização de produtos dopantes, mas sim de um documento sobre os métodos utilizados pela UCI. A lista foi preparada pela UCI, com a catalogação de todos os 198 ciclistas que alinharam no Tour do ano passado, tendo como base a análise do perfil sanguíneo de cada ciclista (que deveria ser altamente confidencial), mas que pelos vistos foi remetida a uma série de técnicos encarregados do controlo oficial. Um acto que demonstra a leviandade, de quem divulgou indistintamente o referido documento, utilizado agora para denegrir a imagem de ciclistas e, o que é mais grave da modalidade.

Por uma questão de respeito, para com os ciclistas não publicamos a lista em questão, cujo teor não é de forma ALGUMA BASEADO EM MÉTODOS CIENTIFICOS.

JOSÉ SANTOS

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Jornal Ciclismo associa-se à jornada de luta de 12 de Março

Jornal Ciclismo associa-se à jornada de luta de 12 de Março

11 Mar 2011 9:08pm

O Jornal Ciclismo está solidário com as causas da denominada “Geração Enrascada” e associa-se à jornada de luta convocada para este sábado, 12 de Março. Por esse motivo, o Jornal Ciclismo pára no dia das manifestações, não produzindo qualquer notícia ao longo de 24 horas.

Pedimos desculpa aos nossos leitores pelos incómodos causados, mas há momentos históricos em que todos os cidadãos têm o dever cívico de intervir. Convidamos todos os adeptos de ciclismo a aliarem-se a este movimento. Ao contrário do que alguns querem fazer crer, não se trata de uma luta geracional, dos jovens contra os outros. Trata-se, isso sim, de uma batalha pela justiça, porque não podem ser sempre os mesmos a pagar a factura das crises criadas sempre pelos mesmos, aqueles que passam incólumes aos sucessivos “pacotes de austeridade”.

Aqui fica o manifesto que convoca as manifestações de 12 de Março, um texto e uma causa com os quais reafirmamos a nossa solidariedade.

Manifesto
Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:

a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.

b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.

c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.