opinião

Correio da Manhã: “Doping no ciclismo”, a opinião de Carlos Anjos

10 Jul 2010 2:48pm

Carlos Anjos, conselheiro e antigo presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC/PJ) comentou ontem o desfecho do julgamento de Manuel Zeferino e Marcos Maynar na coluna de opinião que, semanalmente, assina na edição impressa do Correio da Manhã.

Doping no ciclismo

O processo ‘Doping no ciclismo’ terminou com a absolvição dos arguidos. Como explicar que depois de se ter apreendido um grande número de produtos dopantes, de se ter apreendido material tecnológico para esse fim, de os ciclistas terem esses produtos em suas casas, de ao médico se ter apreendido documentos com o plano de tomas desses produtos por parte dos ciclistas e de nesse plano haver a indicação de que os atletas em determinados momentos tinham de se ausentar de casa para não serem alvo de controlos anti-doping de surpresa?

Tudo isto valeu zero. Por vezes fica-nos a sensação que estamos todos à espera que os arguidos confessem os seus eventuais crimes que tenham cometido. Ficámos pois a saber que aquele grupo de ciclistas resolveu de forma individual ou em conjunto recorrer à auto-medicamentação, e que ninguém naquela equipa achou estranho os resultados que passaram a obter. Arrisco-me a afirmar que esta decisão foi um péssimo sinal dado ao desporto em Portugal. Foi um sinal de que tudo vale a pena, um sinal claro de que a batota pode compensar. Ao contrário do que vemos todos os dias acontecer noutros países europeus, onde a justiça é implacável com estas práticas, países onde foram feitas as análises aos produtos apreendidos, em Portugal, parece que nada queremos fazer. É pena.

Fonte: Correio da Manhã (http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/doping-no-ciclismo)

O homem não mordeu o cão

O homem não mordeu o cão

04 Jul 2010 9:29pm

Na gíria jornalística, diz-se que notícia “é quando o homem mordeu o cão”. Ou seja, o inesperado e o surpreendente é que são notícia, não aquilo que é normal e expectável. No mediático “caso LA-MSS” há um momento que se aproxima do homem que mordeu o cão. Não me refiro ao desfecho do processo, pois a absolvição parecia ser um final anunciado, tendo em conta a passividade do Ministério Público e a evidente inépcia da assistente da acusação (representante da Federação Portuguesa de Ciclismo).

Quando o médico Marcos Maynar disse que os ficheiros informáticos encontrados no seu computador com aquilo que o próprio Maynar definiu como planos de dopagem estavam em castelhano, porque haviam sido prescritos pelo antecessor médico na equipa, também ele castelhano, era de esperar que a acusação tentasse verificar se isso correspondia à verdade. O Jornal Ciclismo facilmente descobriu que não. Marcos Maynar substituiu o português Benjamim Carvalho, que, pelo menos oficialmente, era o único médico da equipa antes da entrada de Maynar. O mesmo arguido disse, em defesa da mesma tese, que os ficheiros continham dados com nomes de corredores que já não estavam na equipa. Pista interessante para o Ministério Público procurar averiguar se havia práticas ilícitas que vinham de trás. Nessa averiguação, poderia ser que descobrisse o óbvio: estavam nessas pastas nomes de ciclistas que apenas entraram na equipa no mesmo ano que Marcos Maynar.

Além desta passividade, o Ministério Público ainda se deixou enredar em discussões estéreis sobre as proteases fazerem parte da lista de substâncias proibidas ou não e sobre o posicionamento dos armários dentro do camião da equipa, esquecendo-se de explorar a lista de substâncias apreendidas (ver aqui a totalidade do material) e a sua origem – o tribunal deu como provado que o saco com centenas de dopantes encontrado em casa de Pedro Cardoso foi-lhe entregue por Marcos Maynar. Em nenhuma sessão do julgamento houve uma alma que perguntasse ao médico por que entregou o saco nem para que eram aqueles dopantes (alguns só existentes no mercado negro). Perante isto, “o homem que mordeu o cão” nunca poderia estar na absolvição.

O acórdão do colectivo de juízes absolveu Manuel Zeferino e Marcos Maynar, mas em nenhum momento os definiu como inocentes. Apenas não se conseguiu provar que tivessem cometido qualquer crime, pelo que não poderiam nunca ser condenados. Das palavras lidas pela juíza-presidente, percebeu-se que o tribunal ficou com a suspeita de que algo de errado se passou na equipa, mas que não percebeu muito bem o quê. Vai daí, apontou baterias para o elo mais fraco: os corredores. Se tiver havido recurso à dopagem, os ciclistas serão, em última instância, os responsáveis, concluíram os juízes. Isto porque têm informação suficiente para saber o que tomam e os perigos que isso acarreta para a saúde e até que colocam a vida em risco. Além de que os desportistas são os mais interessados em que não haja doping, pois num desporto limpo é mais fácil os melhores imporem-se. Uma conclusão que também não traz novidade. Ao longo dos momentos mais negros da história do ciclismo, os corredores são sempre a ponta por onde a corda parte, sempre os únicos culpados dos erros cometidos na modalidade.

As reacções à decisão do tribunal é que se aproximaram da novidade, do tal “homem que mordeu o cão”. Depois de apontados como culpados pela possível existência de dopagem na LA-MSS, os ex-corredores daquela extinta equipa rejubilaram, saindo da sala de audiências visivelmente felizes e aliviados. Ou seja, o tribunal profere considerações que colocam em causa a classe dos corredores profissionais de bicicleta, atirando sobre eles o ónus do cancro que é a dopagem, e os únicos representantes da classe que estavam presentes ficaram felizes e festejaram. Poderíamos dizer: “finalmente, o homem mordeu o cão”. Mas, neste caso concreto, não foi comportamento que surpreendesse. O cão não foi mordido durante este julgamento. Os suspeitos do costume foram mais uma vez enxovalhados. Mas houve festa.

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Na morte de Serafim Ferreira

27 Abr 2010 2:29pm

Texto: José Santos

MORREU SERAFIM FERREIRA

A notícia caiu de uma forma abrupta, como todas em situações do género. Desta vez coube a desdita ao nosso querido amigo Serafim Ferreira. Há longo tempo com uma doença crónica, Serafim Ferreira, morreu hoje, numa cama do hospital Santos Silva, em Gaia.

De Serafim Ferreira dir-se-á ou bem ou mal, tal era o número de apoiantes e detractores que, ao longo da sua longa carreira de jornalista e organizador de provas, conseguiu , com as suas decisões polémicas granjear.

O seu carinho especial pela modalidade era visível nas crónicas que escrevia nas páginas do JN, onde acompanhou as principais provas nacionais, e onde numa das suas reportagens do Tour de France, regressou com a ideia de montar uma estrutura organizativa em Portugal.

Aliás, pensamos mesmo que ao longo da sua carreira profissional, foi mais organizador de corridas que jornalista.

Iniciou-se com a mão amiga de Jorge Lara, na organização do I Prémio Jornal de Notícias, há mais  de trinta anos, e depois prosseguiu uma carreira, da qual apenas beneficiou o ciclismo.

Amigo inseparável de grandes nomes do ciclismo, como Jorge Lara, do qual alguns anos mais tarde se desentendeu, com António Fernandes , crónico presidente da Associação de Ciclismo do Porto, Serafim Ferreira construiu uma estrutura que emprestou à modalidade o desenvolvimento , que nem nos dias de hoje desfruta.

Na verdade, as organizações JN que liderava, para além de proporcionarem as condições ideais para o desenvolvimento do ciclismo, reuniam um leque de elementos incontornáveis , como Armando Santiago ( já falecido ), Sousa e Castro e o Capela, João Silva e a Fernanda , nomes ,alguns pouco conhecidos, mas que organizaram as melhores provas de ciclismo de que há memória no nosso país.

No cerne de toda esta estrutura Serafim Ferreira , desencadeou guerras com muitas pessoas, fruto do seu espírito, que muitos diziam prepotente, mas a sua obra ficou, destruída pela ambição e inveja de muitos que, verdade seja dita, destruíram em meia dúzia de anos todo um trabalho de consolidação e prestígio da modalidade.

Nos velhos tempos do JN, anualmente passava pela sua responsabilidade organizativa, o Prémio JN, o Sport Notícias, o Porto – Lisboa, a Volta a Portugal do Futuro, a Volta a Portugal, os Campeonatos Nacionais, o Prémio da Juventude. Dos tempos em que a Volta a Portugal chegou a ter 21 dias de duração, ou em que a Volta a Portugal do Futuro tinha mais dias que a actual Volta a Portugal.

Com Serafim Ferreira iniciou-se o processo de internacionalização da modalidade, com a presença de grandes equipas e grandes nomes nas provas nacionais, equipas essas que incitava, com prémios extra, para elevarem o nível das suas provas além fronteiras.

Com Serafim Ferreira vivemos os melhores momentos do ciclismo em Portugal.

Não se pode encerrar o caso da codeína como se nada fosse [Opinião]

27 Fev 2010 12:00pm

O cadete João Pinto e o júnior Daniel Freitas acusaram morfina nos controlos antidopagem a que foram sujeitos durante as Voltas a Portugal dos respectivos escalões. O dr. Luís Horta, principal rosto da luta antidopagem em Portugal, esclarece, em declarações ao Jornal Ciclismo, que a morfina pode formar-se no organismo através da metabolização de outra substância, a codeína. A morfina tem uso interdito no desporto, a codeína não faz parte da lista de substâncias proibidas. Não havendo provas de que o resultado dos testes antidopagem resultaram do consumo de morfina e não apenas da metabolização da codeína, os dois corredores deverão ser ilibados – João Pinto já o foi. Estes são os factos, mas importa deles extrair algumas conclusões.

A primeira de todas é a de que não faz sentido dizer que o dr. Luís Horta está a defender os corredores. Quem está atento às questões da dopagem sabe que o presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal tem mão dura contra todos os prevaricadores. Mais: não faria sentido que um cientista reputado, como é o caso, viesse a público dizer que, em tese – nunca fala no caso concreto dos dois jovens corredores – é possível que a morfina encontrada na urina tenha resultado do consumo de codeína. Portanto, a primeira conclusão diz-nos que o dr. Luís Horta cumpriu escrupulosamente os seus deveres, não protegendo da lei os dois corredores.

A segunda conclusão a retirar é sobre o comportamento da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) nesta matéria. Ao contrário da maior parte das congéneres de outras modalidades, a entidade que gere o ciclismo em Portugal tem assumido de peito aberto o combate à dopagem. Merece, por isso, aplausos. Sem provas em contrário, não podemos dizer que a FPC decidiu fechar os olhos e beneficiar João Pinto e Daniel Freitas. Temos de acreditar na boa-fé das decisões e, portanto, aceitar que a ilibação resulta dos pareceres científicos sobre a matéria.

Em suma, crendo na boa-fé de todos, não houve favorecimento e tudo não passou de um mal-entendido, pois, afinal, não foram violados os regulamentos antidopagem. Fecham-se os processos disciplinares e assunto encerrado. Certo? Não. Errado. Este parece ser o caminho que a FPC se prepara para seguir, mas não me parece que seja a forma mais correcta de lidar com o problema.

Admitindo que João Pinto e Daniel Freitas ingeriram codeína, que é uma substância legal, temos, por si só, um grave problema. Ainda que pouco potente, a codeína é um opiáceo, da família da morfina e da heroína. Ainda que a coberto dos regulamentos antidopagem, é admissível que seja administrado um opiáceo a pelo menos dois adolescentes? Quem foi o responsável por essa administração e que doses foram consumidas pelos jovens corredores? São questões em aberto que, através da diplomacia do relacionamento entre a FPC e o clube dos atletas, têm de ser esclarecidas. Já o foram? Há movimentações nesse sentido? Não sabemos, da FPC não transpirou nada nesse sentido, o que é, no mínimo, um erro de comunicação.

Este caso exige que se vá para lá da mera gestão burocrática dos processos disciplinares. Quem deu opiáceos – que provocam risco de morte, como afirma o dr. Luís Horta ao Jornal Ciclismo – a dois adolescentes não pode continuar na modalidade. Tem, no mínimo, de ser convidado pela FPC a afastar-se do ciclismo de formação. É impensável que tudo continue como se nada fosse. Afinal de contas, quantos corredores, a nível mundial, já morreram vítimas da adicção às drogas? Sem puxar muito pela memória, lembro-me de três: Marco Pantani, José Maria Jiménez e Frank Vandenbroucke. Podem perfeitamente ter começado a escalada das drogas por opiáceos legais e pouco potentes…

Audiência do Jornal Ciclismo continua a crescer

Audiência do Jornal Ciclismo continua a crescer

03 Fev 2010 3:07pm

A audiência do sítio www.jornalciclismo.com continua a crescer. Em Janeiro de 2010, o Jornal Ciclismo recebeu 55.478 visitas únicas, que corresponderam a 170.630 notícias abertas. Em média, cada visitante permaneceu neste sítio durante 4m02s. Estes números são, por si só, esclarecedores quanto ao sucesso deste projecto, mas tornam-se ainda mais relevantes quando comparados com o passado.

Colocando lado a lado os números de Janeiro de 2010 com as cifras relativas a Janeiro de 2009, percebe-se que o crescimento das audiências é exponencial. No primeiro mês de 2009, o Jornal Ciclismo recebeu 12.814 visitas, correspondentes a 37.312 páginas vistas. Ou seja, em Janeiro de 2010, comparando com o mês homólogo do ano anterior, assistiu-se a um aumento de 332,9% das visitas e de 357,3% de páginas vistas.

Se compararmos os resultados de Janeiro de 2010 com a média mensal de todo o ano de 2009, concluímos que o crescimento das audiências é também uma realidade, apesar de os dados relativos ao ano transacto incluírem os meses de Julho e de Agosto, quando, por via da Volta a França e da Volta a Portugal, a audiência é sempre muito mais elevada do que nos outros meses.

Em 2009, a média mensal de acessos ao Jornal Ciclismo foi de 36.890 e a média mensal de notícias lidas ascendeu a 122.816. Ou seja, no primeiro mês de 2010, o sítio www.jornalciclismo.com teve mais 50,4% de visitas do que na média de 2009 e mais 38,9% de notícias lidas, num claro reforço do crescimento e da implantação deste projecto, para o qual contribuiu a mudança gráfica e a melhoria dos conteúdos.

O Jornal Ciclismo agradece aos leitores e aos anunciantes o contributo para este crescimento.