Volta a Chiapas
A região mexicana de Chiapas, conhecida por albergar nas suas montanhas o Exército Zapatista de Libertação Nacional, liderado pelo Subcomandante Marcos, vai assistir à sétima edição da sua corrida de ciclismo entre 25 e 30 de Novembro. A Volta a Chiapas integra o America Tour 2009, o calendário continental daquela região do Globo. Esta corrida começou a disputar-se em 1980, saindo para a estrada durante três anos seguidos. Após um interregno, a Volta a Chiapas regressou em 1995 para mais três anos de ciclismo. Desde 1997 que a prova não se realiza, regressando em 2008 para a sétima edição. Como é natural na região, o pelotão terá pela frente etapas de constante sobe-e-desce.
Volta a Hainan
A região chinesa de Hainan recebe a sua Volta entre 11 e 19 de Novembro. É a terceira edição de uma corrida que faz parte do calendário Continental asiático desde 2006. Este ano a prova foi promovida ao escalão 2.1 e tem a ambição de chegar ao ProTour nos anos vindouros. Dinheiro parece não faltar nesta província chinesa, que oferece um “prize money” de 200 mil dólares na Volta a Hainan. Com um clima a roçar o tropical, há quem chame a Hainan o Hawaii oriental, pelo que se percebe a intenção de fazer a prova subir os patamares necessários para chegar ao calendário global: a ideia é utilizar o ciclismo como divulgador das potencialidades turísticas da região.
Paris – Tours
O Paris – Tours é uma das últimas clássicas da época. A 102ª edição da prova corre-se no próximo dia 12, unindo os arredores de Paris a Tours. Num percurso quase sempre plano, esta corrida tem sido palco para que os sprinters se despeçam em beleza da temporada. O Paris – Tour integra o portfólio de eventos da ASO, empresa que também organiza a Volta a França. O conflito entre a ASO e a União Ciclista Internacional fez com que esta clássica tivesse abandonado em 2008 o calendário ProTour, em que estava incluída desde 2005. Dos ciclistas em actividade, Erik Zabel é o que venceu mais vezes esta prova. Fê-lo em três ocasiões, tantas como os outros recordistas do Paris – Tours: Gustave Danneels, Paul Maye e Guido Reybroeck. O vencedor do ano passado foi Alessandro Petacchi. A primeira edição, em 1896, ainda era disputada por amadores, tendo sido conquistada por Eugène Prévost.
Giro da Lombardia
O Giro da Lombardia é um dos “Monumentos” do ciclismo. Partilha com o Paris – Tours a “etiqueta” de Clássica de Outono, mas destina-se a ciclistas diferentes daqueles que estão na berlinda na corrida gaulesa. Num percurso sempre acidentado, é preciso ter resistência e subir bem para estar na frente na altura de discutir a vitória. A prova lombarda começou em 1905, denominando-se Milão – Milão. Logo dois anos depois assumiu a designação que tem hoje. Ao fim de cem edições já disputadas, o mais vitorioso na Lombardia é Fausto Coppi, que somou cinco sucessos. Dos ciclistas em actividade, os mais vitoriosos neste Monumento são Damiano Cunego e Paolo Bettni, ambos com dois triunfos. A organização está a cargo da RCS, empresa que promove a Volta a Itália e que, devido ao diferendo com a UCI, retirou o Giro da Lombardia do calendário ProTour, ao qual pertencia desde 2005. A edição de 2008 corre-se no dia 18 de Outubro.
Nationale Sluitingsprijs Putte-Kapellen
Designada como uma semi-clássica, a Nationale Sluitingsprijs Putte-Kapellen é uma prova de um dia que se disputa em Outubro na região belga da Flandres. Começou a correr-se em 1929, estando marcada para 14 de Outubro a 75ª edição. Entre os vencedores contam-se homens que dão boa conta de si tanto em clássicas como em chegadas ao sprint, de que são exemplo Gert Steegmans, Max van Heeswij ou Tom Steels. Os belgas são os dominadores do palmarés desta corrida. Os dois ciclistas que ao longo da histórias mais vitórias ali acumularam foram o belga Frans van Looy e o holandês Adri van der Poel. A Nationale Sluitingsprijs Putte-Kapellen integra o calendário continental europeu da UCI.
Volta à Polónia
A corrida nacional da Polónia passou do 8 ao 80. O mesmo é dizer que saltou do amadorismo, imposto e acarinhado pelo regime político que ali vigorou durante décadas, para o profissionalismo absoluto de uma competição ProTour, sem dúvida coerente com o capitalismo selvagem que ali vai frutificando. A 64ª edição da Volta à Polónia, última corrida pontuável para o ProTour 2008, sai para a estrada de 14 a 20 se Setembro. Ao longo de sete etapas, normalmente muito competitivas, vai encontrar-se o sucessor da esperança belga Johan van Summeren. Prejudicada pela luta entre organizadores das grandes provas e a UCI, a Volta à Polónia foi usada como arma de arremesso, coincidindo parcialmente com a Vuelta. Com isso, deixa de ser opção para algumas das grandes estrelas da actualidade, embora possa ser usada por outros grandes nomes para a última afinação antes do Campeonato do Mundo, que se disputa na semana seguinte. Nos anos mais recentes, houve um português que se destacou na ronda polaca. Em 2004, Hugo Sabido, então ao serviço da Milaneza-MSS, venceu uma etapa e terminou a Volta na segunda posição, batido apenas pelo veterano checo Ondrej Sosenka.
Paris – Bruxelas
A “Clássica das duas capitais” é uma das mais antigas e prestigiadas corridas do Mundo. Nasceu, para amadores, em 1893, pela mão de dois jornalistas entusiastas do ciclismo, Licensky e Minart. À terceira edição, em 1907, passou a ser disputada por profissionais. Interrompido durante alguns períodos, por exemplo, durante das duas Grandes Guerras, o Paris – Bruxelas soma já 87 edições. A 88ª corre-se no próximo dia 13. Esta corrida de um dia está cotada como prova do escalão HC (Categoria Especial) do circuito Continental Europeu da UCI. O recordista de triunfos é um ciclista que pode ainda somar mais vitórias, uma vez que se mantém em actividade: o australiano Robbie McEwen, que já foi o melhor nesta clássica em quatro ocasiões.
Tour de L’Ain – La Route do Progrès
Num país como a França, o ciclismo não pára após a prova-rainha, o Tour. A prova disso é que, duas semanas depois do final da Grande Boucle, as estradas gaulesas continuam a ser palco de animados despiques sobre rodas. Este ano, de 10 a 13 de Agosto, corre-se a vigésima edição do Tour de L’Ain – La Route do Progrès. Trata-se de uma corrida que começou em 1989 aberta apenas a amadores e que, a partir de 1993 passa a permitir a compita, lado a lado, a profissionais e a amadores. Marcada por bastante dureza, é uma prova para trepadores, tendo na ascensão ao Grand Colombier, o seu ponto nevrálgico e mítico, ainda que só tenha sido introduzido na rota em 1999. Desde 2005, o Tour de L’Ain faz parte do Circuito Continental Europeu e tem assistido à vitória de corredores de equipas de primeiro nível, como é o caso dos vencedores dos dois últimos anos, John Gadret e Cyril Dessel, ambos do mesmo colectivo ProTour, a Ag2r Prévoyance.
Clássica Los Puertos
Prova espanhola de um dia que integra o calendário do Circuito Continental Europeu com a categoria 1.1. Trata-se de uma clássica em que, como o nome indica, a montanha marca presença, através das serras de Guadarrama, nos arredores de Madrid. Esta corrida começou a disputar-se em 1970 e já cumpriu 30 edições. Entre os vencedores estão alguns dos melhores ciclistas espanhóis das últimas décadas, destacando-se Miguel Indurain, Pedro Delgado ou Laudelino Cubino entre aqueles que ali triunfaram. No ano passado a vitória sorriu a uma equipa portuguesa, já que Héctor Guerra, da Liberty Seguros, foi o mais forte. Refira-se ainda que foi nesta prova, em 2007, que José Pecharromán foi apanhado nas malhas do doping, o que lhe valeu o despedimento pelo Benfica. No pelotão português, além de Guerra, há outros dois corredores que já ergueram os braços em Guadarrama, Francisco Mancebo (2000) e Rubén Plaza (2006). Em 2008 corre-se no dia 24 de Agosto.
Eneco Tour
A Volta ao Benelux deixa este ano – 20 a 27 de Agosto – de fora o Luxemburgo, disputando-se apenas nas outras duas nações que dão nome à região: Bélgica e Holanda. As quatro primeiras jornadas competitivas decorrem na Holanda, estando as quatro derradeiras marcadas no mapa belga. Esta prova, patrocinada pela companhia de energia Eneco, tem uma curta história, já que a primeira edição data de 2005. No entanto, soube desde cedo assumir-se como uma prova com alguma relevância na região e faz mesmo parte do calendário ProTour. O seu percurso é marcado pelas paisagens do centro da Europa, onde predominam as planícies e as pequenas colinas, sem grandes desafios montanhosos. Os sprinters e os contra-relogistas são aqueles que mais hipóteses têm de brilhar nesta corrida. Isso mesmo se percebe olhando para o livro de honra do Eneco Tour. O corredor com mais vitórias de etapas é um sprinter, Tom Boonen. Os vencedores das três edições já realizadas são excelentes contra-relogistas: Bobby Julich (2005), Stefan Schumacher (2006) e José Iván Gutiérrez (2007).
Volta à Suíça
A alternativa ao Dauphiné-Libéré para preparar a Volta a França. As suas etapas, em que cabem selectivas jornadas de montanha e um contra-relógio, servem para que os candidatos ao Tour possam testar ali as suas forças e preparar a afinação final de forma com vista ao grande objectivo do ano. A prova helvética arrancou em 1933, sendo a edição deste ano a 72ª, uma vez que a corrida não se realizou em quatro anos. Em 2008, a Volta à Suíça estende-se por nove etapas e 1411 quilómetros, disputando-se de 14 a 22 de Junho, sendo uma das corridas que integra o calendário ProTour. O último vencedor foi Vladimir Karpets, estando o recorde de triunfos – quatro – em posse do italiano Pasquale Fornara.
Halle-Ingooigemn
A região belga da Flandres é sobejamente conhecida no mundo do ciclismo pelas suas clássicas da Primavera. Mas este tipo de provas não se resumo àquela estação do ano, havendo corridas com configurações semelhantes em pleno Verão. É o caso da clássica Halle-Ingooigemn, cuja 61ª edição que sai para as estradas no dia 25 de Junho. Apesar de ter nascido em 1945, só em 2006 integrou pela primeira vez o calendário internacional da UCI. Em 2008 faz parte do circuito Continental Europeu, tendo a categoria 1.1. O percurso faz-se pelas acidentadas estradas da região, onde têm brilhado alguns ciclistas com peso no pelotão mundial.
Rota do Sul
A Rota do Sul (Route du Sud) é uma corrida por etapas que se desenrola no sudoeste francês. A prova começou a disputar-se em 1977, tendo na altura a designação de Tour du Tarn. Em 1982 passou a chamar-se Tour de Midi-Pyrénées, mudando de novo a designação em 1988, quando assumiu o actual título de Route du Sud. Esta competição prima pelos traçados selectivos que permitem a grandes corredores mostrar a sua classe nas estradas do sudoeste francês. Dada a sua localização no calendário, é encarada com grande seriedade pelos gauleses que vêm nesta corrida uma boa oportunidade de preparem o campeonato nacional. Ainda assim, há um claro equilíbrio entre franceses e forasteiros no número total de triunfos. Os ciclistas da casa conquistaram 16 das 31 edições já disputadas. Apesar disso, é um suíço, Laurent Dufaux, que detém o recorde de vitórias: escassos dois triunfos que o distinguem de todos os outros vencedores, que só o foram numa ocasião. Este ano, a Rota do Sul está inscrita no calendário Continental Europeu da UCI, no escalão 2.1, correndo-se de 19 a 22 de Junho.