Bruno Pires: “Posso discutir os primeiros lugares da Volta”0 Comentários

Joaosantos
28 Nov 2008 10:30am

Bruno Pires assumiu a aposta que o director-desportivo Carlos Pereira lhe reservou na Barbot-Siper, uma equipa para lhe apoiar na discussão da Volta a Portugal, juntando-se ao restricto clube de ciclistas portugueses que partilham os mesmos objectivos, como por exemplo, Cândido Barbosa ou Tiago Machado. Aos 27 anos, o corredor alentejano radicado na Póvoa de Varzim sente-se preparado para a peleja mas a dificuldade que se lhe apresenta vislumbra-se no peso dos adversários, David Blanco e Hector Guerra, mais velhos, mais experientes. Após uma época de luto, Pires, ex-corredor da LA-MSS acha que “Toda a gente no ciclismo perde [com o caso LA-MSS]”. E tem uma opinião sobre o caso…que guarda só para si.

Após um época que se pode considerar para esquecer, que objectivos o norteiam para 2009?
Realmente as coisas não correram muito bem em 2008. O que mais tenho a lamentar foi a morte de um amigo e a perda de uma colega de profissão [Bruno Neves, falecido a 11 de Maio na Clássica de Amarante]. Esse é o ponto mais negativo deste ano, pelo menos aquele que me marcou muito a mim e a toda a equipa e, depois, o caso que está farto de ser relatado por toda a gente [caso LA-MSS]. Claro que não é uma situação positiva, quem perde acima de tudo é o ciclismo… Toda a gente no ciclismo perde. Mas isso é uma página que se está a virar. Neste momento, estou com projectos novos, com ambições renovadas e é um prazer representar esta equipa, uma oportunidade que o Carlos Pereira e a Barbot-Siper me estão a dar, só tenho que dinamizar da melhor maneira possível esta oportunidade.

Teve convites de outras equipas?
Sim, tive outros convites…do Boavista, do Paredes, inicialmente fui sondado pelo Azevedo e a equipa que estava a criar. Uma das primeira pessoas que falou foi o Carlos Pereira. Revelou-me o que pensava do projecto e o que pretendia de mim na equipa. Isso foi o mais aliciante, os objectivos que ele tem para mim.

Quais são esses objectivos?
Com a idade que tenho e com as provas que tenho dado, posso começar a pensar em discutir os lugares cimeiros da Volta a Portugal… Não digo ganhar, reconheço que me falta, para já, um pouco de maturidade e a nível fisico ainda não estou completamente preparado perante corredores como o David Blanco ou o Hector Guerra, ciclistas com uma idade mais avançada. Penso que posso entrar na discussão das corridas em Portugal, normalmente até é em provas internacionais que tenho os melhores resultados. Estando bem, poderei estar entre os primeiros lugares na Volta a Portugal.

Fez metade da época, acusará alguma falta de ritmo pelo facto de pouco ter competido na segunda parte da temporada?
É sempre significativo o facto de estar-se tanto tempo sem competição. A mim não me preocupa muito, por norma trabalho muito, com empenho e dedicação e, no ano passado, a seguir à Volta pouco competi e recuperei bem. Este ano penso que não irei ter dificuldade a entrar na época. E com as competições irei melhorando.

A época ficou marcada pelo caso LA-MSS. O que de certo modo te surpreendeu? Houve alguma sensação de injustiça no processo?
Não me compete a mim analisar o caso. Tenho uma opinião e guardo-a para mim. Aquilo que digo, aquilo que sinto, é que é uma enorme pena, para todos aqueles que fazem parte daquela equipa, daquele grupo de trabalho, com todos os atletas e famílias que estão a passar por grandes dificuldades. É isso que lamento…o desaparecimento de um projecto que continuo a achar o melhor que se fez em Portugal em ciclismo profissional. Não me cabe fazer juízos, penso que a seu tempo as coisas se irão esclarecer e a verdade, costuma-se dizer, virá ao de cima e tudo se irá esclarecer. Não me compete dizer se houve justiça ou injustiça. Tenho a minha opinião, mas fica para mim.


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