Texto: José Morais
Fotos: José Morais e Helena Morais
Fátima, o maior altar do mundo como é conhecido, é local de peregrinação assíduo, por onde anualmente passam milhares de pessoas dos quatro cantos do mundo. Peregrinações, bênçãos, promessas, visitas ou simplesmente curiosidades, faz daquele espaço um lugar de culto respeitado por muitos, onde a fé está acima de tudo, e foi naquele espaço, o Santuário de Fátima, lugar de aparições, assim reza a história, a qual deixamos aqui um pouco da mesma.
A História das Aparições
A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.
Por volta do meio-dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma “Senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco.
A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria. A 19 de Agosto, a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Concelho, para Vila Nova de Ourém.
Na última aparição, a 13 de Outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a “Senhora do Rosário” e que fizessem ali uma capela em Sua honra. Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em Julho e Setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.
Posteriormente, sendo Lúcia religiosa de Santa Doroteia, Nossa Senhora apareceu-lhe novamente em Espanha (10 de Dezembro de 1925 e 15 de Fevereiro de 1926, no Convento de Pontevedra, e na noite de 13/14 de Junho de 1929, no Convento de Tuy), pedindo a devoção dos cinco primeiros sábados (rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria) e a Consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração. Este pedido já Nossa Senhora o anunciara em 13 de Julho de 1917.
Anos mais tarde, a Ir. Lúcia conta ainda que, entre Abril e Outubro de 1916, tinha aparecido um Anjo aos três videntes, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa de Lúcia, convidando-os à oração e penitência.
Desde 1917, não mais cessaram de ir à Cova da Iria milhares e milhares de peregrinos de todo o mundo, primeiro nos dias 13 de cada mês, depois nos meses de férias de Verão e Inverno, e agora cada vez mais nos fins-de-semana e no dia-a-dia, num montante anual de cinco milhões.
E foi no Santuário de Fátima que mais um ano milhares de ciclistas e amigos se juntaram para celebrar a 8ª Peregrinação e Bênção dos ciclistas. A concentração ocorreu pelas 10.30 no parque número 12, junto ao Centro Pastoral Paulo VI, pelas 11 horas era dada a partida para um pequeno passeio de bicicleta até Aljustrel no circuito dos Três Pastorinhos, com passagem pelas casas, de Jacinta, Francisco e Lúcia, onde no lugar de Valinhos, local da 4ª aparição de Nª Senhora de Fátima a 19 de Agosto de 1917, os participantes fizeram uma paragem, sendo rezada uma Ave-Maria.
De regresso à estrada, pedalou-se até ao local da concentração o parque nº 12, onde os ciclistas das mais diversas modalidades deixaram as suas bicicletas, e em romaria seguiram até à Igreja da Santíssima Trindade, a nova igreja do Santuário, onde pelas 12,30 foi celebrada a Santa Missa, pelo Bispo Emérito da Diocese de Castelo Branco/Portalegre, D. Augusto César, ajudado pelo Capelão D. Cristino.
Após a missa, os participantes seguiram em procissão acompanhados por D. Augusto César, rumando ao parque nº 12, onde foi feita a Bênção dos ciclistas e das bicicletas, de salientar a referência de D. Augusto César que fez pela satisfação de estar ali presente naquela massiva concentração, e pediu uma salva de palma para o Bispo D. Serafim Ferreira pela sua ausência, já que tem sido ele o pioneiro também desde o primeiro dia da iniciativa, e não poder estar presente, o qual foi para ele uma grande honra poder estar no seu lugar.
A Peregrinação é a Bênção dos ciclistas é sem duvida algo que marca muitos os participantes, aqui podemos ver de tudo um pouco, desde o ciclista de competição, ao cicloturistas, ao do btt, do bmx, ou o simples utilizador de bicicleta, porem, também são sempre figuras muito importantes neste evento, aqueles que neste dia tiram do prego as bicicletas dependuradas, e que neste dia vem mostrar grandes relíquias, algumas com mais de 100 anos, e mais agradável de ver, alguns não trazendo só a bicicleta antiga, mas trajados a rigor, fomos ao encontro e o nosso primeiro entrevistado falava à nossa reportagem.
António Lebre, de Santa Catarina da Serra, bem perto de Fátima, dizia-nos quando lhe perguntamos se era hábito participar na Bênção? “Sim, desde o primeiro dia, tenho estado sempre nas 8 edições, e será para sempre enquanto eu puder e existir a mesma”.
Quando lhe perguntamos o que pensava do evento o mesmo dizia, “Acho o evento muito engraçado, junta muita gente, somos uma equipa sã, faz bem à saúde, e com o dia maravilhoso que está, é um espectáculo”.
Veio vestido a rigor, e com bicicleta antiga? “É uma tradição que tenho, foi uma bicicleta que comprei à mais de 30 anos, deve ter cerca de 100 anos, deveria ter uns 15 ou 16 anos, e dei 1100. Escudos na altura, e como se costuma dizer, fiquei totalmente “teso”, sem nada, mas foi sempre uma paixão que tive pela bicicleta, e vou conservando a mesma, nunca me vou desfazer dela”.
Outra das entrevistadas foi Maria Emília Gonçalves, com 74 anos, também ela uma assídua participante da Bênção, onde tem participado anualmente, perguntamos o que pensava da mesma, o qual respondeu, “Penso que é uma coisa boa, que Nossa Senhora nos protege a todas as horas e momentos da nossa vida”.
A pergunta seguinte foi se costuma andar de bicicleta, o que nos respondeu, Todos os dias faço cerca de 8 Kms, vou trabalhar e utilizo a bicicleta, sou viúva, tenho dois filhos, sempre trabalhei no campo, e a bicicleta é o meio de transporte há muitos anos”.
Fomos procurar outros participantes, desta vez não utilizadores diários, ou ocasionais, mas sim um da competição, outro do lazer, o primeiro foi Américo Vieira, mais de 47 anos a pedalar, e quando lhe perguntamos se a Bênção dos ciclistas era uma clássica, respondeu, “Sim é uma clássica, desde o primeiro dia, porem quero dizer que a primeira peregrina a vir aqui a Fátima, foi a minha mãe, juntamente com as minha tias, fizeram a peregrinação a pé, e vieram rezar o terço, porque o meu avô tinha febre-amarela naquele tempo, para se curar o que veio a acontecer, por isso é uma fé vir aqui, apesar de morar apenas a 3 Kms do local é muito importante para mim, é promessa, e nesta altura estou sempre cá, também é muito importante, já que uma vez nos campeonatos do mundo aconteceu que roubaram as bicicletas, a minha ficou e a de outro companheiro, só tenho uma explicação, estava benzida, por isso vir aqui é uma fé, a Pagela da oração da Bênção que nos dão todos os anos aqui, me acompanha sempre, porque sinto que me protege”.
Célia Vieira, 32 anos foi a última entrevistada do evento, e dizia-nos quando lhe perguntamos o porque da sua presença ali, o qual nos dizia, “Em primeiro porque faço parte da equipa organizadora que patrocina, depois, porque gosto muito de vir à Peregrinação dos ciclistas, é uma vez por ano, nunca falhei uma edição, e penso continuar a vir, já que pedalo todos os dias”. Na sua mensagem final dizia, “Continuem a pedalar, boa viagem para todos de regresso, e voltem sempre”.
Uma das figuras importantes do evento foi o Bispo D. Augusto César, que presidiu à Santa Missa e à Bênção, e quando lhe perguntamos qual a sensação da primeira experiencia da Bênção, o mesmo respondeu, “É sempre uma experiencia muito agradável, primeiro porque temos aqui jovens, e jovens que praticam desporto, o que é muito agradável e louvável, e é preciso que sempre que andam nestas actividades, e nas estradas, eles pensem noutros valores como seja, o respeito pela vida alheia, e os ouros que também tenham para com eles o mesmo, e que se lembrem que mesmo com muita boa vontade e com o auxilio podem acontecer novidades, surpresas, como aconteceu com um companheiro que faleceu à dias na estrada a pedalar, mas estes valores estão aqui presentes, e sobretudo, à sombra do Santuário, não à duvida nenhuma, resta-nos pedir a Nossa Senhora que os abençoe a todos”.
A pergunta final foi se tinha gostado da recepção dos ciclistas, o qual referia, “Sim, foi calorosa, fui muito agradável, sinto-me sempre bem no meio de gente boa e da juventude”.
Por fim, falamos com o mentor da iniciativa, o homem que tem levado o evento para a frente, é o presidente da União de Ciclismo de Leiria, chama-se Carlos Vieira, e respondia quando lhe perguntamos no final, oito anos de Bênção? “Oito anos, sentimo-nos felizes por mais uma vez termos este calor humano de todos os ciclistas nas diversas modalidades, todos os amantes das bicicletas aqui presentes, tivemos também o calor humano do Bispo D. Augusto César que na falta do D, Serafim Ferreira, também demonstrou que gosta dos ciclistas e das bicicletas”.
A pergunta seguinte foi o número de presenças, o qual dizia, “Eu não posso neste momento prever o número certo mas, no passeio tivemos muita gente, a estrada estava repleta, mas na totalidade, ciclistas, acompanhantes, simpatizantes, alguns milhares, a igreja tinha uma boa moldura humana, aqui no recinto também”
A pergunta seguinte surgia na comparação da edição deste ano que foi de forma diferente das habituais, e se afectou um maior número de participantes, o qual nos dizia, “Sim, de certa um pouco, nós fizemos um pequeno passei, foi muito positivo, quando chegamos se a missa fosse realizada aqui no local onde foi feita a Bênção, teríamos muita mais gente, porem o medo da chuva e o queremos experimentar fazer a missa dentro da nova igreja pelo seu espaço, e depois virmos aqui completar com a Bênção, originou a que não esperassem, outros não arriscaram deixar aqui as suas bicicletas, o que será um ponto a ponderar e a pensar alterar em futuras edições, se por um lado é bom fazer a missa na igreja pelas condições climatéricas que podem acontecer, por outro lado fazer aqui é mais importante, e o impacto é muito maior, porque a participação é muito mais massiva, apesar de o cenário ter sido fabuloso hoje”.
A finalizar deixamos no ar a seguinte perguntam futuro? “ O futuro é o de repensar, isto não depende só de nós, depende do tempo, das datas do Santuário para que a Bênção dos ciclistas possa vir a ter um dia único e definido, e o mais importante será fazer a concentração, o passeio, a missa, e a Bênção sempre mo mesmo local, sobre a data vamos apostar na primeira quinzena de Fevereiro, onde o tempo já está mais estabilizado, e onde os calendários dos eventos ainda não mexem muito, o que nos permite trazer ainda mais pessoas, quero ainda deixar a mensagem de que todos os ciclista e acompanhantes o muito obrigado pela participação, regressem a casa em paz, e que em 2011 estejam novamente presentes”.
Em tempo de rescaldo, e a finalizar, poucas mais palavras existem para referenciar da 8ª Bênção dos Ciclista em Fátima, todos os participantes receberam uma Pagela de Oração e uma t-shirt alusiva ao evento, e dizer de que a organização foi da União de Ciclismo de Leiria, a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) do qual o evento também faz parte do seu calendário oficial e que apoia o mesmo desde o seu primeiro dia, tinha este ano preparada a entrega de uma bicicleta a D. Serafim Ferreira, Bispo Emérito de Leiria/Fátima, a oferta vinha ao encontro de D. Serafim ser uma amante da mesma, e uma das principais figuras que apoiou também a iniciativa, por motivos de se ter de deslocar a Roma nesta data, ficou assim impossibilitado de estar presente, ficando adiada a entrega da referida bicicleta para a próxima edição, até lá, ficam os votos de boas pedaladas, num ano cheio de fé, paz e esperança, aqui que quase 4000 participantes procuraram em mais uma Peregrinação e Bênção Nacional dos Ciclistas.
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O bispo da diocese Portalegre/ Castelo Branco já não é D. Augusto César é Antonino….
Boa tarde Paula Gomes, obrigado pelo comentário o qual tem toda a razão, porem se leu com atenção o artigo, D. Augusto César, é Bispo Emérito da Diocese de Portalegre/Castelo Branco, ou seja um Bispo-Emérito, é um título conferido a um Bispo diocesano cuja renúncia foi aceita, normalmente o Bispo diocesano apresenta a renúncia após completar 75 anos de idade, desta forma a notícia que dou, está correcta.
José Morais
Caro amigo. Parabéns pelo trabalho, o texto é longo e perdoa-se pequenas falhas. Também estive presente a fazer a cobertura e entendo este trabalho como bastante positivo. Boa sorte.
ves não apareci na tv mas apareco na net que é muito mais a frente
Parabéns ao Sr. José Morais, ao Jornal de Ciclismo, à Revista Ciclismo de Fundo, bem como a todos os Orgãos da Comunicação Social presentes, pelas extraordinárias reportagens acerca da VIII Bênção Nacional dos Ciclistas em Fátima, ao ler as reportagens, as palavras transmitem-nos um um grande carisma que é de um simbolísmo insofismável, (Como o passado e a vida dos Pastorinhos e as Aparições da Virgem Maria), Obrigado Sr. Morais, o ciclismo não tem fronteiras, a Bênção dos Ciclistas não é para promover ninguém e nunca irá ter vencedores nem vencidos, é e será sempre um evento religioso e de Fé, de Lealdade para com Nossa Senhora de Fátima com o intuíto de lhe pedir protecção e amparo, nos Caminhos e nas Estradas de todo o Mundo, sendo dedicado a todos aqueles que gostam do Ciclismo e das Bicicletas. Fátima é o Altar do Mundo, um lugar de Culto, de Fé, de Paz, de Amor, de Carinho e de Esperança, e Nossa Senhora é MÃE DOS HOMENS E DOS POVOS. Em relação ao Sr. Bispo Emérito D. Augusto César a resposta do Sr. José Morais está correctíssima, O Bispo Emérito de Portalegre/Castelo Branco – D. Augusto César, Presídio às Cerimónias. BEM HAJAM E ESTAMOS MUITO GRATOS A TODOS E ATÉ PARA O PRÓXIMO ANO SE DEUS QUISER.