
Contador cerrou os dentes para obter vitória categórica
Alberto Contador (Astana) e Tiago Machado (Madeinox-Boavista) foram as grandes figuras da quarta etapa da Volta ao Algarve, o contra-relógio individual de 33,7 quilómetros, entre Castro Marim e Tavira, que hoje se disputou. O espanhol, mesmo não podendo ainda usar o novo material de contra-relógio que irá optimizar o seu rendimento na sequência dos testes no túnel de vento, foi claramente o mais forte de todo o pelotão. Contador cumpriu o esforço solitário em 44m05s, à média de 45,868 km/h, e passou a liderar a corrida. Já Tiago Machado foi protagonista porque conseguiu ser o único português a ombrear com os melhores do mundo na luta contra o tempo, tendo ficado na quarta posição e batido alguns dos grandes especialistas, como o campeão mundial da especialidade, Bert Grabsch (Team Columbia-High Road).
Depois da primeira arrumação classificativa, imposta ontem pela etapa de montanha desta volta, esperava-se que o contra-relógio de hoje moldasse (quase) definitivamente o alinhamento da geral individual. E assim aconteceu. Os 33,7 quilómetros do exercício individual eram duríssimos. Desde logo porque a extensão era considerável para início de época, mas o percurso também contribuiu para as dificuldades. Os ciclistas passaram por estradas sinuosas, onde, além de uma subida quase contínua desde o quilómetro dez até ao quilómetro quinze, encontraram constantes topos que obrigavam a quebrar o ritmo e impediam que as altas velocidades das descidas rápides pudessem ser mantidas durante muito tempo.
Nestas circunstâncias, era evidente que os especialistas na luta contra o tempo teriam a concorrência de ciclistas não tão dotados para os contra-relógios, desde que se apresentassem num bom momento de forma. Ainda sem grande rodagem competitiva em 2009, as equipas portuguesas partiam em desvantagem, estando dependentes de um golpe de asa de algum fora-de-série. Foi esse o papel que Tiago Machado conseguiu desempenhar, sendo o único corredor português nos 15 primeiros. O segundo melhor luso foi Sérgio Paulinho (Astana), na 18ª posição. O terceiro melhor representante nacional, Nelson Vitorino (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), não fez melhor do que o 41º registo. Olhando aos estrangeiros das equipas nacionais, o melhor foi Alejandro Marque (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), no 13º lugar.
O contingente forasteiro não desapontou. Alberto Contador, a estrela da companhia, fez o que dele se esperava: espalhou classe, ganhou o contra-relógio e conquistou uma vantagem superior a um minuto, renda mais do que suficiente para gerir no último dia. Sylvain Chavanel (Quick Step) repetiu o segundo lugar que já havia conseguido no “crono” da Volta ao Algarve no ano passado. Andreas Klöden (Astana) fechou o pódio da etapa. O anterior camisola amarela, Antonio Colom (Katusha), defendeu-se bem e concluiu o esforço no décimo posto da etapa, o que não evitou a queda para a sexta posição da geral individual. Quem também perdeu posições após a jornada de hoje foram dois homens que ontem estiveram entre os melhores, Bruno Pires (Barbot-Siper) e David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira). O galego é 14º, enquanto o alentejano é agora 27º.
O empenhamento e o bom nível de muitos corredores fazem com que se parta para o último dia com o vencedor praticamente encontrado, mas com muita indefinição relativamente aos lugares que se seguem. Um segundo é a diferença que separa o quinto, Klöden, do quarto, Tiago Machado, que está apenas a um segundo do terceiro, Rubén Plaza, que também dista só um segundo de Sylvain Chavanel, que é o segundo classificado. Com estas margens, é possível que a etapa de amanhã seja aproveitada por alguns corredores para algumas movimentações, que poderão ter por epicentro as duas metas volantes do dia. Menos crível é que a passagem pela Fóia, contagem de montanha de primeira segunda categoria, possa influir no desfecho da prova, já que o alto desta subida está a 60,8 quilómetros da meta, instalada em Portimão, 168,8 mil metros depois da partida, em Vila do Bispo.
A Astana, além da geral individual, lidera a classificação por equipas, 48 segundos à frente da Team Columbia-High Road. No terceiro lugar encontra-se a Cervélo Test Team, a 1m13s do conjunto cazaque. A melhor formação portuguesa é o Palmeiras Resort-Prio-Tavira, no quarto posto, a 1m33s da Astana.
Classificação Etapa
1º Alberto Contador (Astana), 44m05s (Média: 45,868 km/h)
2º Sylvain Chavanel (Quick Step), a 33s
3º Andreas Klöden (Astana), a 36s
4º Tiago Machado (Madeinox-Boavista), a 50s
5º Rubén Plaza (Liberty Seguros), a 59s
6º Tony Martin (Team Columbia-High Road), a 1m04s
7º Bert Grabsch (Team Columbia-High Road), 1m11s
8º Ignatas Konovalovas (´Cervélo Test Team), a 1m12s
9º David Millar (Garmin-Slipstream), a 1m18s
10º Antonio Colom (Katusha), a 1m27s
Geral Individual
1º Alberto Contador (Astana), 14h48m18s
2º Sylvain Chavanel (Quick Step), a 1m06s
3º Rubén Plaza (Liberty Seguros), a 1m07s
4º Tiago Machado (Madeinox-Boavista), a 1m08s
5º Andreas Klöden (Astana), a 1m09s
6º Antonio Colom (Katusha), a 1m23s
7º Tony Martin (Team Columbia-High Road), a 1m57s
8º Simon Gerrans (Cervélo Test Team), a 2m02s
9º Alejandro Marque (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 2m08s
10º David Millar (Garmin-Slipstream), a 2m11s
Grande Boavista e Tiago Machado!
Força aí para amanhã tentarmos o 3 lugar.
Abraço
grande pedro lopes parabens és um campeao