Volta a França: A montanha pariu um sprinter

O alemão Henrich Haussler (Cervélo Test Team) venceu hoje a 13ª etapa da Volta a França, surpreendendo o pelotão com uma fuga de sucesso, numa jornada de média montanha, teoricamente mais propícia aos trepadores do que aos sprinters, categoria em que se enquadra Haussler. Entre os favoritos, assistiu-se a mais uma tirada de tréguas, pelo que o italiano Rinaldo Nocentini (Ag2r La Mondiale) permanece com a camisola amarela no corpo. O português Sérgio Paulinho (Astana) cumpriu com eficiência a função de liderar o pelotão em trabalho para os chefes-de-fila, Alberto Contador e Lance Armstrong.

A história dos 200 quilómetros entre Vittel e Colmar, na região montanhosa dos Vosges, começou a escrever-se com 12 quilómetros de etapa percorridos. Foi nessa altura que se formou um grupo de sete escapados, entre os quais estavam Heinrich Haussler e Sylvain Chavanel (Quick Step), os homens que levariam a iniciativa mais longe. Numa jornada de constantes subidas e descidas, com cinco contagens de motanha ultrapassadas debaixo de chuva, assistiu-se um dia de acumulação de desgaste, mas sem que se visse qualquer movimentação dos homens de quem se espera a luta pela camisola amarela.

Perante a apatia do pelotão, Heinrich Haussler e Sylvain Chavanel pedalaram com motivação, ficando sozinhos na frente da corrida, a 66 quilómetros da meta. Na descida de Platzerwasel, o alemão, conhecedor do terreno em que se corria a etapa, isolou-se a partiu para uma cavalgada solitária de cerca de 45 quilómetros. Apesar da selectividade do terreno, o sprinter da Cervélo, que não se tem visto nas chegadas massivas, ganhou tempo ao pelotão, cortando o risco com mais de seis minutos sobre o grande grupo. Antes do pelotão, chegariam Amets Txurruka (Euskaltel-Euskadi), segundo, e Brice Felliu (Agritubel), terceiro, que se escaparam na parte final da tirada, e um desgastado Chavanel.

Se na classificação geral individual não houve mexidas, o mesmo não se pode dizer das classificações da montanha e da regularidade. Franco Pellizotti (Liquigas) aproveitou um dia mau de Egoi Martinez (Euskaltel-Euskadi) e suplantou o espanhou na luta pela camisola dos trepadores. Na regularidade, Mark Cavendish (Team Columbia-HTC) não resistiu à dureza e deixou-se ultrapassar pelo norueguês Thor Hushovd (Cervélo Test Team).

O único português em prova, Sérgio Paulinho (Astana), perdeu 29 segundos para o pelotão, passando a meta na 74ª posição. Na geral, o medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 é o 40º, a 12m19s do líder.

O pelotão corre amanhã uma etapa de transição, 199 quilómetros com partida de Colmar e chegada a Besançon. O percurso não apresenta grandes dificuldades, sendo de crer que os candidatos voltarão a manter-se recatados, esperando pela tirada de domingo, a segunda com final em alto desta edição do Tour.

CLASSIFICAÇÕES
13ª Etapa: Vittel – Colmar, 200 km
1º Heinrich Haussler (Cervélo Test Team), 4h56m26s (média: 40,480 km/h)
2º Amets Txurruka (Euskaltel-Euskadi), a 4m11s
3º Brice Feillu (Agritubel), a 6m13s
4º Sylvain Chavanel (Quick Step), a 6m31s
5º Peter Velits (Milram), a 6m43s
6º Thor Hushovd (Cervélo Test Team), mt
7º Vladimir Efimkin (Ag2r La Mondiale), mt
8º Bradley Wiggins (Garmin-Slipstream), mt
9º George Hincapie (Team Columbia-HTC), mt
10º Andy Schleck (Saxo Bank), mt
11º Andreas Klöden (Astana), mt
12º Thierry Hupond (Skil-Shimano), mt
13º Jens Voigt (Saxo Bank), mt
14º Christian Knees (Milram), mt
15º Frank Schleck (Saxo Bank), mt
16º Grischa Niermann (Rabobank), mt
17º Nicolas Roche (Ag2r La Mondiale), mt
18º Matteo Tosatto (Quick Step), mt
19º David Loosli (Lampre-NGC), mt
20º Alberto Contador (Astana), mt
74º Sérgio Paulinho (Astana), a 7m12s

Geral individual
1º Rinaldo Nocentini (AG2R La Mondiale), 53h30m30s
2º Alberto Contador (Astana), a 6s
3º Lance Armstrong (Astana), a 8s
4º Bradley Wiggins (Garmin – Slipstream), a 46s
5º Andreas Klöden (Astana), a 54s
6º Tony Martin (Columbia – HTC), a 1m00s
7º Christian Vande Velde (Garmin – Slipstream), a 1m24s
8º Andy Schleck (Saxo Bank), a 1m49s
9º Vincenzo Nibali (Ita) Liquigas a 1m54s
10º Luis León Sánchez (Caisse d’Epargne), a 2m16s
11º Maxime Monfort (Columbia – HTC), a 2m21s
12º Fränk Schleck (Saxo Bank), a 2m25s
13º Roman Kreuziger (Liquigas), a 2m40s
14º Vladimir Efimkin (AG2R La Mondiale), a 2m45s
15º Carlos Sastre (Cervelo Test Team), a 2m52s
16º Mikel Astarloza (Euskaltel – Euskadi), a 3m02s
17º Cadel Evans (Silence – Lotto), a 3m07s
18º Kim Kirchen (Columbia – HTC), a 3m16s
19º Vladimir Karpets (Katusha), a 3m49s
20º Brice Feillu (Agritubel), a 3m56s
40º Sérgio Paulinho (Astana), a 12m19s

10 comentários a “Volta a França: A montanha pariu um sprinter”

  1. O Giro é espectacular mas porque as subidas são curtas e duras e tal como as etapas não dando possibilidades a grandes diferenças na geral , embora no tour deste ano passa-se o mesmo , em que atrasos registados deve-se principalmente ao c/r por equipas e têm havido poucas subidas e a dezenas de km da meta.
    E no Giro é só equipas manhosas cheias de ciclistas com performances duvidosas.
    Continuo a achar que se quem está atrasado não ataca agora só vai é perder ainda mais tempo no terreno de eleição do Contador e de Armstrong e ficar com ainda menos hipoteses de sucesso, mas eles é que são os entendidos !!!!

  2. comcordo comtigo tiago costa isto nao e nada de nada este tour ” que vergonha “

  3. Tambem concordo que tem havido um certo adormecimento da corrida,mas ainda hoje com o tempo que estava qualquer descuido teria sido fatal,podendo pôr em perigo a integridade dos ciclistas(acho que o bem estar dos ciclistas está acima de qualquer espétaculo).Embora esteja de acordo com a maioria dos comentários aqui feitos,acho que deveriamos pôr-nos na pele dos ciclistas por um instante.Da maneira que a corrida foi desenhada se calhar tambem não dá para mais.Continuo a afirmar que o Giro foi mais expetacular,mas o Tour ainda não acabou!Vamos esperar pelo que resta.Por exemplo o actual 17º deverá estar no top 5 no final não?

  4. Que vergonha e esta ? eu tou a sentir me um anormal autentico por tar a ver uma prova tao fraca como ta a ser o tour este ano … ninguem ataca ninguem faz nada … e uma vergonha e por esta e por outras que o ciclismo vai perdendo espectadores enfim… quem sai prejudicado somos nós pq gostaamos de ciclismo e os patrocinadores .
    vergonha

  5. Caro A.C., obrigado pelo alerta para o erro grosseiro, que entretanto já foi corrigido.

  6. não sei como Sergio perdeu aquele tempo , ele vinha na parte final na frente a puxar , furou ou caiu ?

  7. Hushovd fez segundo na chegada do pelotão portanto não é má aposta.
    Gostava de saber o que os adversarios de Contador e Armstrong estão á espera , se calhar deve ser um ataque surpresa em Paris.
    Que pasmaceira de etapa, como têm sido estes ultimos 2000 km até agora

  8. E mais um enorme bocejo e uma sesta bem dormida. Este Tour está sendo patético. Um dia é o calor, noutro é a montanha longe da chegada, depois é por não terem rádio, hoje foi a chuva, ninguém se mexe, nem quando a Astana se mostra um pouco fragilizada, só tendo 4 corredores na frente. Depois da organização ter recuado na questão dos rádios, acho que os ciclistas deviam ter tido mais respeito pela corrida. A organização deveria colocar aquela motorizada na frente do pelotão, como se faz numa das modalidades da pista, para que a corrida tenha algum interesse. A continuar assim aposto no Hushovd para Domingo.

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