Denis Menchov é o vencedor do centenário do Giro [vídeo]

O russo Denis Menchov (Rabobank) sagrou-se hoje vencedor da edição comemorativa dos cem anos da Volta a Itália. Partindo como favorito para o contra-relógio final de 14,4 quilómetros, o russo não se livrou do susto provocado por uma queda, mas nem o acidente o impediu de aumentar a diferença em relação a Danilo di Luca (LPR Brakes-Farnese Vini) e a Franco Pellizotti (Liquigas), respectivamente segundo e terceiro, na geral. O exercício individual, nas ruas de Roma, foi ganho pelo lituano Ignatas Konovalovas (Cervélo Test Team).

Num percurso quase sempre plano, a chuva e os troços molhados de empedrado deram o toque de dificuldade que fazia temer o pior. Danilo di Luca entrou ao ataque, acelerando a cadência e arriscando nos troços mais complexos. Com isso, estabeleceu a melhor marca no primeiro ponto cronometrado, ainda antes do quilómetro 5. Perante o desempenho do principal adversário, Denis Menchov empregou-se a fundo e arriscou mais do que vinha fazendo. O resultado foi concludente logo no segundo parcial (7,7 km): Menchov dera a volta e já ganhava 13 segundos a di Luca. Na meta, a margem ainda foi maior: 21 segundos.

A alta cadência do homem da Rabobank podia ter-lhe valido o triunfo na etapa, já que, apesar da queda, conseguiu ser o décimo classificado, apenas a 24 segundos do vencedor.

Demis Menchov é um vencedor justo da Volta a Itália, pois foi claramente o mais forte na etapa mais complexa de todas: o primeiro contra-relógio individual, com mais de 60 quilómetros e duas contagens de montanha pelo caminho. Depois de conquistada a camisola rosa nesse exercício individual, Menchov, 31 anos, deu mostras de excelente condição física e de grande frieza e inteligência táctica. Soube sempre qual o adversário a marcar e quais os ataques aos quais tinha de responder, nunca gastando um pingo de suor desnecessariamente. A vitória foi ainda mais justa porque o corredor russo esteve quase sempre por sua conta a risco, porque a Rabobank não demonstrou grande capacidade colectiva.

Numa corrida em que foram mais as desilusões do que os grandes desempenhos, há outros cinco corredores que merecem destaque na hora do balanço. Danilo di Luca porque só foi batido por Menchov e porque nunca virou a cara à luta, batalhando com todas as forças pela camisola rosa. Franco Pellizotti por ter conseguido chegar ao pódio e por ter ganho uma etapa de montanha. O espanhol Carlos Sastre (Cervélo Test Team) foi o mais forte em duas das tiradas mais duras e alcançou uma honrosa quarta posição final. Na luta dos sprinters, foi o britânico Mark Cavendish (Team Columbia-High Road) quem mais brilhou, conquistando três etapas, mas Alessandro Petacchi (LPR) também saboreou o triunfo, vestiu de rosa e ainda trabalhou em prol de di Luca.

CLASSIFICAÇÕES
21ª Etapa: Roma – Roma, 14,4 km (C/R)
Média: 46,203 km/h
1º Ignatas Konovalovas (Cervélo Test Team), 18m42s
2º Bradley Wiggins (Garmin – Slipstream), a 1s
3º Edvald Boasson Hagen (Team Columbia – Highroad), a 7s
4º Yaroslav Popovych (Astana), a 11s
5º Marzio Bruseghin (Lampre – NGC), a 16s
6º Giovanni Visconti (ISD), a 18s
7º Dries Devenyns (Quick Step), a 20s
8º Maarten Tjallingii (Rabobank), a 21s
9º Stefano Garzelli (Acqua & Sapone – Caffe Mokambo), a 23s
10º Denis Menchov (Rabobank), a 24s
16º Franco Pellizotti (Liquigas), a 40s
17º Danilo di Luca (LPR Brakes-Farnese Vini), a 45s

Geral Individual
1º Denis Menchov (Rabobank), 86h03m11s
2º Danilo Di Luca (LPR Brakes – Farnese Vini), a 41s
3º Franco Pellizotti (Liquigas), a 1m59s
4º Carlos Sastre (Cervelo Test Team), a 3m46s
5º Ivan Basso (Liquigas), a 3m59s
6º Levi Leipheimer (Astana), 5m28s
7º Stefano Garzelli (Acqua & Sapone – Caffe Mokambo), a 8m43s
8º Michael Rogers (Team Columbia – Highroad), a 10m01s
9º Tadej Valjavec (AG2R La Mondiale), a 11m13s
10º Marzio Bruseghin (Lampre – NGC), a 11m28s

2 comentários a “Denis Menchov é o vencedor do centenário do Giro [vídeo]”

  1. Já nas outras vitórias que o russo teve na Vuelta, nunca teve uma equipa forte. A verdade é que a LPR é que assumiu quase sempre as despesas e só mesmo na etapa do Vesuvio a Rabobank é que teve de trabalhar e comportou-se à altura. Um dos mais belos Giros que vi, em que teve em Danilo Di Luca um incansável vencido. Nunca pensei que conseguisse aguentar-se no 2º lugar mas a verdade é que foi ele que deu brilho a este Giro. A acabar em beleza foi a queda do MEnchov, só espero que o próximo Tour chegue aos calcanhares deste centenário do Giro. Muitos parabéns também a este site pelo grande esforço e excelente trabalho que tem feito.

  2. Adorei o Menchov a atirar a sua bike po chão… Se fosse eu tava bem lixado… Que queda espectacular… Parecia que tava a afzer sky!!!

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