Alaphilippe teve tudo para ser campeão

Os belgas são isso mesmo, são belgas e quanto a isso não há nada a fazer. Os franceses e os belgas têm, desde sempre, uma luta intestina entre eles e, hoje, mais uma vez, os franceses acabaram por levar a melhor, precisamente sobre os belgas e, em especial por ser no seu terreno.

Curiosamente, ou não, a meio do percurso, numa flash interview , Philippe Gilbert , belga e antigo campeão do mundo, contra todos os prognósticos, atirava para o ar que o provável vencedor, o super favorito, quanto a si seria , Peter Sagan. Curiosamente, ou não, Gilbert não deu um palpite num belga. Durante a semana do Mundial, Merckx atirava para o ar a inoportunidade da presença de Remco Evenepoel, como provável elemento perturbador, de uma seleção de um só candidato, ou seja van Aert.

 
Remco Evenepoel , talvez o ciclista mais forte deste Mundial rematou no final : ” Fiz tudo o que Wout me pediu.”

Os belgas, sempre eles, e a sua Comunicação Social já anteviam o título mundial como favas contadas, No final, tudo saiu ao contrário. Sagan perdeu-se no labirinto do pelotão, ele que nem uma etapa ganhou na sua pequena Volta à Eslováquia. Evenepoel foi o melhor équipier belga, não o fosse e tivesse apostado mais em si e, talvez, a Bélgica tivesse sido campeã. Quanto a van Aert estava literalmente afundado,. em várias situações: muito desgastado e sem a explosividade que lhe é reconhecida, com demasiado pressão de todos os lados, e depois demasiado exposto aos seus adversários, que lhe moveram, mais uma vez, uma teia não lhe permitindo a mais pequena veleidade.

Julian Alaphilippe foi o mais forte, o mais inteligente e , talvez, o único que teve um grupo sempre ao seu lado.

Julian Alaphilippe ganhou e bem. Foi inteligente. Resguardou-se para os últimos 25/ 30 kms, onde atacou insistentemente, procurando que italianos e belgas se escudassem uns com os outros. Os italianos com dois sprinters , Colbreli e Nizzolo não tiveram hipóteses de controlar, os belgas só com Stuyven e van Aert ficaram nas covas. Alaphilippe renovou o título mundial com uma facilidade incrível, reduzindo a cinzas todos os seus adversários. No sprint dos vencidos, Dylan Van Baarle e Michael Valgren foram segundo e terceiro respetivamente. Ironia das ironias, nem um belga no pódio, Stuyven acabaria na quarta posição.

Os portugueses mantiveram-se longe dos lugares cimeiros. Rui Oliveira na 39ª posição foi o melhor , Almeida 47º e Nelson Oliveira foi 55º. André Carvalho e Rafael Reis desistiram.