Recordar é viver, onde se fala de João Almeida e Agostinho, com carlos Miranda de permeio

Águas Mornas: Joaquim Agostinho
Joaquim Agostinho e o jornalista Carlos Miranda , uma cumplicidade única e um paradigma do jornalismo desportivo.

Em tempos idos , em que o jornalismo era pluralista e dedicava um espaço generoso aos atletas de outras modalidades, que não só o futebol, o ciclismo com as crónicas de Carlos Miranda, em A Bola, ou de Homero Serpa nas suas narrativas do ciclismo nativo, cativou a atenção de milhões de portugueses, muito em especial os emigrantes, que viam em Joaquim Agostinho o melhor embaixador de Portugal.

Joaquim Agostinho e o jornalista Carlos Miranda - Camarote Leonino
As primeiras páginas de A Bola eram invariavelmente assim. Pluralistas

Depois de Agostinho seguiu-se Acácio da Silva, sem o mesmo entusiasmo e depois veio um vazio, ocupado por Rui Costa, que atingiu o seu apogeu com o título mundial, mas nunca teve a popularidade dos nomes atrás falados. Mesmo assim, os triunfos de Rui Costa, na Suíça, eram vividos com grande entusiasmo por parte da comunidade lusa deste país.

6 de Janeiro 1927 – Nasce Homero Serpa | Clube de Futebol "Os Belenenses"
Homero Serpa acompanhava todas as provas nacionais, sempre com o seu motorista Fernando Primo, como anfitrião

O Luxemburgo, em que , quer o Boavista quer o FC Porto já participaram na sua Volta, tem milhares e milhares de portugueses emigrados e talvez por isso, o êxito de João Almeida foi importante, um triunfo que não foi devidamente aproveitado pelos políticos deste país, muito menos pelos jornalistas, mas o foi com toda a certeza, pelos milhares de trabalhadores portugueses que viveram momentos de orgulho em serem portugueses.

Impressionante o apoio que recebi de todos os portuguesas! Espero vos ter feito sentido tão bem como me fizeram sentir a mim! Botámos Lume a semana toda! ? OBRIGADO!! ” assim sentiu João Almeida o apoio dos portugueses .

Por cá, falta a A Bola e a outros jornais desportivos, as sabedoras crónicas de Carlos Miranda e as narrativas de Homero Serpa, algumas delas verdadeiras obras de literatura que deleitavam todos quantos liam e reliam as suas crónicas, para narrarem as façanhas dos nossos desportistas e a sua interação com as diversas comunidades portuguesas.

” Os relatos de Carlos Miranda em “A Bola” fazem-me saltar as lágrimas várias vezes. Aquelas letras carregadas de dor, emoção, admiração e reconhecimento transformaram Carlos Miranda no vate moderno cujos epinici não cantaram a glória da vitória desportiva mas a glória do humano sublimado.” – excerto de uma crónica de José Augusto Santos, publicado neste jornal.