às voltas pelo ciclismo

Em Sernancelhe, foi fim de semana de campeonato nacional, dividido entre as provas de contrarrelógio que, para além de Cadetes e Juniores, também contaram com os escalões femininos, e as provas de fundo de Cadetes e Juniores.

Uma zona interessante, que proporcionou um campeonato duro, com uma boa organização.

Mas, como em várias zonas do interior do país, o alojamento obrigou a uma dispersão de equipas e de meios. Seria mais interessante uma maior concentração, porém, nada que não se resolva. Haja interesse das autarquias e o ciclismo vai lá, como nenhuma outra modalidade vai. E, neste contexto, que bom é reparar no interesse das populações locais por aqueles momentos de animação que o ciclismo leva à porta de cada um.

Do nacional em si, como sempre foram os nacionais destes escalões, embora por vezes sucedam surpresas, há sempre uma boa dose de previsibilidade.

E, se nos Cadetes, ainda conseguimos ter alguma emoção, nos Juniores, esvai-se por completo. Volto a dizer o que já disse muitas vezes, e com cada vez menos remorsos. Na formação, são contraproducentes, as equipas com um só escalão, que não tenham, nem antecedência formativa, nem continuidade formativa. A não ser que seja uma equipa de Sub-23, essas sim, fazem falta. De outra forma só estão a atrapalhar quem tenta fazer formação.

Às vezes, parece que andamos todos iludidos. E quem tiver dúvidas ou curiosidade, veja onde começaram, e foram ensinados, o Ruben Rodrigues, o António Morgado e o Gonçalo Tavares, e o que seria de algumas equipas, se não fossem as equipas de origem que os ensinaram, de facto, a andar de bicicleta, e que fazem (ou fizeram…) um esforço enorme para manter todos os escalões formativos ou, pelo menos, a maioria.

E quão injusto é, quando deveria ser tudo mais ou menos igual, alguém defrontar uma equipa com um orçamento apenas para um escalão, tantas vezes superior, ao de outra equipa que mantém sete escalões. E se tivéssemos todos só um escalão?! Que diria a Federação?

Bem, não chovendo (outra vez) no molhado, saudemos as conquistas portuguesas na pista. Não porque os atletas ou os treinadores sejam melhores agora do que há trinta anos, mas porque as estruturas federativas mudaram bastante, o que tem sido um contributo decisivo para estes sucessos. E a verdade, também, é que os atletas têm sabido aproveitar o que têm cada vez mais à disposição. É preciso, no entanto, não cair no caminho da tentação, porque, doa a quem doer, essencialmente, o que mantém essas boas perspetivas na pista ainda não deixa de ser o ciclismo de estrada, sobretudo a nível de financiamento.

Mudando de vertente, há uns tempos, via o Campeonato da Europa de XCO. O que quero salientar é o percurso. Do ponto de vista do espetador, motivador, pouco maçador, competitivo, bonito. Nada daquelas modernices de rock gardens e afins. Deu-me vontade de pegar outra vez na minha bicicleta de montanha. Mas só vontade!
Com algum simbolismo histórico, dentro em breve teremos a primeira edição da Volta a Portugal para femininas. Que sorte têm as jovens que correm agora e, no fundo, que azar tiveram as boas ciclistas que tivemos no passado, ainda que um passado muito recente. Sem ser preciso recuar muito no tempo, que bom naipe de corredoras gostaria de já ter visto a disputar uma competição semelhante.
Luís Gonçalves

One thought on “às voltas pelo ciclismo”

  1. Percebes tão pouco de ciclismo, muito bom na escrita de ciclismo zero .
    Sabes lá tu o orçamento da equipa da bairrada mas se quiseres colocar aqui algum dinheiro para pagar contas .
    Henrique Luís queiroz

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