A placagem de Fábio Costa

As quedas fazem parte do ciclismo. Ainda hoje, no Tour, a maior de todas as corridas, à margem do sucesso de Cavendish, as quedas marcaram uma posição importante nos ciclistas que continuaram em prova.

Mas há quedas e quedas. Há aquelas que são inevitáveis. E há aquelas que, por mais que tentemos olhar para elas com algum olhar condescendente por tentarmos compreender o que passou pela cabeça dos ciclistas, o certo é que não conseguimos.

Por estes dias, estive na etapa da Volta a Portugal do Futuro que terminou em Águeda, conto estar em Fafe, no Minho, com os Juniores e, um pouco mais tarde, com os Cadetes, na Volta a Cantanhede. Pelo caminho, com sorte, talvez consiga dar um salto a Torres Vedras, com os profissionais. No fundo, o que tenho feito nos últimos vinte e cinco anos.

Em Águeda, na meta, a todos nos foi dado a ver a queda na recta final. Confesso que no local “apenas” me apercebi de uma grande confusão, do interregno de comentário do nosso camarada Teixeira Correia, que terá ficado impressionado, ou, em alternativa, na dúvida sobre o que tinha acontecido com tanta rapidez e, com a subsequente passagem de ciclistas, na melhor das hipóteses, esfarrapados.

Só posteriormente, vi as imagens. E por mais que nos queiram convencer do contrário, as imagens não são nada abonatórias para o Fábio Costa.

O pensamento até terá sido irreflectido, sem intenção de provocar uma queda, mas é evidente em negligência, com alguma possibilidade de intenção. Quem me mostrou as imagens foi alguém que sabe de ciclismo, foi ciclista, tem e terá inevitavelmente mais anos de ciclismo do que alguma vez o Fábio Costa terá, e classificou o acto como: “placagem”!

Sabemos que o sprint é um momento difícil. Sabemos que há sempre alguma manha de “fecho” dos principais concorrentes, mas também sabemos que não pode existir tanta ostensividade de movimentos.

Por mim, na minha convicção com alguma sustentação, não considero quem me diga que no fim de uma etapa destas que o oxigénio no cérebro dos ciclistas não é o mesmo. Por certo, nunca será o mesmo. Mas, para um ciclista, de uma equipa profissional, que sempre tem tido as melhores valências para competir, com qualidade individual inegável, integrado num pelotão em que mais de metade são estudantes e praticam ciclismo por gosto e carolice, ao fim de uma etapa simples, se não consegue distinguir o que pode, ou não pode fazer num sprint, mais vale encostar já a bicicleta. Ou por outra, o que poderia fazer, numa etapa do Giro, do Tour, ou sequer da Volta a Portugal!

Já não estamos no tempo destes desvios. Todos os vemos. Se tanto criticámos, alguns, o Dylan Groenwegen, não podemos pactuar com este sprint que só não teve consequências piores por mera sorte.

Pese embora considere quem tenha entendimento diferente, por mim, teria de existir uma penalização severa (com alguma severidade…) ao Fábio Costa. De outra forma, todos os ciclistas entendem que podem fazer o mesmo. E não podem.
Luís Gonçalves

6 thoughts on “A placagem de Fábio Costa”

  1. Sr. Carlos Pereira, este ciclista não pode continuar na equipa. Muito mau para a equipa ainda por cima numa chegada em Águeda. Total irresponsabilidade.

  2. A própria equipa deveria ser a primeira a impor um severo castigo.
    Se em jovem já faz isto, nem quero imaginar no futuro.

  3. Caro Sr. Carlos Pereira, para nós, leitores, seria mais útil se apresentasse o ponto de vista da equipa/atleta face ao sucedido. Do que percebi na crónica do site oficial da equipa, aquele movimento foi o ciclista a “posicionar-se para a vitória”. Uma vez que não se assume qualquer erro, presumo que o atleta e a equipa consideram correta aquela movimentação,

  4. Não sendo paraquedista, mas ainda assim não ter ido à “tropa”, concordo plenamente com a opinião do Luís Gonçalves.

    O perigoso movimento do Fábio Costa, que pode até ter sido maximizado pelo facto de estar em fase aeróbica alática, mas demonstra um treino apurado para deitar a concorrência ao chão. Treino esse provavelmente realizado há muitos anos… o que nos leva a refletir sobre o papel da formação no ciclismo.

    A queda não levou a danos demasiados grandes, mas os comissários e a Federação não podem deixar este caso passar em claro.
    A bem do Ciclismo. A bem do Fairplay

  5. Estimado Luís Gonçalves o seu comentário estapafúrdio ( para não lhe chamar outra coisa ) denota uma total ignorância em relacão á modalidade , o Sr esteve onde ?? Caiu agora de pára-quedas ? ? Por favor faça críticas construtivas …..porque ignorantes e bota abaixo , que nunca souberam o que é alta competição que nunca fizeram nada pela modalidade já existem cá muitos ! Respeite os jovens ciclistas que com ânsia de darem o seu melhor podem cometer erros !!Só não erra quem nada faz !!! Bem haja

  6. Apos ler esta noticia tive o cuidado de ir ver as imagens e realmente nao se percebe o que tinha o ciclista Fábio Costa na cabeça, olha para a direita e vê que ia ser ultrapassado e a meu ver com toda a intenção altera a trajetória provocando a inevitável queda. Neste tipo de situações deveria de facto haver penalizações, ate para os ciclistas, neste caso o ciclista em causa aprender e nao voltar a cometer o mesmo erro no futuro. Se fosse Rugby ou Futebol Americano, ai sim, seria uma boa “placagem”

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