Saudades do Minho!

Lembrei-me do Tour de Flandres. Não é que seja difícil para quem gosta de ciclismo lembrar-se do Tour de Flandres, sobretudo, quando estamos “em cima” desta competição. Não é que este ano seja isso, mas, para além do evidente espetáculo competitivo que sempre nos proporciona esta prova, dos maiores que podemos ver na modalidade, nunca é de descurar a envolvência de público, genuína, que tradicionalmente acompanha o evento.

Depois, lembrei-me do Minho. Do nosso Minho. O meu pai é minhoto, do Minho profundo (Vilar da Veiga, poucos sabem, mas, a sede de freguesia da vila do Gerês!) e, das mais gratas recordações que tenho, são do Minho e do seu espírito. Pese embora, também ter extraordinárias memórias do interior Sul do país (do lado materno) continuando a manter viva a prática e aumento de ambas as memórias, mesmo à distância do Minho e do interior Sul.

Voltando só ao Minho, sempre foi o espírito festivo das gentes que mais me atraiu. No Minho, um arraial, precisa de um presunto, bom pão, um pipo de vinho generoso, boas malgas partidas, um acordeão, de preferência um bombo sonoro, meia dúzia de foguetes e não mais de meia dúzia de minhotos. Se forem mais, deixa de ser um arraial e passa a ser a p(…) de uma festa! E o ciclismo é uma festa, às vezes, também, uma p(…) de uma festa!

Já conhecia o espírito. Mas acabou por ser no ciclismo que com mais evidência me apercebi desta generosidade. Deste os tempos em que tinha a mania que era ciclista, sobretudo no XCO, aos já de certa forma largos tempos que levo como dirigente em várias vertentes, se há coisa que normalmente me agrada é ter uma corrida no Minho.

Não é que desgoste do resto do país (até moro na Beira Litoral, perto do Porto, e sou, por então lugar conveniente de nascimento, Ribatejano, por pouco, de Castro Verde). Sempre me senti muito bem no país inteiro, mas, cada zona tem a sua característica própria, e há uma autenticidade no Minho que às vezes não encontramos noutros pontos do país.

Ao lembrar as corridas do Minho, dei, ainda mais, pela falta das corridas. É sempre assim. Quando temos um calendário ocupado, exasperamos e resmungamos, mas quando não temos, definhamos. É uma espécie de substância viciosa, boa. No real saldo, percetível só a quem anda por cá e evidentemente incompreendido por que desconhece estas vontades, o que nos faz falta, são corridas e a correria das corridas. As saudades que eu tenho do Minho…
Luís Gonçalves

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