O dia D, de muitos…

O próximo dia 11 de Abril parecerá o dia D para o ciclismo português, versão época 2021. É verdade que já no da anterior teremos de dar considerável atenção à competição dos Sub-23, mas, apesar de tudo, para a generalidade do público, o dia D será o dia do ciclismo profissional.

No embalo, foi recentemente e de forma oficial divulgado o calendário previsto para a época 2021. Um calendário coerente, de certa forma ambicioso, e que acaba por reflectir medidas, algumas delas já sobejamente faladas aqui e que no fundo são de razão geral, como estender a época para lá da Volta a Portugal, sem desconsiderar os tradicionais e úteis circuitos, com provas que consigam atrair atenção, evitar demasiados períodos sem competição, ou, alargar um pouco o calendário de provas dedicadas só ao escalão de Sub-23.

Como já foi dito o calendário demonstra de facto alguma ambição. E não vem mal nenhum ao mundo por isso. Bem pelo contrário.
No entanto, é preciso considerar que essa ambição não deixa de estar pendente de diversos factores que podem trair os organizadores. Teremos logo aqui à cabeça as contingências da DGS, que se vão manter, e a dependência demasiada dos organismos locais de gestão de saúde que não têm sido coerentes na definição de normas e medidas. Começam a parecer quase grupos mercenários, cada um defendendo as suas ideias como bem entende, em claro prejuízo da certeza e segurança no procedimento e na inerente decisão de que quase todas as actividades carecem.
E, no contexto, muito a reboque, ou não, dos delegados de saúde locais, aparecem os autarcas que, ou se submetem à vontade e força do estigma, às vezes exagerado, da saúde pública, ou, pelo seu próprio pé assumem que as actividades culturais e desportivas têm de continuar a ter o seu caminho, com regras, mas com caminho aberto.

Bem, e no caso das provas do próximo ano, já sabemos, é aliás um problema que vem de trás, ser cada vez mais difícil ser organizador. As contingências Covid vieram aumentar essa dificuldade. Mas as contingências Covid, também não deverão servir de justificação para tudo. Há planos e normas que foram definidos já a pensar nestas novas circunstâncias e onde houve já alguma cedência por parte de equipas e ciclistas. Convinha que pelo menos o que está definido fosse cumprido, ou fosse, pelo menos, negociado.

Os tempos serão diferentes e difíceis. Mas, pese embora serem diferentes, continuam-se a penalizar os do costume. Como dizem os bons portugueses, ao menos que se “divida o mal pelas aldeias”. E há algumas aldeias que dependem, só, da relação com o ciclismo onde não consta que lhes tenham batido muito à porta. Já o disse há cerca de um ano, é, nomeadamente, uma boa oportunidade para alguns comissários demonstrarem de facto a sua paixão, que tanto apregoam, pela modalidade.
Luís Gonçalves

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