O maná belga

Através da Flandres foi sempre uma clássica secundária, no panorama internacional, contudo, com a maior mediatização do ciclismo, por força única e exclusiva da Eurosport, e com a rarefação do calendário por força da pandemia, algumas provas ganharam um estatuto especial.

O organizador desta e de mais seis clássicas belgas, as mais importantes, a Flanders Classics, montou um esquema que joga em várias frentes, em termos de receitas próprias. Primeiro tem direitos de imagem televisivos, que lhe permite ainda passar notoriamente os seus patrocinadores. Depois tem um filão importante que são os chamados VIPS, pessoas loucas por ciclismo que pagam um balúrdio, só para estarem por dentro da prova. Tomam o pequeno almoço, almoçam, têm visitas guiadas, acesso às paddocks , uma série de mordomias que são bem pagas e que proporcionam uma receita considerável ao organizador. Paralelamente, este mesmo organizador negoceia um pacote publicitário comum a todas as suas sete provas, que lhe proporciona outra monumental receita. Por tudo isto o ciclismo belga é rico. Melhor dizendo, não por tudo isto, mas porque tem um público louco por ciclismo que envolve as estradas com multidões e proporciona audiências incríveis em termos televisivos. O ciclismo vive, pois em alta, muita acima das suas possibilidades e, mesmo nos tempos que correm, sem público nas estradas, e sem os chamados VIPS nas partidas e chegadas, os belgas – da Flandres – diga-se em abono da verdade, continuam a mandar no ciclismo europeu, chamando a si, o epicentro da modalidade que, em termos de Europa, só o País Basco rivaliza em termos de aficion pelo desporto das duas rodas. Só que os bascos não conseguiram inventar esta máquina de fazer dinheiro. Ficaram-se pelo seu gosto pelo ciclismo.

No que este artigo deu, Íamos começar a escrever sobre a prova belga que hoje se disputou e deu nisto. Vamos para outra página falar sobre a prova.