E o …burro sou eu ?!

O ciclismo tem andado por todo o lado. Durante a semana passada em Itália e na França com duas das mais carismáticas e tradicionais provas do ciclismo mundial, mas também, por outras paragens.

No fundo, desde Janeiro de 2021, o circo do ciclismo já percorreu grande parte dos continentes disponíveis para a prática velocipédica, ora sob a forma de campeonatos nacionais, tradicionais nesta altura do ano em determinados países e continentes, ora sob a forma de provas de um dia, ou por etapas. Podemos dizer que o Worldtour, tem já um calendário bastante razoável e, pelo menos por enquanto, adivinha-se uma época que pode ser frutuosa. Também outros calendários começam a ter séria forma, com países a não se deixarem ficar para trás.

É evidente que continuam a existir algumas contingências organizativas. Todas as semanas há publicações sobre normas de conduta e normas sanitárias em prova. De momento, o importante é que as cumpram para que o ciclismo não pare. Neste campo, a modalidade tem dado excelentes exemplos disso por todo o lado.
Nestas coisas de acompanhar o calendário internacional, nestes tempos intrigantes, saltou à vista a Croácia. País de fundação relativamente recente, mas com origens ancestrais, tem apostado na sua dimensão turística, como país mediterrânico, de praias, mas também com montanhas e com história. Nota-se que a Croácia, como outros países, têm usado o ciclismo como veículo publicitário. E talvez esteja a funcionar.

Por estes dias, desde o início de Março, na Croácia, realizaram-se provas de um dia e, mais recentemente, uma prova por etapas. Nesta, marcaram presença várias equipas do circuito continental, nomeadamente, algumas equipas de desenvolvimento associadas a estruturas Worldtour. Naturalmente que a prova não teve a dimensão, nem a publicidade, do Tirreno-Adriático, nem do Paris-Nice. Em boa verdade, a esta escala, nenhuma teria.

Mas o que é importante realçar é que na Croácia, há desporto, há ciclismo. Talvez o Estado croata não seja tão paternalista! Talvez os croatas, que são de ideologia bem mais vincada que outros povos, já não embarquem nessa cena do paternalismo. Talvez noutros países se estejam a habituar demais, e de novo, ao paternalismo do Estado.
E repare-se. Na Croácia, para além de uma incidência Covid idêntica à de outros lados (porque quando decidirem que isto chegou ao fim, os dados gerais, à proporção, serão idênticos em todos os países civilizados), em fim de Dezembro de 2020, tiveram um terramoto, numa escala abastada, e que provocou graves danos ao país, nomeadamente perda de vidas humanas e ainda mais sobrecarga de serviços de saúde.

Ainda assim, num quadro que noutros países originaria, nem se sabe bem que estado (teriam de inventar outro estado, porque nem o estado de sítio chegaria…), na Croácia, há desporto, há ciclismo. Obviamente com regras, mas há. Ai Scolari, Scolari, afinal o “burro” não eras mesmo tu!
Luís Gonçalves