Desporto à distância e os apelos à modalidade

Assisti hoje, por inerência, a uma reunião de professores de um agrupamento escolar deste país. O tema, o da moda, a tentativa de ensino à distância. Já estava preocupado. Só fiquei, evidentemente, mais preocupado. Tudo genérico, do Ministério às escolas, muitas recomendações, poucos actos concretos e em coerência nacional, sem dúvida, o salve-se quem puder. E, como sabemos, só se salvarão os do costume.

Daqui, também nos escalões de aprendizagem, partimos para o desporto à distância. Por enquanto, fatídicamente, é também o que nos resta. E como podemos nós ensinar um jovem que não faz a mínima ideia do que é o ciclismo e uma bicicleta, porque nos chegou agora à modalidade, no desporto à distância?

A resposta é simples. Não podemos. Ou por outra, ficaremos sempre imensamente limitados. Naturalmente que o que faz mais falta é pedalar e pedalar em grupo, em contexto real e não virtual.

Evidentemente, que o imediatismo, sempre foi o essencial em qualquer processo de aprendizagem. Quando começarem as corridas, preparamo-nos para lançar jovens a um pelotão, quando nem sequer andaram em grupos durante tempo suficiente para garantir o mínimo de aprendizagem. Um dos vários perigos do desporto à distância. Talvez até seja dos menores, já que, apesar de tudo, significa que estes jovens ainda estão no ciclismo e ainda têm vontade de continuar e, aprender…

É depois preciso que os vários agentes da modalidade tenham alguma paciência adicional com estes jovens. Os regulamentos que existem estão feitos para atletas que estão a ter uma formação “normal”. Teremos de ter todos consciência que isso não é assim. As discrepâncias dos que já sabem o que é competir e dos que não sabem, já era evidente, mas, num futuro bem próximo, será ainda mais evidente. Treinadores, dirigentes, federação e comissários, terão de perceber um novo contexto. E os comissários, em prova, terão de perceber isso de forma bem vincada.

A nível federativo é preciso continuar a manter o apelo pela modalidade. Todas as modalidades têm perdido jovens, é certo, mas não podemos cair na resignação. As equipas, como nunca e sem estar nada fácil, vão fazendo os seus esforços. No caminho, o Estado, agora governado, só, por epidemologistas, vai-se demitindo de tudo.

No contexto do apelo à modalidade, será um pequeno passo, mas, não podemos deixar de elogiar a Associação de Ciclismo da Beira Interior (de novo, até parecendo que terei algum interesse! Mas não. Até pertenço a orgãos sociais de outra associação.) porque para além de organizar eventos virtuais de ciclismo (que detesto, mas…) lançou um programa, próprio, de apoio à equipas de competição da sua área, sem discriminações em anos de inscrição. Apoio financeiro, até um limite de duzentos euros (julgo), o que para uma esmagadora maioria das equipas de formação não deixa de ser significativo e sempre bem vindo.
Luís Gonçalves