Será o ciclocrosse modalidade olímpica em breve ?

O ciclocrosse é uma questão resumida a dois países, onde estão radicados os melhores especialistas do mundo, e onde está centrada alta finança da modalidade. Em especial na Bélgica, o ciclocrosse é uma disciplina desportiva de grande impacto mediático, com organizadores fortes, com transmissões em direto, com direitos de imagem super valorados e com público, muito público.

Naturalmente que este ano, alguns destes aspetos ficaram aquém do esperado, em especial a ausência do público e das festas e tendas VIP à volta de cada uma das provas. Mas, mesmo sem as receitas do público, uma média de vinte mil espetadores por prova, com entradas pagas, as provas conseguiram resistir.

Com a UCI a fazer força para a integração da modalidade nos Jogos Olimpicos de Inverno, e com o COI a apregoar que falta neve nas provas, para ser um desporto de inverno, o certo é que a modalidade também tem esta dificuldade de se mundializar, em parte talvez, pelo escasso e diminuto tempo da sua época, normalmente entre outubro e janeiro.

Poucos são os países que trabalham com espirito de seleção, com o fazem a Holanda e a Bélgica, e apesar de aparecerem novos ciclistas de novos países, como por exemplo Thomas Pidcock da Grã Bretanha , são casos isolados, como o é o espanhol Felipe Orst por exemplo. Mas a modalidade avança em termos de abertura a novos países, com destaque para a Grã Bretanha e Estados Unidos .

Com poucos participantes competitivos, cerca de uma dezena competem para um lugar no pódio, as alternâncias são pequenas. No setor masculino, Van Aert e Van der Poel dominam, transferindo para o crosse as suas lutas épicas na estrada ajudando a mediatizar a modalidade. O resto é o britânico Pidcock, o holandês Lars Van Haar. Os belgas dominam depois com Toon Aerts, Michael Vanthourenhout, Ely Iserbyt.

Se no setor masculino os belgas levam domínio, pelo menos em quantidade numérica expressiva de um leque alargado de bons ciclocrossistas , já no setor feminino passa-se o contrário. São as holandesas que dominam, não dando hipótese à concorrência , imitando o pódio de 2020, neste ano pandémico, com todos os degraus pintados de cor de laranja. O número de holandesas em termos qualitativos é tão grande, que dão-se ao luxo de alternarem nomes , deixando para trás ,este ano, por exemplo a campeão do ano passado Alvarado.

Lucinda Brand, Annemarie Worst, Denise Betsema, Kastelijn e Alvarado não dão hipóteses à concorrência. E a saga parece continuar já no escalão sub-23, onde as belgas já apresentam, uma mais valia.

Tudo isto vem a propósito que enquanto a modalidade se reger apenas por Mundiais, e sem ciclos olímpicos, serão belgas e holandeses a mandar, pelo menos enquanto o ciclocrosse não for modalidade olímpica.

Por cá, pelo nosso país, nem Campeonatos Nacionais nem provas. O ciclocrosse bateu no fundo.