Algarve: o melhor é esperar pela decisão final

As equipas portuguesas receiam nova crise, com a entrada de novo confinamento , as duvidas aumentam quanto à exequibilidade do calendário competitivo.

Já com um calendário, em situação normal, deveras insuficiente, teme-se que algumas das provas já anunciadas possam, eventualmente não se realizar. Com a entrada do confinamento, a Volta ao Algarve, quer autarquias quer a Região de Turismo querem receber a prova na data prevista , mas ainda não há luz verde oficial, por quem mais manda neste momento: a Direção geral de Saúde.

Enquadrado na área do desporto profissional , o ciclismo tem vantagens e desvantagens em relação ao futebol profissional, área que o Governo autorizou funcionar sem público. Se no futebol fazer um jogo à porta fechada é relativamente fácil de organizar, já no ciclismo a ausência de público é mais difícil e onerosa. Mas, tendo em conta a evidência do que foi a Volta a Portugal e o Prémio J. Agostinho, só muito dificilmente alguém poderá vetar a realização da prova , pois ao longo da sua realização foi possível verificar o enorme grau de responsabilidade de todos os seus participantes .

Um outro ponto positivo, é o facto de todos os intervenientes serem portadores de um teste Covid, e o rigoroso protocolo estabelecido pela UCI e pela FPC claramente apontam para uma igualdade de processos utilizados pelo futebol. Ora, se o futebol tem luz verde, o ciclismo à lei da tão propalada democracia e igualdade de direitos, que ultimamente tanto apregoam os nossos políticos, só por manifesta má vontade a prova não se realizará.

Voltamos, a um tema importante, que é a presença de 25 equipas, número exagerado para esta situação, mas o afluxo de equipas com os seus ciclistas e auxiliares poderão ser um balão de oxigénio para um turismo em grande dificuldades, constituindo a realização da prova, também, um enorme contributo para a divulgação do Algarve, numa altura crucial para a sua promoção.

Poder-se-á argumentar, comparando com o futebol que teremos deslocações de equipas de terra para terra, mas aqui também o ciclismo tem bons argumentos: primeiro porque cada equipa fica alojada no mesmo hotel ao longo da prova, ou seja não há mudanças de hotéis, constituindo uma bolha em que não há entrada de pessoas estranhas a essas mesmas equipas. No caso do futebol, as deslocações sucedem-se também, de terra para terra, com as equipas a serem alojadas nos hotéis, utilizando o mesmo processo do ciclismo.

Por último, se o ciclismo teve dificuldade em demonstrar por A+ B que tudo seria possível organizar sem perigo para a comunidade e para os intervenientes do espetáculo, quando foi da aprovação da Volta a Portugal, agora será mais fácil argumentar dados os bons procedimentos adotados, em especial na Volta a Portugal.

A única vantagem do futebol é o facto de todas as equipas serem nacionais, ficando-se sem saber, por exemplo, se as equipas estrangeiras de ciclismo terão possibilidades de circulação nos diversos países europeus e não sejam obrigados a períodos de quarentena. Mas o melhor é esperarmos pela decisão final.

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