Seja bem vindo, quem vier por bem

O mundo do ciclismo internacional foi surpreendido com a recente noticia da parceria entre a Polaris Sport, daquele que é apontado como o maior agente do mundo do futebol -o português Jorge Mendes, e a Corso, do também português João Correia – que tão importante tem sido no desenvolvimento do ciclismo português. Nessa parceria a Polaris passará a promover os ciclista portugueses João Almeida e Ruben Guerreiro, que estiveram em foco no recente Giro de Itália.

A entrada de Jorge Mendes no mundo do ciclismo significa em primeiro lugar que o ciclismo enquanto espetáculo desportivo está em alta, como há muitos anos não acontecia. E não é só em Portugal que devemos reparar, é na Europa e subsequentemente no mundo. O ciclismo teve em 2020 uma visibilidade significativa. Primeiro porque conseguiu levar a cabo as suas maiores provas, no mundo e também em Portugal, Tour, Giro, Vuelta e em Portugal a Volta, mas também, e principalmente, porque houve espetáculo, drama, suspense e novos heróis. E estas características levam a que o mundo, também porque outros desportos e eventos foram cancelados, ocupasse o espaço mediático que é finito e normalmente ocupado em primeiro lugar pelo futebol e o restante dividido por muitos.

Assim é compreensível o interesse do empresário Jorge Mendes no ciclismo e mais normal a sua entrada e investimento inicial em ciclista portugueses, o que lhe permitirá um investimento com menos risco e seguramente a possibilidade de ir conhecendo melhor o negócio ciclismo.

No mundo dos negócios há que estar sempre atento às mudanças do mercado e levar os negócios para onde poderão aparecer mais retorno e mais lucro. O futebol apresenta-se no mundo e em Portugal com uma posição dominante de mercado no espectro mediático. Em Portugal essa dominância assuem quase contornos ditadoriais. Aliás se me permitem a roçar a dupla ditadura. Não basta gostar e seguir o futebol. Há que ser sempre ou do Benfica, ou do Porto ou do Sporting. O futebol sufoca tudo e o Benfica, o Porto e o Sporting todos. Quase não há espaço para outros clubes futebol e muito menos para outros desportos.

Tendo em conta que muita vezes nos negócios quem entra no espaço da concorrência nem sempre trás bons motivos – são conhecidas as OPAs a empresas cotadas na Bolsa com o único objetivo de acabar com a concorrência – ficamos com alguma reservas sobre este movimento de Jorge Mendes, que sempre foi em primeiro lugar um homem do futebol.

No entanto e como ciclista há que sempre ser positivo, acreditar no bem e que sempre depois de uma montanha está a meta ou uma boa descida. Pois seja bem vindo quem vier por bem.

Paulo Vaz

3 thoughts on “Seja bem vindo, quem vier por bem”

  1. Mais um artigo claro e completo!

    Este ano acredito que pela primeira vez muitas pessoas tiveram mais interesse no ciclismo (quer na televisão quer ao vivo) do que em assistir a um jogo “aborrecido” de futebol.

    O Jorge Mendes como pessoa inteligente que é rapidamente percebeu isso e está a investir num desporto com futuro.

  2. Excelente artigo com uma visão positiva de quem gosta do ciclismo e o quer promover

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