Ciclismo- o desporto do século

Na semana passada foi anunciada a parceria entre a Agência Corso licenciada pela UCI com sede na Alemanha e a Polaris Sports empresa dedicada a gestão de Imagem e Marketing de desportistas, detida pelo nosso conhecido Jorge Mendes, considerado um dos mais prestigiados e influentes agentes desportivos. Agente desportivo FIFA, com a sua empresa Gestifute, a deter os direitos de gestão de carreiras de inúmeros atletas de grande renome no futebol e não só, como é o caso de Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, James Rodrigues, entre dezenas de outros ou do treinador José Mourinho ou até mesmo da estrela da Ferrari, Charles Leclerc.

A Corso é detida pelo luso-americano João Correia e dos alemães Andreas Stauff e Ken Sommer. Entretanto Sommer deixou de ter a licença no final de 2020. Esta Agência tem em carteira 26 ciclistas, entre os quais os portugueses, João Almeida, Ruben Guerreiro, os gémeos Rui e Ivo Oliveira e André Carvalho um jovem famalicense de apenas 23 anos que assinou este ano pela Cofidis. Além destes portugueses a agência tem contrato com Tao Geoghegan Hart, o recente vencedor do Giro de Itália de 2020, Mads Pedersen campeão mundial de estrada em 2019 e ainda Mikkel Bjerg (UEA), Soren Kragh Andersen (DSM) ou Michael Valgren (EF).

Além da Corso, existem atualmente a operar com licença UCI mais 32 agências. As mais importantes do mercado são as seguintes: Isea Sport Management (belga) que representa 43 corredores, tendo como figura principal, Wout van Aert. A suiça A&J All Sports, com 36 corredores agenciados, entre os mais conceituados está o italiano Vincenzo Nibali e a fechar o podium, a Agência de Giuseppe Acquadro o espanhol que representa 32 ciclistas, a maior parte deles de grande gabarito, tendo como cabeça de cartaz o colombiano Egan Bernal. A Velofutur, empresa do espanhol Juan Campos Otero representa, entre outros Hugh Carthy e Sergio Higuita ambos da EF. No total das 33 agências estão cerca de 482 ciclistas, masculinos e femininos.

A maior parte destas Agências limitam-se a negociar contratos dos ciclistas, mas não gerem a carreira deles na sua vertente extra-desportiva. Há dois ciclistas que não têm contratos com Agências de Ciclismo UCI: Alejandro Valverde que é agenciado por um agente de futebol, António Sanches e Chris Froome que tem como seu empresário a sua própria esposa. É claro que haverá muitos mais ciclistas sem agente e conseguem sobreviver como profissionais. Mas é claro que não terão acesso seguramente às melhores equipas e aos melhores ordenados.

Como bem dizia o presidente da UCI no final do ano passado, aquando do lançamento da «Agenda 2022», o ciclismo é um desporto com futuro. E não temos dúvidas que sim. Para isso vai ter que haver uma serie de modificações a vários níveis para que o ciclismo, além de ser uma modalidade desportiva, possa ser uma modalidade de adeptos em grande escala porque as televisões estão a saber gerir o filão chamado ciclismo, com milhões de telespectadores em todo o mundo. Hoje em dia com o aparecimento das redes sociais um desportista se quer ter sucesso terá que não falhar na gestão de imagem. O ciclismo é um desporto muito cansativo em termos físicos e obriga a repouso e concentração e para isso os ciclistas não podem estar envolvidos na sua profissão e serem gestores das suas redes sociais. Por exemplo o nosso bem conhecido Rui Costa tem na sua esposa Carla a sua gestora de imagem. É ela que gere as suas redes sociais e tudo que envolva a presença do atleta em eventos sociais ou desportivos.

A notícia da parceria da Polaris Sports com a Corso, colada ao empresário de sucesso Jorge Mendes foi noticiada em grande escala por tudo que era jornal desportivo. Os comentários a tal facto é que não foram muito bem aceites pelos aficionados do ciclismo, principalmente na Bélgica, França e Espanha. As paginais dos jornais desportivos na sua versão digital tinham centenas de comentários, a maior parte deles sem nenhum conhecimento de causa efeito do que será a entrada no mundo do ciclismo a empresas com poderosas máquinas de marketing. O ciclismo precisa dessas empresas? Claro que precisa. O patrocinador precisa que os seus ciclistas mostrem as camisolas em tudo o que é publicável? Claro que precisa dessa ajuda extra. O ciclista precisa de um gestor de imagem? Se quiser ter sucesso e ter boa imagem nos media, claro que precisa. Isso custa dinheiro? Claro que custa. Mas arrisco tudo, ao dizer que é dinheiro bem gasto. Vai conseguir fazer melhores contratos porque é um atleta reconhecido e conhecido a nível internacional. Saiu em revistas, apareceu em eventos com o logo da equipa e do patrocinador no polo que veste. Isso é imagem de marca. Por isso, a entrada da Polaris é muito benvinda ao ciclismo e estou convencido que a modalidade muito ganhará com isso.

A Polaris começa por gerir as carreiras de João Almeida e Ruben Guerreiro. Que se cuidem as ASO´s ou as RCS Sports porque o seu monopólio vai começar a ser melhor negociado e com isso ganham os profissionais que trabalham arduamente. Penso que foi isso que Jorge Mendes viu. Não foram as comissões dos ciclistas que em início de carreira não têm ordenados milionários. É o futuro da modalidade que atraiu Jorge Mendes. Porque há muito para fazer para vender mais e melhor o ciclismo.

Jorge Garcia

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