Interesses difusos

Durante o início do processo de vacinação da doença mais mediática da humanidade nos tempos que correm, o país acabou por ficar admirado com algo com que nós, no ciclismo, lidamos há anos de forma evidente. Em Évora, a PSP, travou a GNR, e com isso, atrasou o procedimento de vacinação.

Surgiram logo várias opiniões, umas mais construtivas, outras menos, umas mais políticas, outras menos, tudo como é costume. E como é também costume, no fim, ficou tudo na mesma.

Ou seja, o cidadão que vê a casa assaltada e liga para a PSP, pode ter, no preciso momento do assalto, a desagradável surpresa de morar numa zona reservada à intervenção da GNR. Pior, podem não saber muito bem em que zona mora.

E no ciclismo, vamos continuar a ter a armação do costume, por vezes, com a substituição à entrada de perímetros urbanos, das boas motas da GNR, pelas potentes scooters da PSP que, evidentemente, tendo em consideração a fiscalização de malfeitores são mais ágeis em perímetro urbano, mas, no ciclismo, por exemplo em fases finais de etapas se arrastam com severo sofrimento à frente de um pelotão, até de Cadetes!

Cenas amavelmente cómicas, não fossem os custos que isso potencialmente implica para as organizações das provas ou em vermos o que é um país retalhado por interesses difusos.
Luís Gonçalves

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