UCI – agenda 2022

A União Ciclista Internacional-UCI lançou recentemente um documento a que chamou «Agenda 2022», onde o seu presidente David Lappartient, usa como lema «O ciclismo de amanhã, constrói-se hoje». Fomos à procura do que a UCI se propõe fazer até 2022 com o intuito de fortalecer e desenvolver a modalidade.

Diz o documento que esta agenda teve o contributo das 194 Federações Internacionais que englobam 5 Confederações espalhadas pelos 5 continentes e que gera cerca de 34,8 milhões de euros de média anual. Deste orçamento sai a gestão de 9 disciplinas do ciclismo: ciclismo de estrada, ciclismo de pista, ciclismo de montanha, BMX racing, BMX Freestyle, paraciclismo, ciclo-cross, trial e ciclismo de sala. A agenda prevê que haja em todo o mundo 2 mil milhões de utilizadores de bicicletas, desses, 1 milhão são ciclistas federados e 1. 500 ciclistas profissionais. Estes dados foram obtidos pelos questionários enviados às 194 Federações Internacionais que deram uma visão global do que é o ciclismo à escala mundial e que agora foi possível compilar uma serie de medidas a implementar até 2022.

A «Agenda 2022» é composta por 74 páginas e tentamos resumir o que de mais importante a UCI pensa implementar nos próximos 2 anos:

Continuar o trabalho que é desenvolvido no CMC (Centro Mundial de Ciclismo da UCI) no mesmo edifício da UCI, localizado em Aigle na Suíça. A CMC é um Centro de Formação e de Alto Rendimento. Aí se formam atletas enviados pelas várias Federações Internacionais, treinadores e Directores Desportivos, mecânicos e agentes de corredores. Todas as temáticas estão ao dispor, sobretudo para aquelas Federações que não tenham condições para as desenvolver nos seus países. A CMC da UCI tem cinco bases satélites instalados nos seguintes países: África do Sul, Japão, Coreia do Sul, Indonésia e Argentina. Estas bases servem para detectar novos talentos que depois são enviados para a CMC na Suíça, com a colaboração financeira da Solidariedade Olímpica, Confederações Continentais e Federações Nacionais. Este Centro Mundial de Ciclismo na Suíça existe desde 2017.

Para a UCI a criação deste polo de alto rendimento é uma estratégia de desenvolvimento para as diversas modalidades do ciclismo, fundamental para a UCI. Na «Agenda 2022» é prometido mais apoio às Federações Internacionais. Juntar as cinco disciplina Olímpicas (Estrada, Pista, Montanha, BMX Supercross e BMX Freestyle) juntas num Campeonato do Mundo, de 4 em quatro anos, tal como os Jogos Olímpicos. Está claro neste documento que a estratégia a curto prazo será fazer do ciclismo o desporto do século XXI. Para isso a UCI pretende apostar fortemente no desenvolvimento do ciclismo feminino, desenvolver políticas ecológicas e tentar que vários países implementem vias nesse sentido, quer com ciclovias, quer com a construção de polos de desenvolvimento de ciclismo indoor. Para a UCI é também muito importante o desenvolvimento das modalidades BMX Supercross e Freestyle porque são muitas vezes a porta da entrada para o ciclismo profissional para os mais jovens.

A credibilidade é um dos eixos fundamentais desta «Agenda 2022» por isso a UCI vai reforçar cada vez mais os controles e a luta contra a fraude tecnológica, detetada nos Campeonatos do Mundo de Cyclo-Cross da UCI em 2016. A imagem negativa do ciclismo que permaneceu durante muitos anos na opinião publica e que foi severamente explorada pelos média, tende a diminuir e por isso a UCI pretende reforçar, se necessário, o processo de independência da gestão jurídica das Regras de Violação de Antidopagem (VRAD). E com vista a colocar em ação uma vigilância médica reguladora independente propõe a UCI integrar a Comissão Médica e Científica do COI. Para finalizar um rol de vários temas que a UCI tem vindo a implementar desde pelo menos 2017, a segurança é hoje em dia um case study por causa dos incidentes graves que se verificaram este ano. A UCI pretende reforçar a segurança durante a corrida e reduzir o risco de acidentes. Para isso está a avaliar a oportunidade de proibir ou regular a comunicação com os ciclistas durante a corrida. Para UCI este tipo de comunicações poderá levar em tese a resultados fraudulentos.

Todos esperamos que 2021 seja o retorno à normalidade, embora seja expectante que o primeiro semestre ainda seja pautado pelos constrangimentos da pandemia e por isso poderá haver necessidade de adiar provas ou mesmo cancelá-las. Esperemos que por cá não haja necessidade de as cancelar.

Desejos de um ano de 2021 bem melhor para todos.

Jorge Garcia