Fabio Jakobsen: o acidente e a melhoria no ciclismo

Equipe de Fabio Jakobsen pede prisão de ciclista que empurrou seu atleta no  Tour da Polônia; Jakobsen está em estado grave - Surto Olimpico

Fabio Jakobsen já há algumas semanas que partilhou nas redes sociais o seu regresso ao ciclismo, para já de uma forma ainda lúdica e deu recentemente uma entrevista que o site Cycling News publicou em língua inglesa. A entrevista completa pode ser consultada aqui: https://www.cyclingnews.com/features/fabio-jakobsen-talks-about-his-crash-for-the-first-time/

A entrevista, é a primeira depois do terrível acidente na primeira etapa da Volta à Polonia no dia 5 de Agosto, e Fabio Jakobsen partilha com todos os terríveis momentos que viveu no acidente e no longo processo de recuperação, como o acidente condicionou a sua vida imediata e futura, como planeia o seu retorno à competição e as suas ansiedades e expectativas em relação a esse regresso, e as questões e ações legais que podem decorrer do acidente.

Mas há um aspeto, e para mim o mais importante, que é as considerações que faz sobre a chegada, a estrutura de meta e sobre a conduta dos ciclistas na preparação e na concretização dos sprints.

Sobre a primeira é claro que chegadas como a Katowice a descer onde os ciclistas chegam a 84 km não podem ser permitidas. Se há 40 anos os sprints eram feitos a 50 km por hora, hoje chega-se facilmente aos 60 ou mais mas o “para-choques” continua a ser o mesmo: o corpo dos ciclistas. Caberá aos organizadores terem mais cuidado na escolhas dos percursos assegurando ao máximo a prevenção de acidentes.

Sobre as estruturas de meta a UCI tem de ser mais exigente quer nos regulamentos quer no cumprimentos dos mesmos. Garantir que não há saliências nas baias. Que são de materiais que permitem a absorção de algum choque e que impeça o contacto entre o público e os ciclistas.

E por último sobre a conduta de alguns ciclistas e da ausência de penalizações. A sensibilização deve ser a principal ferramenta, mas os comissários tem de ser eficazes e eficientes nas suas ações de fiscalização e punição. Se um ciclista é expulso da corrida por se agarrar a um carro da equipa por duzentos metros (Vicenzo Niballi Vuelta de 2015), como se pode não penalizar da mesma forma um ciclista que empurra outro no decorrer da preparação de um sprint? E como Jakosen sobre a penalização a Dylan Groenewegen “Nove meses é muito tempo. Mas se quando se deixa passar a época de defeso passa a ser um mês ou dois.”

É tempo de refletir e evoluir para um ciclismo mais cuidado, mais seguro e mais ético. Pelo bem do ciclismo como espetáculo de massas e cada vez mais televisivo. – Paulo Coelho Vaz

3 thoughts on “Fabio Jakobsen: o acidente e a melhoria no ciclismo”

  1. Excelente reflexão! Que no próximo ano todos ciclistas sejam mais leais e combativos cumprindo sempre as regras de segurança! Abraço

  2. Dos momentos mais caricatos de um ano caricato. Ainda não acredito que foi de propósito. Abraço, Paulo, obrigado por nos manteres informados

  3. Artigo muito interessante e bem escrito sobre uma temática raramente abordada.

Os comentários estão fechados.