Confissões de Bruyneel – o homem por trás de Armstrong

Lance Armstrong's former manager Johan Bruyneel banned from cycling for  life - Cycling Weekly

Normalmente nesta altura do ano as notícias sobre ciclismo são os fait-divers habituais: noticiam-se as novas contratações das equipas, os novos equipamentos para a próxima época, as novas tendências tecnológicas nas bicicletas, e pouco mais. Desportivamente, sobre a próxima época, pouco ou nada se sabe. A UCI ainda está a analisar os dossiers entregues pelas equipas World Tour e pouco mais. As equipas nacionais e internacionais fazem contas à vida, como se costuma dizer. São os tempos dolorosos dos Diretores Desportivos, esses heróis que ninguém imagina o trabalho que lhes dá montar uma equipa. São mil e uma coisas para tratar. Mas, prometo debruçar-me sobre este assunto numa próxima oportunidade.

Enquanto os jornalistas da especialidade não vão tendo novidades para contar aos seus leitores, são alturas para se fazerem análises de todo o tipo, do que aconteceu na época que terminou. Mas o que mais adoça a boca aos aficionados do ciclismo são as entrevistas do momento a figuras do ciclismo. Quanto mais polémicas, melhor.

Foi o que pensou a Eurosport France, quando convidou Johan Bruyneel o conhecido Diretor Geral de várias equipas onde correu Lance Armstrong, um belga, ex-corredor, atualmente com 56 anos que foi banido do ciclismo por dez anos pela USADA (Agencia Antidopagem dos Estados Unidos) em 2014 que o linkou a vários casos de dopagem nas equipas US Postal e a Discovery, as ultimas equipas de Armstrong e que ele era Manager. Entretanto a Agência Mundial Antidoping resolveu voltar a analisar o caso e decidiu por uma proibição vitalícia ao belga que chegou a correr com as cores da Lotto, Once e Rabobank, equipas que foram obrigadas a renunciar por causa dos escândalos do doping.

Vamos então aos excertos mais importantes da entrevista dada à Eurosport France:

Pergunta do jornalista da EuroSport: «quando o vemos agora notamos que você parece ter virado definitivamente a sua página sobre a sua vida desportiva como dirigente desportivo ligado ao ciclismo?

Johan Bruyneel: «Passados estes anos, tive tempo de digerir melhor a situação e aceitar o que fiz. A única coisa que ainda me custa aceitar é que fomos duramente punidos e que outros que fizeram o mesmo ainda lá estão…»

ES: «Acha que o caso de Lance foi longe demais?»

JB: «Lance foi demonizado. O que mudou no ciclismo entretanto? Nada!»

ES: «Não é bem assim…»

JB: «Eu sei que o método de deteção de substâncias proibidas mudou, o passaporte biológico tornou-se uma segurança incontornável. Mas note uma coisa: quando Lance usou a EPO, ela já existia há muito tempo. E continua a existir, sejamos honestos.»

ES: «Podemos pensar que Lance estava muito à frente em técnicas de dopagem?»

JB: «Não é verdade. É uma fantasia. Acha que os recentes casos de sucesso dos eslovenos Pogacar e Roglic, tenham beneficiado de novos produtos indetetáveis? Não creio. E mais, seriam eles os únicos a terem acesso a eles? Eu vi coisas muito piores na Rússia ou na antiga Alemanha Oriental.»

ES: «Mas diz-se que você montou um esquema muito sofisticado em volta de Lance e das equipas que geriu?

JB: «E os casos da Operação Puerto envolvendo Caruso, Basso, Ullrich, Valverde e muitos outros não eram também sofisticados? Todos eles recorreram ao Dr. Fuentes para tentarem combater Armstrong. Conseguiram? E olhe que as redes eram de dezenas de corredores. Vocês sabem os nomes

ES: «E o caso de corticosteroides em 1999 em que a UCI fez vista grossa?»

JB: «No ano anterior tinha havido o caso Festina. Nesse ano reunimos um dia antes do Tour com os organizadores e os médicos para acabar com a cortisona. O problema é que Lance tinha usado duas semanas antes e ainda a mantinha no corpo. O caso teria que ser arquivado, obviamente

ES: «Você gostava de voltar ao ciclismo?»

JB: «Claro que gostava. Mas há duas pessoas neste momento que não querem ouvir falar no meu nome, nem de Armstrong: Christian Prudhomme, o diretor do Tour e David Lappartient o presidente da UCI. Mas digo-lhe são ambos políticos. Não passam disso. E há muita gente no pelotão a criticar o que aconteceu e que fizeram o mesmo. Mas não me esqueço de nada.»

Excerto editado.

Jorge Garcia