Ano velocipédico: de desastroso a fantástico ?

Agora que o ano velocipédico terminou, restam as provas de ciclocrosse que decorrem nas Flandres e outras esporádicas por esse mundo fora, chegou o momento de mais um balanço.

O ano de 2020 fica marcado, como toda a nossa existência, pela Pandemia Covid-19 que levou à suspensão da prática desportiva em toda a Europa e também no resto do mundo. Depois de um início do ano auspicioso com excelentes disputas nas provas dos antípodas e nas provas de início do ano em Portugal, Espanha e França, a pandemia levou à suspensão das provas e também em alguns países da possibilidade de treino dos ciclistas profissionais.

A suspensão das provas e a incerteza do futuro imediato levou a um enorme desafio por parte da UCI/UEC, das Federações Nacionais, dos Organizadores e das equipas/clubes. Houve rapidamente que pensar como se poderia continuar a treinar com a maioria dos países em confinamento, que provas se poderiam organizar num calendário amputado de alguns dos seus meses mais importantes e como convencer patrocinadores a continuar a investir no ciclismo.

Quando foi revelado o novo calendário World Tour para 2020, muito poucos acreditaram que fosse possível concretizá-lo, tais os requisitos impostos pelas autoridades sanitárias de cada país, mas também pela dificuldade em colocar em marcha toda a máquina logística necessária: organizadores, equipas e corredores. A partir de agosto as provas foram se sucedendo num ritmo frenético e para quem acompanha quase todas as provas na TV, Eurosport à cabeça, houve dias complicados de gerir, mas a satisfação de ver as provas fluindo cheias de emoção era de dia para dia uma certeza.

De agosto a novembro foi um pulo com provas entusiasmantes cheias de emoção e drama, vitórias e derrotas. A incerteza do resultado final foi uma constante em quase todas as provas, fosse nas grandes voltas ou pequenas voltas por etapas, mas também nas clássicas ou restantes nas provas de um dia. Novos vencedores e vencedores novos, reviravoltas finais, novos ídolos e algumas confirmações de consagrados. Van Aert, Van der Poel, Roglic, Pogacar, Geoghegan Hart, Fuglsang, Alaphilippe foram grandes em 2020. Estes e outros heróis escreveram momentos fantásticos em cima da bicicleta e fizeram nos sonhar com um 2021 mais tranquilo e normalizado em termos de calendário e épico como sempre queremos ver numa prova de ciclismo.

Em Portugal as dificuldades foram enormes para os organizadores e somente a Federação Portuguesa de Ciclismo conseguiu salvar a temporada, ou pelo menos, o que foi possível salvar. Prova de Reabertura, Campeonatos Nacionais e a Volta a Portugal com um amputado Troféu Joaquim Agostinho, que a UDO conseguiu com muito esforço levar a cabo. E foi quase num deserto de provas, que, mais uma vez, assistimos a uma Volta a Portugal repleta de atrativos e com um impacto mediático muito acima da média do que é atribuído ao desporto em Portugal – com a conhecida exceção. Amaro Antunes, Frederico Figueiredo, Rui Costa, Ivo Oliveira e Joni Brandão ganharam as provas mais importantes realizadas em Portugal.

Mas o ciclismo português viveu umas das suas épocas mais fantásticas nas últimas décadas. E não foi só no Giro, onde João Almeida vestindo de rosa durante 15 dias e foi 4º classificado no final e Ruben Guerreiro com uma vitória de etapa e vitória final da classificação da Montanha, que os portugueses tiveram alegrias. Tiago Ferreira Vice Campeão Mundial em XCM, Nuno Reis 3º classificado na Taça de Mundo de DHI na categoria de Juniores e ao terminar a época em Novembro tivemos direito a 6 medalhas, 2 de Ouro, 2 de Prata e 2 de Bronze, conquistadas no Campeonato Europeu de Ciclismo de Pista, por Iuri Leitão, Maria (Tata) Martins e pelos gémeos Oliveira, às quais se juntam as outras 8 conquistadas um mês antes no Campeonato Europeu de sub23 e Juniores também em ciclismo de Pista, pelas mãos de Daniela Campos e outra vez Maria Martins e Iuri Leitão. 14 medalhas no Ciclismo de Pista é um resultado que nos deve deixar a todos orgulhosos sejamos mais amantes de Estrada, de Pista, de BMX ou de BTT. Orgulho num ano Fantástico!

Paulo Coelho Vaz

2 thoughts on “Ano velocipédico: de desastroso a fantástico ?”

  1. Artigo muito bem estruturado e escrito. Retrata bem a festa e o regozijo que foi este ano o ciclismo.
    Parabéns

  2. Muito bom. De facto foi um ano atípico, mas nem por isso os atletas Portugueses deixaram de brilhar dentro das competições possíveis. Quanto a mim, à minha infinitésima e humilde escala, devo ter somados 2000 kms no primeiro mês e meio de confinamento. Há que ver as coisas pelo lado positivo! Forte abraço Paulo

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