Ineos e Deceuninck as suas diferenças

O regresso da Ineos aos lugares de topo das melhores provas mundiais reflete uma aposta dos britânicos, no melhor mercado das provas de ciclismo: as Voltas de três semanas, ou seja, Tour, Giro e Vuelta.

Ao longo da temporada, aqui e ali assistem-se a alguns triunfos dos seus ciclistas, pouco de acordo com os cerca de 46 milhões de euros do seu orçamento. Na verdade, para tamanha fasquia, talvez se exigisse mais dos comandados de Dave Brailsford, que nutrem um certo desatino pelas provas clássicas, pelo menos as grandes provas de referência de um dia . Que nos lembremos nunca venceram uma.

Mas a equipa logrou a sua popularidade à custa do Tour, pelas suas sete vitórias consecutivas, interrompidas este ano, por mau planeamento e por uma aposta que se veio a mostrar estar desajustada. Mas, a equipa ganhou um novo folgo, uma nova forma de correr neste Giro. Tornou-se mais ofensiva, menos controladora e os triunfos de etapa subiram em flecha. Sete de uma assentada, um terço do seu total, deixando pouca margem para as restantes formações. Isto quer dizer que a Ineos encontrou uma nova forma de correr, de ataque e que pode também conseguir ganhar as grandes provas mundiais a correr desta forma. Na verdade, o seu plantel permite estes luxos: ter corredores reconvertidos em segundos planos na sua equipa, que seriam autênticos candidatos em qualquer outra equipa. Talvez por isto, a próxima época promete ser emotiva, pois Dave Brailsford já admitiu que é ” emocionante correr ao ataque.”

Do outro lado da barricada, assentamos arraiais na equipa da Deceuninck- Quickstep, composta por alguns dos mais emocionantes ciclistas, vocacionados para provas de um dia, ou não fosse a equipa belga. Os belgas adoram as grandes clássicas e Patrick Lefevere tem um longo historial contratando ao longo da sua gerência os melhores especialistas, desde Museeuw a Tom Boonen , Terpstra, Gilbert, enfim os maiores e mais qualificados ciclistas de um dia.

Contudo, ao longo da sua existência, que nos lembremos nunca venceu uma grande prova por etapas, nem nunca constituiu uma equipa vocacionada para discutir as três grandes voltas mundiais, nem tão pouco contratou um ciclista com estas caraterísticas.

Por ironia do destino, sem que tivesse feito algo para isso, juntou na sua equipa, este ano, dois dos mais promissores ciclistas mundiais, vocacionados para este tipo de provas, Remco Evenepoel e João Almeida. Falta saber agora, em que é que a equipa mais irá apostar, nas provas clássicas ou nas grandes provas mundiais ?

Muito dificilmente conseguirá grandes resultados, se quiser estar na discussão de umas e outras, pois para isso terá de ter equipas capazes de proporcionar aos seus líderes um apoio que necessitarão nos grandes momentos. Talvez por isso, a Ineos nunca se abalançou a alargar a sua ambição.

3 thoughts on “Ineos e Deceuninck as suas diferenças”

  1. A Ineos/Sky não ganhou 7 Tour consecutivos, mas sim cinco(de 2015 at é2019).
    Na minha opinião a Deceuninck-quickStep se tivesse 1 orçamento como a Ineos iria conseguir ganhar mas grandes voltas sem perder qualidade nas clássicas…

  2. O que quisemos reforçar foi a diferença entre as duas equipas e a sua forma de trabalhar.Como disse e bem foi pela qualidade dos seus ciclistas que esses triunfos foram obtidos e não por uma estratégia de equipa.

  3. A Ineos/Sky venceu, recentemente, assim só de memória, 2 edições da E3 Harelbeke, 1 edição da Liége, 1 edição da San Remo, etc.
    Claro que foi mais por obra da qualidade individual dos seus ciclistas que propriamente por aposta da equipa, no entanto fica o lembrete.

Os comentários estão fechados.