” -É altura de haver um limite, quando a saúde e integridade física de um atleta é posta em risco”

Finalmente, sem grandes problemas o Giro terminou mesmo em Milão. Amanhã será um dia de consagração: para o ciclismo, para o vencedor, mas sobretudo para o Giro, e pela esperança que nos deu, que é possível organizar um evento, com esta expressão sem se correr riscos.

Para trás ficaram a s manobras desestabilizadoras de Jonathan Vaughters, Thomas de Gendt e da Lotto Soudal, já ninguém se lembra delas , mas que foi um pena, lá isso é verdade. O ciclismo não merecia esta desconsideração.

Se o Giro está a dar as últimas, com muito público a vibrar com os ciclistas, que gosta da modalidade, quer esta seja realizada em maio, agosto ou finais de outubro, o que faz da modalidade uma das mais emocionantes e apaixonantes.

Mas se o Giro está a acabar, a Vuelta está quase no início, bem não será tanto assim, já vai quase num terço da sua duração. Mas se em Itália, o nível competitivo, a incerteza , e a descoberta de novos valores foi um estrondoso êxito, bem maior do que o Tour, por exemplo, em Espanha os resultados parecem mais previsíveis, com nomes já muito conhecidos, e com um domínio de um só ciclista, o que poderá tornar a Vuelta menos empolgante.

O percurso em Espanha é sem duvida espetacular, quase todos os dias com montanha, quase todos os dias com chegadas sempre com uma dificuldade, a que se irá somar o tempo, a chuva, o frio e a neve.

Estamos a caminhar para o final de época, com muitos casos para estudar, avaliar e sobretudo corrigir. Mas isto de corrigir seria possível se o órgão que dirige a modalidade a nível internacional, a UCI, fosse capaz de disciplinar e fosse capaz de mandar.

Avaliando bem, os ciclistas até teriam razão na greve que fizeram ontem, só que a forma como o fizeram foi miserável.

E têm razão porque é altura de haver um limite, em que a própria saúde e integridade física de um atleta é posta em risco. Não é só o doping que atenta contra a saúde dos atletas. Na verdade terminar uma etapa por voltas das 18.00 horas, chegar muitas vezes ao hotel entre as 20 e as 21 horas, acabar de massajar pelas 22,00 horas, ir jantar pelas 23 horas e deitar ás 24.00 horas e acordar manhã cedo, muitas vezes com o controlo anti-doping às 5.30 da manhã, não nos parece a melhor forma de preservar pela sua integridade.

Se somarmos a tudo isto, o constante aumento do grau de dificuldade das etapas, de forma a tornar o espetáculo cada vez mais emocionante, o aumento do pressão na obtenção de triunfos e de pontos, torna tudo muito complicado.

Talvez por isso, antes de tudo acontecer, quem legisla e aprova percursos, deveria ter questionado quem de direito, o porquê daqueles 260 kms, numa etapa sem qualquer interesse.