Isabel Fernandes : ” uma pessoa que deixará saudade e que tem valor”

Nas redes sociais Isabel Fernandes, comissária internacional e mulher do ciclismo, que nos habituamos a ver nos meandros do ciclismo desde menina e moça, afirmou não ter mais disponibilidade para continuar a exercer um cargo, pelo qual ao longo de muitos anos tanto lutou por conseguir.

Não vamos aqui dizer se a Isabel Fernandes era boa ou má comissária, não é essa a nossa função, nem nos achamos com competência para tal. Que era uma profunda conhecedora dos regulamentos a quem recorremos muitas vezes, quando tínhamos algumas dúvidas sobre a correta interpretação do regulamento, disso não duvidamos.

Que por vezes não conseguia flexibilizar a interpretação desses mesmos regulamentos, também é uma verdade.

Também não duvidamos do seu extraordinário carinho e dedicação que sempre nutriu e continuará a nutrir pela sua modalidade. Nesta temporada, tivemos a oportunidade de a ver exercer, com grande responsabilidade outras funções, em especial na Volta a Portugal.

Não sabemos as razões da sua saída inesperada de cena, uma coisa é certa, e também não duvidamos, é que iremos estranhar a sua ausência das corridas nacionais, onde deixou marcas e quando uma pessoas deixa o seu cunho pessoal e é recordada por isso, estamos perante uma pessoa que deixará saudade e que tem valor.

Em jeito de anedota deixo uma história passada com a Isabel Fernandes, há já alguns anos, num Prémio J. Agostinho quando se iniciava a subida do Montejunto a cerca de sete kms da meta final. Já não se podia dar abastecimento liquido, mas um ciclista que já estava a ficar para trás, num ritmo de descontração e já com o seu trabalho feito, pediu ao carro de apoio um bidon de água.

A Isabel Fernandes que seguia atrás do meu carro apitou dizendo que não era possível dar água. Confesso que fiquei fulo, adiantei a viatura e coloquei dois bidons em cima de um muro, fiz sinal ao ciclista e arranquei, e vi pelo espelho retrovisor que o ciclista recolheu os bidons. No final ainda com cara de poucos amigos disse-lhe:

Dei ou não dei os bidons”. Histórias que ficam recordadas e que se vão contando aos poucos.

JS