A aventura começou

Por estes dias o João Almeida e o Ruben Guerreiro têm feito mais pelo desporto português do que qualquer secretário de estado do desporto. Não tem sido só pelo ciclismo, mas sim por toda a actividade desportiva.

De Norte a Sul e de forma transversal a várias modalidades (até o futebol sentiu necessidade de participar…) os portugueses ficaram imbuídos no espírito rosa.

Para quem anda no ciclismo, há muitos anos, foram dias de reconhecimento pelo muito que, alguma, gente dá à modalidade, por verdadeira paixão e simples carolice. Para nós, portugueses, são dias históricos. Tantos dias de liderança de uma das maiores corridas do mundo e, potencialmente, e pela primeira vez, uma camisola de uma das classificações de uma grande volta.

Enfim, até deputados se vestiram de rosa, e não seriam todos do PS, mas definitivamente parece que metade dos que se mostraram são do circulo eleitoral de Leiria, portanto, com eleitores em A-dos-Francos, terra que por este tempo entrou nas bocas do mundo.
Já sabemos que esta visibilidade é passageira. É apenas uma questão de oportunidade. As gentes do ciclismo, mesmo do ciclismo, vão continuar a ser as mesmas e, como se vê, a trabalhar bem.
Estes vão sempre saber que a aventura não acabou. Ainda agora começou, sobretudo para o João. Mesmo neste Giro pode-se dizer que a aventura não acabou.

Não sabemos como vai terminar a prova mas com todo o à vontade podemos dizer que o João e o Ruben já ganharam este Giro e deram uma vitória ao ciclismo que devemos saber aproveitar.

É bom, no entanto, e independentemente da forma como termine este Giro, que se deixe “respirar” o João. Também o Ruben, mas este já tem mais alguma experiência e terá sempre aquele ar de cowboy.
O ciclismo português, já teve os seus momentos de glória, mais antigos e mais recentes, mas pode estar à beira de lançar uma geração sustentada e consistente.

Há material humano para isso, assim os deixem trabalhar com tempo, sem pressa e panelas de pressão, e ter a sua ponta de sorte.
Luís Gonçalves