O nosso João e os oportunistas

O João Almeida continua a persistir e a resistir. Já chegámos a um ponto em que qualquer resultado que o João faça daqui para a frente será bom. Bem, se puder ganhar, então, seria óptimo. Mas, em boa verdade, nem nós, amantes da modalidade por Portugal estamos habituados a isto de tão pouco comum que é. Para os holandeses, Wilco Kelderman, é apenas mais um.

O João já é merecedor de todas as homenagens do mundo. Com o nosso tecido desportivo vão-se fazendo verdadeiros milagres. Vencendo o Giro, por exemplo, não tardariam homenagens e condecorações públicas das mais altas figuras políticas do país, num oportunismo angustiante. Porque, de facto, o que pensam os políticos do desporto?

O recente programa de orçamento de estado, reduz a verba destinada ao desporto. O recente programa de orçamento de estado, continua a esquecer-se de um regime fiscal diferente e mais benéfico para a actividade desportiva, a nível profissional e amador, individual e dos clubes. O recente programa de orçamento de estado continua a ignorar um regime de pensões diferente numa actividade de desgaste rápido e de pouca longevidade.

O recente programa de orçamento de estado não inclui, em substância, apoios aos desportistas neste período negro da vida de cada desportista.

O recente orçamento de estado, o governo, continua a assobiar para o lado na criação de um regime próprio do dirigente a associativo.
Podíamos tornar o texto mais fastidioso, mas fiquemos com uma cereja no topo do bolo. As anteriores previsões indicavam-nos, por tentativa, para um top 15 de índice de saúde e prática desportiva entre todos os países da Europa. As actuais previsões esperam que em 2030, Portugal esteja no top 15 desse mesmo índice, na União Europeia… a minha matemática, dá-nos a andar para trás.

E não me venham com a falta de dinheiro. Já se sabe que é um bem cada vez mais escasso, mas as nomeações para os gabinetes de secretários de estado são às dezenas… Prioridades!

O pior de tudo é que nem sequer há planos para atingir-mos os patamares a que nos propomos. E, num ano, em que o tecido desportivo português está dizimado, talvez fosse útil, pelo menos, ter linhas orientadoras.

As associações desportivas de base, para além de contribuírem para as boas práticas de saúde pela prática desportiva, têm uma função social importantíssima. Uma função social que o Estado (democrático) não conseguirá nunca cumprir.

Portanto, o desporto, continua a ser um parente pobre. Não será só o Estado e os sucessivos governos. A generalidade da sociedade continua a ver o desportista profissional de esguelha. Enfim, anda de bicicleta na rua e não faz mais nada, ou vai para o rio dar umas remadelas e não trabalha, ou foi para o voleibol porque não dava nada na escola.

No seio das Universidades, sobretudo de alguns cursos clássicos e de algumas Universidades, então, a forma de ver o desporto é uma desgraça. Um verdadeiro problema cultural de mentes tacanhas que só vêem na sua intelectualidade (tantas vezes limitada e com pouca substância) a única salvação do mundo. Tipos limitados, mesmo muito limitados.

Ah, João, mas quando trouxeres as tuas camisolas rosa (e a branca), vai aparecer tanta gente desta! e se for a do último dia, então, vão-se acotovelar para aparecer na fila da frente, no anseio de verem neles um produto para o qual nunca contribuíram. Bem pelo contrário.
Luís Gonçalves