STAYAWAY GIRO

Alguns intervenientes do Giro parecem aproveitar uma expressão da moda. Querem afastar-se da prova. Obviamente, serão livres de o fazer, querendo, bem ao invés dos, privilegiados, que poderão ser, obrigados, a usar uma determinada aplicação de localização.

Bem, não estamos aqui para falar dessa aplicação, nem nos parece necessário, falar de algo que, das duas uma, ou revela sagacidade política para esconder o que realmente deveria ter sido feito e não foi, ou, algum, e sinceramente preocupante, cansaço mental.

Pelo Giro, que é o que verdadeiramente nos interessa aqui, a coisa está acesa. Não esteve no Tour, mas está no Giro, como sempre. E, pensando bem, existirão assim tantas diferenças? Não sei, não estive nem numa nem noutra, a “bolha” do Tour parece ter funcionado bastante bem, noutra altura do ano, talvez com outra capacidade organizativa, com menos latinos à mistura e, provavelmente, até com um comportamento diferente das equipas. Em tudo, o Tour, é o Tour. Até na influência.

No meio disto tudo, retive com bastante atenção as palavras do José Azevedo (no Eurosport) que conhece como poucos os meandros do ciclismo. Resumindo, no fundo e desde sempre, dizia ele que é muitos mais fácil qualquer equipa, ciclista ou diretor queixar-se do Giro e da RCS do que do Tour e da ASO. E, se bem me lembro, usou a palavra, receio.

Não sei se as bolhas da moda funcionam no Giro ou não. Talvez estejam mesmo mal organizadas e não devesse ser assim, ou talvez o Giro seja apenas vítima de uma ponderação de interesses diferente, de um tempo (meteorológico) diferente, que será previsivelmente terrível na última semana e de uma visão estratégica diferente.

Por tendência, não se adivinham boas novas da Vuelta. Contudo, as mesmas equipas, que puxam o Giro para baixo, querem lá estar. Depois, há positivos que agora são negativos e ninguém sabe muito bem o que pensar ou fazer. De Gendt, por ele, terminaria o Giro e Sagan, fica enquanto houver corrida e o deixarem.

Quanto a Jonathan Vaughters, e às suas intervenções, concordemos ou não, serão sempre suspeitas. Frontalmente, devo dizer que não gosto dele. É político. É um daqueles arrependidos que acha que viu uma luz a que só ele teve acesso… portanto, de pouca confiança.

Luis Gonçalves