O MUNDO DOS INTERESSES

Aparentemente, o mundo do ciclismo dividiu-se um pouco. Mas, afinal, quem tem razão? a Jumbo-Visma que se retirou do Giro, ou a Sunweb que continuou no Giro, ambas após um teste positivo, de ciclistas, por Covid.

Antes de mais, em bom rigor, devemos dizer que ambas cumprem o que está regulamentado. Este pensamento aplica-se mais à Sunweb, que cumpre o que está de facto regulamentado para o Giro, do que à Jumbo que foi bem além do que dizem as normas da corrida.

A decisão de cada uma parece óbvia. Já conhecemos os discursos sanitários, de proteção da humanidade etc. etc., mas talvez o que tenha pesado mais tenha sido mesmo a vertente desportiva. Wilco Kelderman é o segundo da geral e na Jumbo-Visma já não se vislumbravam grandes hipóteses de sucesso.

Enquanto a Sunweb, assume isso de forma subliminar, a Jumbo, “atira-se” ao organizador, que permitiu que antes da partida do Giro todas as equipas ficassem concentradas em poucas unidades hoteleiras, misturadas com elementos da organização, polícia e demais público anónimo, mas, sobretudo à UCI, que autorizou que a RCS o fizesse, não estabelecendo até agora nenhum tipo de regra para estas situações. A expressão é “teremos de apresentar a conta à UCI!”.

O receio é que estas situações se sucedam o que não seria nada de anormal no grupo mais controlado do mundo, com milhares de testes. Aí a questão passará a ser a exclusão de prova ou a fragilização evidente de uma equipa. Ficará sempre, pelo menos por enquanto e cumprindo o que foi estabelecido no início da prova, ao critério de cada uma.

O que sabemos é que noutros desportos continua-se em prática, afastando-se os casos positivos. Mas mesmo nestes há exemplos estranhos. Por acaso, em Itália. O Juventus-Nápoles continua a fazer-nos ver quão estranhos podem ser estes tempos, no mundo desportivo, e não só. Tudo no mesmo país, aparentemente, uma equipa que podia jogar em Turim, mas não podia sair de Nápoles… parece um scatch cómico, mas não é. Verdadeiramente, é a desorganização do sistema. E já tivemos tempo para o organizar.

E eu já não sei se esta desorganização e incerteza é apenas política, e má política, desconhecimento do que se passa, falta de capacidade de decisão e solução ou, como cada vez mais se ouve por aí, ignorância. Ninguém quer morrer de Covid-19, ou 20, mas, em abono da verdade, ninguém quer morrer de nada. Nem sequer de um enfarte. A sorte é que agora já não dão enfartes a ninguém.

Mas a certeza é que é a política que vai resolver isto. Sem nenhuma declaração de interesses, vençam os democratas (normalmente, abrem mais o flanco internacional) as eleições nos EUA e a vacina ou tratamento aparecerá com maior brevidade.

Só que até lá, por exemplo, ficamos, apenas, entre o mundo dos interesses da Jumbo-Visma e o dos interesses da Sunweb. E no mundo de interesses das task-force e dessas coisas com nome de intervenção anti-democrática.
Luís Gonçalves

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