Caso LA-MSS: instrução do processo desportivo perto do final

“A fase de instrução está a terminar e será entregue ao Conselho Disciplinar para uma decisão”. Este é o ponto de situação do caso LA-MSS, cujas buscas policiais fazem amanhã um ano, segundo declarações do presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Artur Lopes, à agência Lusa. A vertente civil da investigação parece estar mais atrasada. Uma fonte judicial citada pela agência noticiosa revela que o processo “ainda não está pronto, mas está bem encaminhado, à espera de conclusão de perícias técnicas”, relacionadas com o envio para laboratórios estrangeiros de substâncias não rotuladas, encontradas nas buscas às habitações dos corredores portugueses e às instalações da equipa poveira.

O processo judicial decorre na nona secção do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, estando a cargo da magistrada do Ministério Público Teresa Almeida. Em causa estão suspeitas de “crimes previstos e puníveis pelo Código do Processo Penal”. A Agência Lusa identifica Afonso Azevedo e Cláudio Faria como os dois corredores que são arguidos desde as buscas de 19 de Maio de 2008, por alegadamente terem nas suas casas substâncias proibidas e dopantes.

Um caso que faz parte do processo e que a Lusa revela em primeira mão diz respeito a uma lista encontrada em casa de Pedro Cardoso. O ex-ciclista tinha em sua posse uma folha com nomes de corredores de diferentes equipas do pelotão nacional, correspondendo a cada um desses nomes uma verba de que Pedro Cardoso seria credor. Este facto despertou a suspeita de que o barcelense poderia ser fornecedor de substância dopantes, mas os intervenientes no caso argumentaram que as dívidas diziam respeito a compra de equipamentos e componentes velocipédicos,  o que encontra explicação no facto de o pai do “capitão” da LA-MSS ser proprietário de uma loja de material velocipédico.

Na sequência da acção policial desencadeada há um ano, a LA-MSS acabou e vários dos seus elementos foram suspensos preventivamente, assim permanecendo até à data. Estão nessa situação os ciclistas Pedro Cardoso, Afonso Azevedo, Cláudio Faria, Tiago Silva e Rogério Batista, o director-desportivo, Manuel Zeferino, o massagista Paulo Silva, o médico, Marcos Maynar, e o presidente do clube e principal patrocinador, Luís Almeida. João Cabreira e Bruno Pires foram os únicos corredores portugueses da equipa que não foram surpreendidos pela acção que envolveu no terreno elementos da Polícia Judiciária e do Conselho Nacional Antidopagem.

Além de várias perícias e diferentes trocas de informação oficial entre os titulares dos processos civil e desportivo, o longo rol de testemunhas indicadas pelas partes envolvidas – só um dos elementos suspensos arrolou cerca de 30 testemunhas – ajudam a compreender a demora.

5 comentários a “Caso LA-MSS: instrução do processo desportivo perto do final”

  1. …”folhas com nomes de elementos de outras equipas…”, entre esses nomes, elementos da LIBERTY / MADEINOX BOAVISTA, etc… por este motivo é que a noticia ressalva que foi material vendido e que até o pai do Pedro tem uma loja… uau estavam a tocar nos “tenistas” e “futebolistas” da modalidade, à que esclarecer bem as coisas… já agora de que marca era o gel anticelulitico que continha substancias dopantes que levaram da casa do Afonso ? esta a chegar o verão e queria passar nas pernocas…. 🙂

  2. “Amigo HenriqueGomes” o edificio em ruinas que vê é o futuro de uma “casa” em Campo lide, que ira ficar nesse estado no final de todo o processo…

  3. É uma vergonha tanto tempo para deslindar isto. É como a Operação Puerto em Espanha: quando começaram a apanhar os tubarões das outras modalidades tudo foi cancelado. Até aí imolaram os desgraçados dos ciclistas.
    Foi pena terem destruído uma grande equipa e um grande projecto. Até me custa ser benfiquista!

  4. Na foto que serve de base a esta noticia, o que está em ruínas é o edifício de trás?

  5. Finalmente parece que este triste caso terá em breve o seu desfecho. E para quem vai acompanhando o processo, nada de novo foi relatado. Apenas uma ressalva, há quem não tenha sido surpreendido pela acção mas apresentou-se de livre vontade, mal soube da acção em curso.
    Facto que será do conhecimento da maioria, excepto dos jornalistas especialistas da modalidade, ao que parece!
    Apenas vem é tarde demais, a vida de muitos foi irremediavelmente destruída!
    E há inocentes no meio disto tudo…

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