DA ITÁLIA À NOSSA BEIRA INTERIOR

No momento da vitória na etapa, Ruben Guerreiro, faz aquele gesto que nos faz recordar o “calma, eu estou aqui” do Cristiano Ronaldo, agora jogador por terras italianas. Os portugueses no Giro não têm a fama do Ronaldo, nem as suas contas bancárias, mas também estão lá, e por estes dias até têm feito correr alguns rios de tinta por esse mundo fora.

Em alguns meios de comunicação chamaram-lhe o dia de Portugal no Giro. E não andará longe da verdade, num momento pouco visto, ou nunca visto, pelo nosso ciclismo. Não sabemos como vai acabar o Giro para os portugueses, aliás, não sabemos como vai acabar o Giro, mas, pelo momento, não há muitos países que possam dizer que à nona etapa da segunda prova por etapas mais importante do mundo, têm etapas, a liderança, somando ainda mais duas camisolas. Só faltava a dos pontos. Mas, enfim, também teremos de deixar alguma coisa para os outros.

Mas a palavra chave, no Giro, é a indefinição. Não só no Giro. A indefinição tem sido a palavra chave de toda a gente.

Nós, por cá, com esforço, sempre conseguimos fazer o campeonato nacional de fundo para os escalões de formação. Desde já teremos de dar uma palavra à Federação, às equipas, à câmara municipal de Castelo Branco, mas, muito em especial, e de agradecimento, à associação de ciclismo da Beira Interior. As associações, algumas associações, têm sido parceiros estratégicos importantíssimos nestes tempos conturbados.

Estas coisas são interessantes. Esta associação, não tem muitos anos. Quando apareceu, existiu alguma desconfiança sobre a sua capacidade. Acima de tudo, no início e na minha visão, estavam demasiadamente agarrados às fórmulas regulamentares. O tempo deu-lhes outra visão, mais prática. E de uma associação que gerava desconfiança, surgiu, sobretudo nesta fase, uma das mais dinâmicas do país. Não tem o impulso que a força do número de clubes dá às associações de ciclismo, mas tem outros impulsos, que outras não têm ou deixaram morrer.

Sobre os vencedores, nada de novo. Dois ciclistas e duas equipas, num tipo de prova que pode ser um sortilégio, mas não foi. Veremos o que lhes reserva o futuro.

O que se retém mais deste nacional são as normas a cumprir (que chateiam!) e a expressão “depois desta não há mais nada”. Enfim, há provas marcadas, há vontade de todos, era bom que existissem porque esta prova acaba por ser redutora, mas só o futuro nos dirá. À conta da indefinição, e de ser tudo feito mais em cima da hora, as logísticas têm sido terríveis. Verdadeiros contrarrelógios. Mas se for para existirem mais provas, venham eles.
Luís Gonçalves

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