Giro em estado de alerta

Depois da anulação do Paris-Roubaix a organização do Giro entrou em estado de alerta máximo, em especial depois que um ciclista, Simon Yates, face aos sintomas detetados no seio da equipa, acabaria por acusar positivo.

Por toda a Europa o vírus tem aumentado e alastrado o que poderá colocar alguns entraves, nas duas semanas que faltam, por isso, as próximas 48 horas vão ser fundamentais. Primeiro, porque se espera que amanhã não se venha a declarar mais nenhum caso, mas sobretudo segunda feira vai ser o dia chave, pois todos os elementos das equipas irão ser testados.

Para além do Covid, que constitui um perigo para o Giro, um outro ponto fundamental preocupa os organizadores. O estado do tempo, e em especial como estarão as montanhas, previstas daqui para a frente. Terão de ser pensados percursos alternativos ? Anular-se-ão as montanhas passando a prova pelos vales que contornam essas mesmas montanhas ?

Para já, o que se pode dizer deste Giro é que tem sido altamente aborrecido, com etapas demasiado planas, contrariando um pouco a tendência da prova, nos últimos anos, que, comparativamente com o Tour, tem sido até mais emocionante.

Uma coisa é certa, todas estas nuances jogam um pouco a favor de João Almeida, que vai vendo uma réstia de luz ao fundo do túnel. O português não é peco nos C/R, bem pelo contrário até poderá ganhar algum tempo aos seus principais rivais, e se as montanhas até forem descartadas, em algumas etapas a sua missão poderá ser facilitada. Com uma equipa ao seu dispor, os problemas poderão ser maiores nas etapas difíceis, onde poderá ter a seu lado Fausto Masnada, que poderá ser uma pedra importante nesta fase da prova.

Depois do triunfo de Pogacar, no Tour, já se pensa que outro jovem poderá dar cartas, aliando as valências físicas a uma possível melhor recuperação do que os ciclistas com mais idade. Poderão ser estes fatores decisivos, na nova tendência do ciclismo mundial ? Este Giro poderá mostrar isso mesmo.