Viva a Volta a Portugal

É sabido que a Volta a Portugal em bicicleta tem uma importância fundamental na subsistência das equipas portuguesas e, no fundo, do ciclismo português.

Também conhecemos a importância social e histórica da Volta a Portugal, uma marca que está com os portugueses há muitos anos. Anos de recordações, de emoções, de históricos patrocinadores para sempre associados ao ciclismo e de reconhecíveis genéricos, como o mais característico, protagonizado pela RTP, nas suas várias versões, mas também, apesar da sua curta passagem, o genérico da SIC que nos entrou facilmente no ouvido.

Essa importância social e também económica vai muito para além do ciclismo. É obviamente fulcral para o ciclismo. Mas, ao longo destes nove dias de Volta a Portugal também existiu oportunidade para dinamizar uma parte do país. São hotéis, restaurantes, cafés, supermercados e às vezes até o mais invulgar dos negócios que é dinamizado e que, de outra forma, sobretudo nos tempos que correm, teriam tudo menos essa dinâmica.
Não são as partidas e chegadas de outros anos. Bem, pelo menos este ano, sabíamos que quem ia ver, ia de facto pelos ciclistas e pelo ciclismo e não pela t-shirt ou por outro produto qualquer que não serve para nada senão para publicidade e fazer lixo. Enfim, dava algum desânimo para quem está habituado a outra agitação, e compreende-se bem o sentimento de alguns ciclistas, mas o que é puro, permaneceu.

Tão puro, que parece que até deu para bater em audiência a imbatível Cristina Ferreira. E a simbiose aqui continua perfeita. Se o ciclismo depende da transmissão da Volta na televisão, também não deixa de ser verdade que deve ter sido agradável para a RTP, bater a Cristina Ferreira. E uma Volta transmitida em época anormal, quando há menos disponibilidade para ver televisão.

Uma Volta diferente que se espera seja só isso. Foram menos dias, e muitas alterações regulamentares. Talvez oportunas nos tempos que vivemos, mas que não se desejam eternas. É que às vezes estes momentos são usados para baixar as fasquias para o futuro. E isso pode ser mau.

Todas as referências sociais e económicas só vêm salientar a importância e a raiz que a Volta a Portugal tem no íntimo dos portugueses. Em qualquer ano, será sempre um evento imprescindível.

E reparem também. Num ano trágico para a maioria dos artistas portugueses o programa “Há Volta” acabou por nos trazer à memória muitos deles, que apareceram, na televisão, em ambiente de boa audiência, tantas vezes a falar do seu ano difícil, mas ainda assim a cantar e a tentar animar a malta.

Nos artistas também vemos o país real, aquele a quem a Volta a Portugal em bicicleta foi dar algum ânimo com a sua passagem em locais onde só o ciclismo vai. Aquele país sempre demasiadamente esquecido, agora também abandonado e vulgarizado por medidas sanitárias com tiques de novo riquismo. De Março a Outubro é quase um ano. Um ano, já teria dado tempo para outro tipo de reacções que não o abandono e a vulgarização. Lá iremos, oportunamente.

Retomando, apesar de alguns lobby’s, bem visíveis, o tentarem esconder, a verdade é que a Volta a Portugal acabou por levar alguma alegria ao país. Social e, não menos importante, económica. Por isso mesmo, como bem tocam e cantam os Toka&Dança “Viva a Volta a Portugal.” Gente boa!

https://youtu.be/CZOvNAs0t6g
Luís Gonçalves