A tradição já não é o que era

Diz o ditado que o futuro a Deus pertence, provérbio antigo que nos dias que correm, não é muito assertivo, talvez por isso , exista, neste momento, uma pequena dose de confiança, que é possível em 2021, haver ciclismo, porque o futuro está a ser redimensionado por homens.

A próxima época de ciclismo está a ser encarada com grandes apreensões por parte das principais equipas nacionais, tendo em linha de conta a dificuldade na angariação de patrocinadores, que sustentem projetos que têm como única fonte de rendimento os proventos de ordem publicitária. Com a época ainda em andamento, o período de inscrição de equipas e formação de plantéis está notoriamente atrasado, em relação a anos anteriores, o que constitui uma dificuldade acrescida para os seus dirigentes.

A primeira expetativa que as equipas aguardam são os valores de inscrição, bastante elevadas para os benefícios resultantes dessa inscrição. Depois de terem sido penalizados com 3500 euros suplementares, este época, pela inscrição da Volta ao Algarve na categoria Proseries, a prova nacional voltou a ser catalogada pela FPC, neste escalão. A primeira pergunta que se coloca é, qual a vantagem das equipas nacionais resultante deste pagamento adicional, só para poderem participar numa prova ?

Depois, as dificuldades resumem-se às interrogações: será que existirá um calendário de provas ao longo de todo o ano, compatível com o investimento efetuado ?

Segundo podemos apurar todas as atuais equipas declararam a sua intenção de continuar a sua atividade na próxima temporada, primeira passo exigido pelo substancial caderno de encargos obrigatório . O que poderá acontecer em 2021, em caso de grandes duvidas, será a diminuição do número de ciclistas por equipa, o que poderá constituir um problema no setor.

A época, entretanto , vai correndo, mas a tradição, essa, já não é a que era.