Um olhar â Volta – 8ª etapa

Nesta 8ª e última etapa da Volta a Portugal Edição Especial, ao contrário do que aconteceu em Lisboa em 1910 em que houve uma disputa entre monárquicos e republicanos pelo poder em que o rei abdicou e teve que sair de Lisboa. Cinco de Outubro é para os portugueses o dia da Implantação da Républica Portuguesa. Desta vez o rei Amaro Antunes (W52/FCPorto) vinha a Lisboa com o propósito de não abdicar do trono. Teoricamente, pretendentes à coroa eram Frederico Figueiredo (Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel) que partia para este CRI a 13s de Amaro e em terceiro da Geral um especialista em contrarrelógios, Gustavo César Veloso (W52/FCPorto) que trazia de desvantagem para o seu colega de equipa, 1:13m. O percurso era quase sempre a rolar e era relativamente curto. Tinha apenas 17,7 Km. Acho que deveria ser um pouco mais extenso e subir, por exemplo até à Rotunda do Relógio. Tinha a Avenida Marechal Gomes da Costa a subir e a descer que daria para aumentar a distância do CR. As dificuldades desta Volta foram tão poucas que este CRI poderia ser aproveitado para ser mais duro após aquelas duas etapas na Região Oeste. Foram etapas bonitas para se mostrar em termos turísticos, mas pouco interessantes em termos desportivos. Sei que esta Volta a Portugal deu muito trabalho, mas poderia ser um bocadinho melhor pensada, principalmente este último CRI. E até os ciclistas se queixaram por ser curto e não haver grandes possibilidades para os especialistas em CR fazerem valer os seus talentos e recuperarem tempo no seu terreno. Se tivesse tido o dobro da quilometragem, se calhar Amaro Antunes não dormiria descansado esta noite.

Os Contrarrelógios são por vezes monótonos, até entrarem em ação os 15 primeiros da Classificação Geral. Esperava-se uma vez mais um predomínio dos ciclistas da W52/FCPorto nos dez primeiros da etapa. O ano passado conseguiu meter seis na Avenida dos Aliados no Porto e este ano conseguiu cinco. Nada que ninguém não esperasse desta fortíssima equipa nortenha. A última etapa o ano passado, corrida entre o Porto e Vila Nova de Gaia, teve muito mais gente é certo. Também era Verão, não havia pandemia e mesmo o turismo aproveitou para ver uma prova de ciclismo de alto gabarito em Portugal. Notou-se mais gente este ano no Sul do que no Norte. Isso não quer dizer que os sulistas gostem mais de ciclismo do que os nortenhos. Ainda falta provar e é muito discutível. O que não foi discutível foi a vitoria de hoje do galego de 40 anos, que veste as cores da W52/FCPorto desde há 5 anos, vinda da estrutura que acabaria por ser adquirida pela W52 e pelo F. C. do Porto, a OMF/Quinta da Lixa onde correra dois anos. Em segundo lugar ficou António Carvalho da Efapel a 8s. António Carvalho o ano passado tinha feito segundo na Praça General Humberto Delgado. Voltou a repetir. Duas boas etapas para o homem de S. Paio de Oleiros, terra de ciclistas. Em terceiro lugar ficou o francês da Arkea/Samsic, Anthony Delaplace a 17s. Jóni Brandão fez o quarto melhor tempo e acabou também a 17s de Veloso. Em quinto Daniel Mestre da W52/FCPorto a 26s. Sexto para Alejandro Marque da Atum General/Tavira/ Maria Nova Hotel a 27s, com dois segundos perdidos na partida com o encaixe do pedal. O camisola amarela Amaro Antunes (W52/FCPorto) chegou com 31s de atraso para o vencedor e faz 7º, em 8º o vencedor do ano passado da Volta, João Rodrigues (W52/FCPorto) também a 31s, em 9º o Rafael Reis do Feirense com os mesmo 31s e em 10º o ciclista da W52/FCPorto, Samuel Caldeira a 32s.

A Classificação Geral Final, ficou assim ordenada: 1º – Amaro Antunes (W52/FCP), 2º – Gustavo César Veloso (W52/FCP) a 42s, 3º – Frederico Figueiredo (Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel) a 52s , 4º – Jóni Brandão (Efapel) a 1:23m, 5º – João Benta (Rádio Popular/Boavista) a 1:50m, 6º – António Carvalho (Efapel) a 1:52m, 7º – João Rodrigues (W52/FCP) a 2:00m, 8º – Alejandro Marque (Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel) a 2:11m, 9º – Cristián Rodriguez (CajaRural/SegurosRGA) a 3:16m, 10º – Délio Fernandez (Nippo Delko Provence) a 3:49m. A Camisola Vermelha dos Pontos ficou com Luís Gomes (Kelly/Simoldes/UDO) e a da Montanha com Hugo Nunes (Rádio Popular/Boavista). A Camisola Branca da Juventude levou-a o jovem inglês, Simon Carr (Nippo Delko Provence). Por equipas venceu a W52/FCPorto, em segundo ficou a Rádio Popular/Boavista a 9:54m e em terceiro a Efapel a 11:47m.

E assim ficou encerrada a Volta a Portugal Edição Especial 2020. Esperemos que para o ano tudo volte à normalidade. Assim esperamos

Jorge Garcia