Um olhar à Volta – 6ª etapa

Dois seguidos para McLay na Volta a Portugal

A chegada da 6ª etapa da Volta a Portugal Edição especial 2020, era na terra natal do melhor ciclista português de todos os tempos: Joaquim Agostinho, natural de Torres Vedras. E quem acompanhou a corrida pela televisão teve direito a conhecer a sua casa, porque o heli da RTP mostrou-nos em jeito de homenagem. Os corredores esses, à velocidade que passaram, pouco viram, porque as pulsações por minuto iam altíssimas, a velocidade era elevada e obrigava a grande concentração.

Apesar de ser uma etapa com 155 km que teve início nas Caldas da Rainha não era de grande dificuldade e foi feita sempre a medias altas. As pernas já estavam refeitas dos dias anteriores de alta montanha. Não havia grandes motivos para que uma fuga não vingasse com facilidade, se os protagonistas não colocassem em risco qualquer classificação, e foi o que aconteceu. A Classificação dos Pontos ainda está longe de estar fechada, ainda estão muitos pontos em disputa. A disputa pela camisola da Montanha já é assunto encerrado para Hugo Nunes da Rádio Popular/Boavista que a levará para o Norte. A dos Pontos está sempre dependente das chegadas e dos vencedores e por isso, todos os dias há que fazer contas. À partida para esta etapa Luís Gomes da Kelly/Simoldes/UDO tinha 31 pontos de vantagem para o segundo classificado que era, nada mais nada menos, do que o britânico da Arkéa/Samsic que tinha vencido no dia anterior e que poderia repetir a vitória, e podia colocar em risco a liderança da Camisola Vermelha, a da liderança dos Pontos.

Na terra de Agostinho ninguém ganhou sozinho. E é mesmo para rimar.Bem tentaram Willem Smit da Burgos/BH e Oier Lazkano da Caixa Rural/Seguros RGA, dois já nossos velhos conhecidos pelas fugas e o basco pela vitória em Viseu e Emanuel Duarte da L.A. Alumínios/L.A. Sport. O trio deixou o pelotão aos 11 km da partida e rolaram juntos quase a etapa toda, ganhando todos os pontos que estavam em disputas nas três Metas Volantes do Dia e da única Montanha de 4ª categoria. Apesar de um terço da etapa ter sido corrida junto ao mar, hoje o vento não foi madrasto. As paisagens de hoje junto à costa, nomeadamente as da Nazaré e até à Foz do Arelho e depois mais à frente em Porto Novo, são bons postais ilustrados de grande beleza e que mostram que Portugal é lindo, muito lindo e que nós portugueses gostamos de ciclismo.

Sem dúvida que valeu a pena a Federação Portuguesa de Ciclismo ter encetado uma fuga que tinha o intuito de conseguir a camisola amarela da vitória, a camisola que se chamou Volta a Portugal, Edição Especial 2020. Valeu muito a pena. E quem não se vai esquecer desta Volta Especial será Daniel Mclay que voltou a vencer hoje em Torres Vedras. É forte no sprint e tem uma equipa que o sabe lançar. A Arkéa/Samsic a sua equipa, era a mais cotada do pelotão e fez questão de mostrar isso com estas duas etapas a serem ganhas pelo seu chefe de fila britânico. Mclay cortou a meta com 3:38:04 h. O segundo desta vez foi Riccardo Minali da Nippo/Delko/Provence a equipa que tem como Diretor Desportivo o nosso bem conhecido José Azevedo. Em terceiro o jovem da Miranda/Mortágua, Leangel Linarez que ontem tinha feito segundo. Em quarto lugar o sprinter da Feirense, Óscar Pelegrí, e o quinto, o português da Aviludo/Louletano, João Matias. No sexto lugar, o espanhol David González o homem mais rápido da Caja Rural /Seguros RGA. César Martingil o corredor luso da Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel fez sétimo, Luís Gomes da Kelly/Simoldes/UDO ainda conseguiu amealhar dois pontos para a Camisola Verde porque chegou em oitavo, Matis Louvel da Arkéa/Samsic em nono e em décimo, Daniel Freitas da Miranda/Mortágua.

A Classificação Geral não teve alterações nos dez primeiros, assim: 1º – Amaro Antunes (W52/FCP), 2º – Frederico Figueiredo (Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel) a 13s, 3º – Gustavo César Veloso (W52/FCP) a 1:13m, 4º – João Benta (Rádio Popular/Boavista) a 1:27m, 5º – Jóni Brandão (Efapel) a 1:37m, 6º – João Rodrigues (W52/FCP) a 2:00m, 7º – Alejandro Marque (Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel) a 2:15m, 8º – António Carvalho (Efapel) a 2:15m, 9º – Délio Fernandez (Nippo Delko Provence) a 2:31m e em 10º – Cristián Rodriguez (CajaRural/SegurosRGA) a 2:43m. A Camisola Vermelha dos Pontos está agora com Daniel Mclay (Arkéa/Samsic) e a da Montanha em Hugo Nunes (Rádio Popular/Boavista). A Camisola Branca da Juventude continua com Simon Carr (Nippo Delko Provence). Por equipas lidera a W52/FCP.

A etapa de amanhã promete ser uma etapa espetacular, e será a última hipótese para se afinarem as classificações finais, porque no dia seguinte é o derradeiro CRI em Lisboa e os dez primeiros classificados sabem o que valem nessa etapa plana, rápida e a necessitar de pernas fortes. A subida amanhã ao Alto da Arrábida, uma contagem de Montagem de 2ª categoria, mas durinha, promete ser espetacular porque será muito atacada por vários corredores, sobretudo os dez primeiros da Geral. Quem quiser ganhar tempo aos adversários, terá que arriscar nessa subida que fica a 13,4 Km da chegada a Setúbal que marcará o final da etapa, após 161 Km de prova. Teremos três Metas Volantes e duas contagens de Montanha, uma de 2ª e outra de 4ª categoria. As imagens aéreas de amanhã serão ótimas para promovermos o nosso turismo que bem precisa ser revitalizado. Não queria encerrar esta crónica sem falar de um grande feito para o ciclismo português, hoje, com o segundo lugar no Contrarrelógio Individual de João Almeida da Deceuninck/Quick Step no 103º Giro de Itália que se iniciou hoje, ficando apenas a 22s do Campeão do Mundo de CRI, o italiano Filippo Ganna da Ineos/Grenadiers. Bravo João, muito bom este 2º lugar na Geral!