As barreiras, as bancadas, as pistas, essas continuam vazias

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O pelotão da Volta é pequeno, mas o que o torna ainda mais pequeno, é a ausência do público, com as barreiras vazias, despojadas daquilo que é uma das essências do fenómeno desportivo : o público.

O público que não se pode acotovelar no desporto, tem de manter o distanciamento social no desporto, tem de usar máscara no desporto, tem fazer testes no desporto, mas esse mesmo público, quando vai trabalhar vai uns em cima dos outros, apertados nos comboios, nos autocarros que vai trabalhar sem testes, e dá o seu melhor por este país.

Hoje, durante a etapa que ligou a Guarda à Torre, o povo agradeceu, como só ele o sabe fazer, a visita da Volta, porque a Volta é o único evento que não o esquece. O sorriso estampado nos rostos deste povo trabalhador, os incentivos aos atletas, que passam em segundos, mas que tanta alegria lhes traz. Não soube, talvez nunca venha a saber, qual a razão pela qual esperam por vezes horas, para ver passar em segundos , o único espetáculo desportivo a sério, que lhes é proporcionado durante todo o ano. Se calhar é isso, a Volta não os esquece, como os mandões de Lisboa, que tudo julgam saber, e nada sabem do que o povo bem precisa.

As barreiras, as bancadas, as pistas, essas continuam vazias.