Havemos de ir a Viana

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A aventura solitária de Samuel Caldeira.

Como dizia a nossa Amália, “havemos de ir a Viana”. Começava a mesma letra “entre sombras misteriosas”. Mas, com mais ou menos mistério, a verdade é que sempre chegámos a Viana do Castelo, nesta Volta a Portugal. É bom, porque Viana do Castelo sempre foi uma cidade da Volta e do ciclismo.

Na etapa, que saiu de Montalegre, a animar, duas fugas. Uma óbvia, a de Marvin Scheulen (LA-Aluminios), quase desde o quilómetro zero, a protagonizar aquela grande aventura do dia, num esforço que merecia um prémio de combatividade.

A outra fuga é bem menos óbvia. Chamo-lhe eu fuga. Não é uma verdadeira fuga, mas o desempenho de Samuel Caldeira (W52-FCPorto) quase parece uma aventura solitária com o olhar na estrada livre de ciclistas.
Acabaram por ser os dois motivos de principal interesse durante muitos quilómetros, entremeados, por uma ou outra incidência de corrida, normalmente, sob a forma de quedas. Quilómetros que se nota bem já não serem no Verão. A própria luminosidade a que estamos habituados nas transmissões já não é a mesma. Mas isso é óbvia culpa do Outono que, por sinal, até é a minha estação do ano preferida.

No alto de Santa Luzia, no meio de algumas tentativas forasteiras, António Carvalho (Efapel) voltou a mostrar-se, Daniel Mestre (W52) lá esteve, mas nenhum conseguiu conter a demonstração de força de Luís Gomes (Kelly/Simoldes/Udo), que confirmou o desempenho de Torres Vedras e, mais uma vez, nos vem confirmar a sua qualidade.

Amanhã, outro santuário, outra Santa, outra etapa, outra penitência, certamente outras diferenças, e certamente surpresa para alguns ciclistas pouco habituados às montanhas ao redor do monte farinha e a estas andanças. Amanhã, na Senhora da Graça, já saberemos quem não ganha a Volta. Já quem ganha… ficaremos na mesma sem saber. De resto, o que se espera é que não existam incidências extra desportivas. Já tivemos as suficientes.
Luís Gonçalves